Fotos: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

Animais ficam até cinco anos na Apipa à espera de um lar

Lessie, Belinha, Julie, Talita, Maricota, Amuleto…. são nomes de alguns dos moradores da Associação Piauiense de Proteção e Amor aos Animais (Apipa). Em comum, os animais tem histórias de sofrimento que envolvem abandono e maus-tratos. Atualmente, 200 gatos e 77 cães vivem na ONG, muitos destes, aguardam há mais de cinco anos por um lar; outros morrem no abrigo e nunca encontram alguém para adotá-los.

“Temos alguns especiais, cegos, idosos ou epiléticos. O Amuleto foi encontrado no bairro Porto Alegre, na zona Sul de Teresina, cheio de bicheiras. Perdeu a orelha, a visão por conta das larvas. Ele já está aqui há mais de cinco anos e nunca foi adotado. Para se ter uma ideia, os paraplégicos que entraram aqui também nunca foram adotados. Eu comparo a velhice aos nossos avós. Será se a pessoa vai pegar um ser amado da família e jogar em um abrigo? infelizmente, as pessoas ainda tratam os animais como objetos, acham que têm que se desfazer, não enxergam o sentimento deles” disse Jane Haddad, fundadora e administradora do abrigo.

Além dos animais especiais, cães e gatos sem deficiência, por exemplo, também esperam muitos anos por adoção como é o caso da Maricota.

“A Maricota foi encontrada dando à luz na chuva, no Planalto Uruguai. Achamos ela dentro do matagal e os filhotes se afogando na lama. Já mora aqui há algum tempo, foi castrada, é saudável e ainda não foi adotada”, relata Haddad.

APADRINHAMENTO

Fotos: Roberta Aline/ Cidadeverde.com
Fotos: Roberta Aline/ Cidadeverde.com

Entre as ações desenvolvidas pela Apipa para incentivar a adoção está o “apadrinhamento”.

“A pessoa visita a ONG, olha os animais e aquele que o animal o escolher [pois na verdade são eles que nos escolhem], a pessoa arca com as despesas desse animalzinho carinho, desde alimentação, remédios, veterinário quando for preciso e cuidados. Muita gente tem espaço em casa, quer um animal, mas não tem disponibilidade de tempo de cuidar. Daí pode vir na Apipa e apadrinhar”, explica Jane Haddad.

No momento, todos os animais abrigados estão sem padrinhos. O apadrinhamento é importante também para evitar que a dívida da Apipa- que soma em média R$ 60 mil- aumente ainda mais.

“Alguns animais que era apadrinhados, moraram praticamente a vida toda na Apipa, por serem discriminados pela deficiência física, velhice. Esses já falecerem. No momento estamos sem padrinhos. A gente precisa muito de padrinhos até mesmo porque nossa dívida está muita alta em torno de R$ 60 mil”, disse a fundadora e administradora do abrigo.

A ONG conta com doações para dar o mínimo de conforto para os animaizinhos abandonados. Por mês, a despesa é em média de R$ 24 mil.

Com a quantidade de animais, o abrigo precisa diariamente de ração, materiais de limpeza, jornais e apoio financeiro. “Por dia são consumidos 25 kg de cão e 15 kg para gatos, além de medicamentos. A limpeza é feita três vezes ao dia. Tudo é muito necessário”, diz Haddad.

“É uma luta todo dia e fazemos isso por amor ao animais. Nós, humanos, sabemos falar, pedir, dizer o que estamos precisando, mas eles não sabem se defender. Somos muito gratos a todas as pessoas. Agradecemos muito a quem nos ajuda. Toda vida é importante, não importante de quem seja”, finaliza Haddad.

A Apipa está na luta em defesa dos animais há 11 anos. No site há informações sobre como ajudar os bichinhos abrigados, seja por adoção, apadrinhamento, entre outros.

Fonte: Cidade Verde

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