Um par de pássaros apresentou intervalo de menos de 50 milissegundos entre o envio de notas (ou sons) de um para o outro. (Foto: Free-Photos/Pixabay)

Animais usam mesmo sistema de comunicação dos humanos

Não é apenas nos contos de fadas e fábulas que os animais falam. Eles, de fato, conversam entre si e, mais ainda, usam a mesma base de comunicação usada pelos seres humanos. Assim, enquanto um fala (pia, mia, late), o outro escuta (embora nem sempre seja assim com os humanos).

Em um artigo publicado no The Royal Society, um grupo de acadêmicos do Reino Unido e da Alemanha mostrou que padrões de conversação humanos estão espalhados pelo reino animal.

Um elefante, por exemplo, sabe quando é hora de ‘desligar’ a tromba e ouvir mais. A conversa, segundo os autores do estudo, é uma “empresa fundamentalmente cooperativa”.

A conversa animal, porém, não é nova e já foi apresentada em outros estudos, mas a maioria é considerada isolada, o que dificulta conclusões sobre o diálogo entre espécies.

O artigo atual fez uma revisão de dados anteriores e analisou quatro tipos de animais: aves, mamíferos, insetos e anuros (rãs, sapos, pererecas). Com isso, os pesquisadores foram capazes de cruzar padrões de conversação entre espécies. E o tempo, assim como no mundo humano, é fundamental.

“Se ocorrer sobreposição, os indivíduos ficam em silêncio ou fogem, sugerindo que a sobreposição pode ser tratada, nessa espécie, como uma violação das regras socialmente aceitas”, afirmam os cientistas no estudo.

Pacientes e impacientes. Eles parecem educados ao evitar sobreposição, mas alguns são mais tranquilos na conversa. Um par de pássaros apresentou intervalo de menos de 50 milissegundos entre o envio de notas (ou sons) de um para o outro.

As baleias, por outro lado, são mais pacientes e suas pausas podem durar até dois segundos. Os seres humanos, segundo os autores do estudo, normalmente esperavam cerca de um quinto de segundo antes de entrarem em sintonia.

“O objetivo do estudo é facilitar comparações entre espécies em grande escala e de forma sistemática”, explica Kobin Kendrick, da Universidade de York, em um comunicado. “Tal estrutura permitirá aos pesquisadores traçar a história evolutiva deste notável comportamento e abordar questões antigas sobre as origens da linguagem humana”, que é o desejo da equipe.

Fonte: Estadão 

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