Ativistas em Cuba denunciam um agressor e assassino de cães

Ativistas em Cuba denunciam um agressor e assassino de cães

Uma denúncia contra o havanês de 29 anos Rubén Marrero Pernas, ex-trabalhador do Polo Científico e que teria praticado  violência extrema contra vários cães, está sacudindo as  redes cubanas.

A nota com imagens publicada no grupo Cuba Contra el Maltrato Animal e reproduzida pela plataforma CEDA – Cubanos en Defensa de los Animales, “com toda responsabilidade” e a partir de “provas suficientes”, apontam Marrero Pernas como um zoosadista que se filmou e fotografou quando torturava, sodomizava e matava cães.

“Ele não só violenta, mutila e mata, mas publica o que faz em fotos e vídeos que amigos de protetores no exterior enviaram. Hoje aqui somente publicamos sua foto para que todos conheçam seu rosto, e uma das terríveis fotos de uma infeliz filhotinha que ele violentou, mutilou e matou”, afirma denúncia.

Os registros teriam aparecido em um fórum digital de zoófilos chamado BeastForum. “Pernas também escreveu relatos detalhados de encontros sexuais que ele teve com animais, incluindo animais que não pertencem a ele e cadáveres de animais”, acrescentam os ativistas.

Segundo a denúncia, a “magnitude da exposição e ostentação de Rubén Marrero Pernas” fez com que “alguns membros da rede de zoosadismo começassem a filtrar informação em outros sites.” Aparentemente, o mais chamativo foi o intercâmbio com Levi Dane Simmons (SnakeThing), que hoje está detido no estado de Oregon, Estados Unidos.

A plataforma CEDA – Cubanos en Defensa de los Animales informou que Marrero havia adotado um filhote no início de abril. “Esse indivíduo, depois de se oferecer para adoção, torturou, mutilou, estuprou e matou dias depois, de uma forma que é difícil acreditar que um ser humano possa fazer isso. A CEDA tem evidências em imagens de que essa informação é verdadeira.”

O Centro de Neurociências de Cuba publicou em sua página no Facebook que Marrero foi exonerado, sem especificar a data, e que a instituição forneceu a informação “aos órgãos competentes para novas ações, conforme apropriado”.

Publicado por Centro de Neurociencias de Cuba em Quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Mitchel Valdés, diretor da instituição, confirmou ao OnCuba que eles verificaram a denuncia por parte da CEDA e tomaram as medidas para expulsar Marrero do centro. Valdés disse que o caso está agora nas mãos das entidades policiais.

“Nós conhecíamos um indivíduo que aparentemente era um bom trabalhador, uma pessoa normal, e nunca poderíamos ter imaginado que pudesse cometer atos tão cruéis, e descobriu-se que era justamente o oposto”, disse Valdés.

A nota refere-se aos fatos como “atividades ilícitas”, no entanto, no caso de violência contra animais em Cuba, não está claro quais são esses órgãos ou o quais os procedimentos a que será submetido o caso, já que não há Lei de Proteção Animal e nem o Código Penal define esse comportamento como um crime.

Durante anos, várias organizações dentro de Cuba buscaram o reconhecimento de suas demandas, denunciando as práticas de maus-tratos contra animais, desde a tradicional luta de galos até a briga de cães ilegal, incluindo a super exploração de cavalos como animais de carga (especialmente de passageiros), ou a população significativa de cães e gatos que vagam à sua sorte pelas cidades cubanas.

O jornalista Giordan Rodríguez Milanés lembrou em seu perfil no Facebook o assassinato de um filhote no meio da Calle Ancha de Manzanillo. “As autoridades argumentaram que não poderiam processar porque não há o amparo de uma lei para proteção animal”, disse ele.

Em 20 de julho de 2018, um total de 22 animais, entre gatos e cachorros, apareceram. mortos com sintomas de envenenamento perto do Hospital Hermanos Ameijeiras, no Centro Habana. As fotografias dos cadáveres se tornaram virais nas redes, no entanto, não houve resposta institucional e as causas das mortes nunca foram reconhecidas ou esclarecidas.

No contexto da reforma constitucional, os ativistas acumulam registros desses episódios para exigir com maior insistência uma Lei de Proteção Animal para Cuba.

Tradução de Flavia Luchetti

Fonte: Diário de Cuba

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