Ato reivindica que Pampas Safári se transforme em santuário

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Ato reivindica que Pampas Safári se transforme em santuário
Fotos: Tauhan Spironello, Jania Picon Alt, Jackson Müller, Gelcira Teles, Simone Mundi

Durante a tarde e noite de sábado, 2, cerca de 50 ativistas da causa animal e ambientalistas realizaram um ato no gramado em frente ao Pampas Safári, em Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Com cruzes, faixas e cartazes, protestaram contra a ameaça de morte de 300 cervos por suspeita de tuberculose bovina e reivindicaram que a área do parque (320 ha) se torne um santuário para os animais que vivem cativos no local. O artista Juan Corvalán fez uma intervenção no asfalto com a reivindicação, chamando a atenção dos motoristas – que buzinavam em solidariedade.

“É um movimento contrário à forma como a situação dos animais foi tratada, em especial contra a morte daqueles animais abatidos de forma indiscriminada, mas também pela manutenção do parque. Além dos animais, há toda uma fauna que deve ser preservada”, afirmou ao G1 o diretor-presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí (FMMA), Jackson Müller.

Ao anoitecer, os manifestantes acenderam velas nas 24 cruzes fixadas no local para representar os 20 animais já abatidos, entre os quais quatro fêmeas prenhes.
Compareceram representantes de grupos e ONGs de Porto Alegre, Gravataí, São Leopoldo, Canoas e Novo Hamburgo.

TESTES NEGATIVOS

Os 20 testes, feitos pelo Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), tiveram resultado negativo para tuberculose na semana passada. Outros 350 testes feitos até dezembro de 2016 também foram negativos.

ENTENDA O CASO

Os defensores dos animais estão mobilizados desde 22 de agosto, quando dois ativistas descobriram que 300 cervos estariam sendo abatidos em lotes, informando imprensa e parlamentares simpáticos à causa. No dia 25, realizaram ato em frente ao Ibama (que autorizou o abate) e entregaram manifesto à Promotora de Meio Ambiente de Gravataí, Carolina Barth, e se revezam na vigília em frente ao parque desde então.

Uma decisão judicial acolheu ação da deputada Regina Becker (Rede) impedindo novos abates enquanto não houver comprovação da doença. A liminar concedida pelo juiz João Ricardo dos Santos Costa, da 16ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, determina ainda que os animais contaminados sejam isolados e separados por sexo para evitar a procriação no local.

Carolina Barth instaurou inquérito civil no Ministério Público de Gravataí para apurar o caso, está ouvindo testemunhas e aguarda resultados de exames que comprovem a contaminação dos cervos abatidos.

A Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí proibiu a retirada de animais pelo território do município e colocou placas informando a proibição na entrada do Pampas.
A Secretaria de Agricultura do RS emitiu guias permitindo o abate no dia 28 de agosto. Conforme informação do site Seguinte, o prefeito de Gravataí Marco Alba ligou para o secretário Ernani Polo alertando que apreenderia caminhões que tentassem sair do Pampas carregando animais. As guias foram temporariamente suspensas.

MAIOR SAFARI DA AMÉRICA DO SUL ENTROU EM DECADÊNCIA HÁ 10 ANOS

O Pampas Safari Parque de Animais Selvagens Ltda., empreendimento do Grupo Febernati, foi fundado há 40 anos. Autointitulado “o maior safari da América do Sul”, tem área de 320 hectares e mantinha cerca de 2.000 animais (camelos, zebras, lhamas, cervos, antílopes, búfalos, hipopótamos, cisnes, emas, flamingos, cágados, pavões, macacos, capivaras, antas, entre outras espécies exóticas e nativas). Alvo de fiscalização e processos desde 2013, o parque encerrou suas atividades em 2016. O Ibama calcula que o local abrigue hoje cerca de 500 animais, embora o representante do órgão tenha afirmado à imprensa local nunca ter recebido laudos completos sobre o número de animais presentes.

Dados dos processos apontam indícios de descaso sanitário e ambiental da administração do Pampas Safari no controle de doenças, alimentação e reprodução dos animais há mais de 10 anos. Cervos do parque eram abatidos para consumo humano. Em abril de 2017, os administradores solicitaram nova licença para o abate ao Ibama.

Por Gelcira Teles

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