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Bebês elefantes de Zimbábue são levados para circos na China

ZIMBABUE elefantes 2014-12-22

Autoridades do Zimbábue cometeram um crime contra a natureza nesta semana. De acordo com informações do grupo ativista Zimbabwe Conservation Taskforce (ZCTF), cerca de 36 bebês de elefantes foram retirados da vida selvagem e levados para zoológicos e circos na China. E a atitude criminosa ainda não terminou.

O objetivo é capturar um total de 100 elefantes e levá-los para parques de safári e jardins zoológicos chineses. Os animais tem entre dois e cinco anos de idade, fase em que estão extremamente vulneráveis e correm riscos de vida ao serem aprisionados. De acordo com Johnny Rodrigues, ativista do ZCTF, “os bebês de elefante provavelmente não vão sobreviver à viagem até a China e o único crime que eles cometeram foi nascer no Zimbábue”.

Mesmo que sobrevivam, o destino dos elefantes infelizmente deve ser doloroso. Os zoológicos chineses e seus visitantes são conhecidos por maus tratos a animais no passado. Em 2010, por exemplo, onze tigres siberianos morreram em um parque depois de negligências cometidas por funcionários.

O responsável por supervisionar a captura dos elefantes é o australiano Hank Jenkin, ex-funcionário da CITES, um grupo internacional que protege animais selvagens da exploração e estabelece regras para o comércio mundial de espécies ameaçadas de extinção. Antes protetor dos animais, agora Jenkin trabalha para poderosos empresários chineses, como consultor dessas atividades criminosas.

Em declaração dada ao jornal Telegraph, autoridades do Zimbábue confessaram ter capturado elefantes, mas negaram que eles estavam indo para a China. De acordo com a entrevista, os animais estavam sendo levados para os Emirados Árabes Unidos. Já a desculpa dada pelos funcionários que executaram a ação foi que a exportação de elefantes vivos não é ilegal na China. De fato, enquanto em países como a África do Sul o tráfico de animais foi proibido, no Zimbábue e na China essa atividade ainda é permitida.

Robert Mugabe, Presidente do Zimbábue desde 1986, já declarou mais de uma vez que a vida selvagem do país deve ser usada para gerar lucro para o governo. No início deste ano, o Governador Titus Maluleke fez uma declaração polêmica sobre o assunto: “Nós não estamos interessados em vida selvagem. Queremos dinheiro”. Em declaração à National Geographic, o ativista Johnny Rodrigues afirmou que existem muitas leis e estatutos sobre a vida selvagem no Zimbábue. “Mas temos um ditador e estamos sob o governo dele por 30 anos”.

Além de problemas como miséria e falta de recursos financeiros, o Zimbábue sofre muito com a corrupção. Segundo o professor de ecologia da Universidade Estadual de Utah, Johan Du Troit, “a elite dentro do governo administra os recursos como em uma disputa de quem ganha mais, na qual eles acham que se não agarrarem os recursos, alguém o fará”.

Johan é apenas mais um especialista em vida selvagem que alega que a exportação de elefantes no Zimbábue é o símbolo da corrupção no governo de Robert Mugabe. Enquanto o dinheiro for mais importante do que a natureza, esses animais inocentes continuarão reféns dos interesses humanos, entregues a uma vida de prisão e maus tratos em locais que não foram criados para eles.

Fonte: Matheus Leitão

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