Foto: kokoandthegorillafoundation/Instagram

Assim como o mundo presta homenagem a Koko, nunca devemos esquecer sua história

Como Cher ou Prince, Koko precisa de apenas um nome para ser reconhecida. Koko é, sem dúvida, a gorila mais famosa da história, tendo permanecido uma celebridade desde que se divulgou que ela aprendeu a se comunicar com os humanos usando a linguagem de sinais ensinada a ela por pessoas. Sua morte é uma perda profunda para o mundo inteiro, que passou a amar a famosa gorila, mas precisamos garantir que a sua história não seja esquecida.

Não há dúvida de que Koko ensinou ao mundo como os símios, nomeadamente os gorilas, são cognitiva e emocionalmente avançados, e ajudou a conquistar um vasto interesse público por sua espécie e por outros grandes símios. No entanto, como defensores dos animais, não podemos ignorar os fatos duros e frios de que a história da vida de Koko é na verdade muito mais trágica do que os meios de comunicação típicos mostraram ao longo das décadas.

Como observa a NPR, Koko, a gorila-ocidental-das-terras-baixas, nasceu em 1971 no zoológico de San Francisco. Quando bebê, foi arrancada de sua mãe e comprada para se tornar um objeto de pesquisa em um experimento de Francine “Penny” Patterson. Desde a infância, Koko interagiu principalmente com Penny e com o restante da equipe apenas. Ela não tinha outros membros de sua espécie para interagir ou com quem aprender, e não lhe garantiram o direito dado por Deus de subir em árvores ou explorar a terra como ela teria feito naturalmente. Em vez disso, ela foi usada como um objeto de testes e mantida fechada pelo que deve ter sido a maior parte de sua vida, atrás de grades, ou deixada no exterior acorrentada e sem permissão para vagar com liberdade na natureza (ou mesmo em um ambiente próximo a isso, como um santuário) e exibir seus comportamentos naturais, como todos os animais deveriam poder fazer.

Koko foi uma cobaia em nome da “pesquisa” e da “ciência”, mas a pesquisa científica em animais não é uma das principais batalhas que os defensores dos animais lutam incansavelmente para encerrar?

Considerando que Koko foi tirada de sua mãe em uma idade tão jovem, durante a maior parte de sua vida, os principais indivíduos com quem ela interagiu eram humanos (e gatos), e não gorilas. Quantas vezes protestamos contra tirar os filhotes de suas mães? E quantas vezes protestamos contra manter animais isolados de outros membros de sua espécie? Billy, o elefante, Lolita e Keiko, as orcas, e o chimpanzé do filme Buddy vêm logo à mente.

Claro, à primeira vista, é divertido, talvez até tão encantador, que Koko tenha assistido à TV e se tornado uma fã leal de algumas de nossas estrelas favoritas como Robin Williams, Mister Rogers e Betty White; mas nós, como ativistas dos animais, desaprovamos o comportamento semelhante de outros gorilas cativos, como o que foi fotografado a assistir vídeos do YouTube em um zoológico no ano passado. E Koko interagiu com celebridades convidadas, e interagir fisicamente com animais selvagens é outra coisa que sempre desaconselhamos como defensores dos animais, tanto para o bem dos animais quanto das pessoas (a trágica história de Harambe vem à mente?).

Koko é, por certo, mais conhecida por sua capacidade de imitar uma forma de linguagem humana. Mas, novamente, nós sempre nos manifestamos contra o “treinamento” de animais para imitar o comportamento humano, como quando foi dito que orcas foram treinadas para imitar a fala humana recentemente. E dizer que os experimentos provaram que os gorilas são espertos é o mesmo argumento que o SeaWorld e outros parques marinhos, atrações de beira de estrada ou circos fazem quando dizem que as tarefas treinadas por humanos que os animais realizam “provam como os animais são inteligentes”.

Adicione a tudo isso o fato de que Koko expressou com frequência seu desejo de ter um filhote, mas nunca teve a oportunidade de estar em um ambiente social com outros gorilas para que pudesse encontrar um companheiro adequado, e sua história se torna ainda mais insuportavelmente desoladora.

Embora Koko esteja por fim livre agora, Ndume, um gorila macho, ainda é mantido em uma jaula nas mesmas instalações em que Koko permaneceu por tantos anos. Que a trágica história e o legado de Koko possam ajudar a mostrar que a humanidade ainda tem um longo caminho a percorrer no campo dos direitos dos animais, e que Ndume e todos os outros animais capturados para serem usados em nome da pesquisa, entretenimento ou qualquer outra coisa para o benefício dos humanos, possam viver uma vida mais feliz e mais gratificante do que a querida Koko foi forçada a viver.

Por Natasha Brooks / Tradução de Ana Carolina Figueiredo

Fonte: One Green Planet

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