Ativista invadiu a cerimônia de premiação do Crufts denunciando a eugenia canina - Foto: REUTERS

Ativistas invadem premiação do maior concurso de cães da Inglaterra

A cadela Tease, uma whippet de dois anos de idade, foi a grande vencedora do Crufts, considerado o principal e maior concurso de cães do mundo. O evento realizado anualmente no National Exhibition Centre, em Birmingham, é prestigiado pelo público britânico, tanto que algumas provas são transmitidas ao vivo por emissoras locais. Para aproveitar a publicidade, dois ativistas da ONG Peta (Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais, na sigla em inglês) interromperam a premiação de Tease na noite deste sábado, para denunciar a “eugenia”.

Imagens divulgadas pela ONG mostram Yvette Short, criadora da Tease, com semblante de pânico abraçando a cadela quando os dois manifestantes — um homem e uma mulher — derrubaram o cercado e invadiram a área destinada aos competidores. Segundo a organização do evento, a segurança será revista como “questão de urgência”.

De acordo com um porta-voz do Crufts, o protesto “assustou os cães e colocou a segurança, tanto dos cães como das pessoas, em risco de forma irresponsável”. Após a invasão, os dois ativistas foram rapidamente imobilizados por seguranças.

Os manifestantes carregavam cartaz dizendo: “Crufts: eugenia canina”. Em comunicado, a Peta informou que os ativistas fazem parte do grupo Vegan Strike. O protesto é contra o sofrimento imposto aos cães pelos processos de reprodução utilizados pelos criadores, que priorizam características físicas não naturais apenas para saciar a obsessão humana da “linhagem pura, com traços físicos ideais sem preocupação com a saúde ou bem estar” dos animais.

Yvette Short, com a cadela Tease no colo, abalada após a invasão dos ativistas Yvette Short, com a cadela Tease no colo, abalada após a invasão dos ativistas - Foto: OLI SCARFF / AFP
Yvette Short, com a cadela Tease no colo, abalada após a invasão dos ativistas Yvette Short, com a cadela Tease no colo, abalada após a invasão dos ativistas – Foto: OLI SCARFF / AFP

Como exemplo, a ONG cita os focinhos de bulldogs e pugs, que são tão apertados que dificulta a respiração dos animais. Já o cavalier king charles spaniel foi selecionado geneticamente para ter crânio praticamente plano na parte de cima. Por isso, com frequência animais dessa raça sofrem com um grave problema de saúde, pois seus crânios são pequenos demais para seus cérebros.

Em nome do pedigree, muitos criadores colocam animais de uma mesma família para cruzar. Ao longo de gerações, o acasalamento entre indivíduos geneticamente próximos aumenta as chances de defeitos e doenças congênitas.

“Como os reprodutores estão produzindo ninhadas após ninhadas de filhotes não saudáveis com pedigree, milhares de cães saudáveis estão em abrigos esperando para serem adotados”, apontou a Peta.

Fonte: Extra

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