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A involução é uma perda de tempo

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

Ellen involução

“Não me venham gritar e fazer gestos de liberdade sacudindo no ar vossas correntes!”
(Vargas Vila)

O comportamento social dos animais tem muito mais influência genética do que imaginamos.

O altruísmo e o egoísmo, por exemplo, têm bases genéticas na maioria das espécies e muito pouco é aprendido na cultura de um grupo social.

A espécie humana apresenta diversos comportamentos com influência genética muito forte, e estes mesmos comportamentos também recebem a influência da cultura local. Não existe apenas uma influência, apenas uma causa.

Pois é no dia a dia que vamos observando como a humanidade, na intenção de proteger a si própria, num altruísmo que não se sabe ao certo se é realmente altruísmo, ou se é um egoísmo disfarçado, vai colocando em risco a si própria.

Esta “bondade” exagerada de alguns, muitas vezes, no âmbito geral, é um egoísmo que só prejudica a humanidade, pois coloca em risco os fatores responsáveis pela sua preservação.

É o que acontece com aqueles que acham que um minuto despendido a cuidar dos animais, ou do meio ambiente é perda de tempo. Na verdade, no final das contas, um ambiente melhor, a qualidade de vida dos animais, também gerariam bem-estar aos humanos. Mas isto, no nosso sistema egoísta atual e eterno, não pode ser percebido.

Então acontece de vermos a humanidade a cada dia se reproduzir de forma suicida, sem imaginar que o futuro para as crianças que virão está cada vez mais comprometido pelos atos hipócritas e egoístas das gerações atual e passada. Pois não podemos esquecer do passado.

Vemos desunião absurda entre os grupos ativistas pelos direitos dos animais, que irei pontuar em alguns exemplos.

As pessoas que mais trabalham na causa são as que são mais atacadas, por uma inveja que salta aos olhos, por críticas vazias e fracas, por fofocas e outras atitudes deploráveis.

Pessoas que têm história dentro do ativismo são criticadas por fedelhas pseudovegetarianas, que ontem começaram a dizer que apoiavam a causa e que não sabem nada sobre estas pessoas que estão há anos na batalha. Mas se acham no direito de criticar e faltar com respeito.

Em encontros onde foi especificado que a comida seria vegana, tem gente que leva produtos com ovos e leite, mesmo sabendo das regras e que nestes grupos há pessoas com dificuldades de visão que não poderiam ler os rótulos. Uma falta de respeito não somente com os animais, mas com o grupo em geral.

Um vegano não pode e não quer comer nada com produtos de origem animal, mas um vegetariano pode comer produtos veganos tranquilamente. Por que não respeitam?

Assim como já me aconteceu inúmeras vezes, até o ponto em que desisti de participar de jantares com gente que come carne.

Faziam um prato vegetariano (na época eu não era vegana), mas no fim das contas, todos vinham comer o prato destinado a mim. Eu, que não poderia comer o restante dos alimentos, acabava tendo que comer o resto, mas eles, que podem comer o que quiserem – por opção deles – preferiam comer a única coisa que eu poderia comer ali.

Desde estes acontecimentos eu dei um basta em gente que não tem bom senso e que age como troglodita.

Olha que não aconteceu só comigo…

Estes comportamentos surtem efeitos contra a própria pessoa, contra o movimento pelos animais e pela humanidade.

Este pessoal que adora gritar pelos pobres e que acha que nós somos contra a humanidade é o mesmo que, quando vê as pessoas melhorando de vida, se livrando das prisões da pobreza, fica perdido, perde a sua muleta de apoio (que era usar os pobres para se promover e aplicar suas teorias mal formuladas, arremedos dos filósofos antigos).

Nós nunca fomos contra os seres humanos. A humanidade voluntariamente é contra si mesma.

Quando eu percebo que nem mesmo a amizade é respeitada, por conta de um bife, de um churrasco, de uma lata de cerveja, vejo a mesquinharia geral em que estamos mergulhados, todos nós.

Sim, pois não pensem que são só os veganos que sofrem preconceitos por sua dieta. Quem para de beber, ou não bebe a quantia “ideal” também perde os “amigos”, também ouve piadinhas infames e idiotas.

Sei muito bem como isto funciona.

As pessoas a cada dia estão mais mergulhadas no seu egoísmo e no egoísmo coletivo da espécie humana. Este é muito mais grave.

Pois o egoísta sozinho acaba apenas com sua vida, mas o egoísmo coletivo empobrece a humanidade e a coloca em risco de extinção.

Não sou adepta da abnegação total, que na verdade é outro tipo de egoísmo, apenas acredito no amadurecimento das relações.

Quando as relações entre as pessoas amadurecem, já não temos mais tempo para briguinhas, disputas de egos, ciúme e inveja. Temos, sim, tempo de melhorar o mundo à nossa volta, fazer outras coisas que não viver naquele círculo vicioso do egoísmo a dois, a três, do grupo e de todos.

Quando acabam as brigas por ciúme, por inveja e por burrice, começam as atitudes para melhorar a vida, as relações à nossa volta, a construção de coisas diferentes do que havíamos vivido até então.

Mas até perceberem isto, os grupos estarão amarrados em si mesmos, curtindo a inveja do trabalho dos outros e perdendo em muito a chance de ser melhores, ou apenas de ser o que se propuseram a ser.

E as pessoas que se viciaram em relações problemáticas perdem a chance de encontrar pessoas verdadeiras, livres dessas mesquinharias. Perdem tempo, no final das contas.

Fonte: ANDA 


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