British Airways se recusa a transportar animais usados em pesquisa médica / DAN KITWOOD/GETTY IMAGES

British Airways enfrenta questionamentos legais por se recusar a voar com animais de laboratório

A British Airways e outras companhias aéreas enfrentam questionamentos legais de cientistas para tentarem acabar com o bloqueio do transporte de animais para pesquisa.

Embora as companhias aéreas levem animais se forem de estimação ou para zoológicos, a campanha de ativistas dos direitos dos animais resultou em que quase todas se recusam a levar animais usados em pesquisas médicas.

Os cientistas descobriram que é cada vez mais difícil acessar os animais que eles dizem serem necessários para realizar pesquisas sobre doenças como a distrofia muscular e o mal de Parkinson.

Agora, a US National Association for Biomedical Research, uma organização sem fins lucrativos que representa os cientistas que utilizam pesquisas em animais, apresentou uma queixa ao Departamento de Transportes dos EUA.

Eles argumentam que, ao excluir os animais de pesquisa, mas transportar as mesmas espécies desde que sejam para outros fins, quatro companhias aéreas, incluindo a British Airways, estão quebrando as regras relativas à discriminação. “Houve uma hemorragia nas companhias aéreas nos últimos 10 a 12 anos”, disse Kirk Leech, da European Animal Research Association. “Sua recusa é feita com base em possíveis problemas de relações públicas”.

Ele disse que a questão agora não é apenas sobre a movimentação de animais maiores, como cães e primatas. “Conheço uma importante instituição pública de pesquisa em Portugal que teve que adquirir um camundongo geneticamente modificado de Lisboa para o Porto”. O camundongo não podia ser transportado por estrada, e a única companhia aérea que o levaria não era direta. “Este camundongo GM teve de ir de Lisboa a Frankfurt e de Frankfurt a Porto. Isso não faz sentido”.

Ele esperava que a abertura do mercado de companhias aéreas dos Estados Unidos encorajasse as empresas aéreas a retomarem os voos na Europa. “A pesquisa animal é um esforço global. Eles são criados em uma parte do mundo e transportados para outro. Este é um passo drástico, mas parece não haver um caminho a seguir. As companhias aéreas se recusaram a ceder”.

A denúncia, que foi apresentada esta semana, também envolve as companhias China Southern, Qatar Airways e United Airlines. As companhias aéreas têm até 26 de setembro para responder, antes de o Departamento de Transportes iniciar formalmente a investigação.

Dominic Wells, da Royal Society of Biology (Sociedade Real de Biologia), disse: “É eticamente muito questionável se eles devem se submeter a um grupo em particular que faz muito barulho, quando a consequência é retardar ou impedir o tratamento de doenças graves”.

Sua própria pesquisa usa cães para estudar a distrofia muscular de Duchenne, e ele disse que eles são essenciais, mas ironicamente a falta de transporte significa que mais cães, além do necessário, podem ser usados. “Na ausência de transporte, geralmente há problemas com o aumento do desperdício de animais. Portanto, em certa medida, ao proibir o movimento de animais, um número crescente de animais é usado”, acrescentou.

Por Tom Whipple / Tradução de Adriana de Paiva Correa

Fonte: The Times


Nota do Olhar Animal: Nosso modestíssimo apoio às companhias aéreas que se recusam a transportar animais ruma à tortura dos testes “científicos”, como também as que baniram o transporte de troféus de caça.

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