Cadáver sintético: uma ideia para diminuir sacrifício de animais na veterinária

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Cadáver sintético: uma ideia para diminuir sacrifício de animais na veterinária

O Conselho Federal de Medicina Veterinária estima que cerca de 250 mil cachorros sejam sacrificados todos os anos por alunos em formação; uma média de nove animais mortos por aula. Um número assustador! Mas uma tecnologia recém-chegada ao Brasil pode reduzir drasticamente esse número – tudo graças ao cachorro sintético! Este é o primeiro modelo no país, mas segue uma tendência mundial de acabar com o uso de cadáveres em salas de aula.

Para quem não é do ramo, dá até certa aflição chegar perto do cadáver sintético. Desenvolvido em um polímero a base de sódio e água, o boneco tem textura e densidade similares às estruturas anatômicas reais de um cachorro. Fora isso, o cachorro sintético tem todos os sistemas e órgãos do corpo canino. Com ele em sala, alunos podem realizar cirurgias, dissecações, entubações e diversos outros procedimentos veterinários.

O sistema vascular do cachorro sintético possui uma bomba controlada eletronicamente que simula os batimentos cardíacos do animal. O microprocessador que controlar a frequência dos batimentos pode ser acionado e modificado via Wi-Fi a partir de um aplicativo no tablet. Tudo parece tão real no laboratório que o cachorro até sangra durante os procedimentos…

Apesar da nova tecnologia, o contato com um animal vivo – que pode vir ou não a morrer durante um estudo – ainda é indispensável em algumas situações; faz parte do aprendizado, tanto na medicina quanto na veterinária. Mas os seres sintéticos certamente podem reduzir bastante o número de animais sacrificados. E, ainda mais interessante é que o cachorro sintético, em diversas ocasiões, é melhor para se estudar do que o cadáver real.

Acompanhado de uma plataforma 3D de simulações de anatomia, o cachorro sintético chega ao Brasil a partir de 200 mil reais. Não é barato, mas os órgãos sintéticos podem ser substituídos e o material de estudo pode durar até 10 anos.

Esta é a primeira faculdade brasileira a adotar a novidade. Mas muitas universidades da Europa e dos Estados Unidos já estão abolindo definitivamente o uso de animais reais nas salas de aula. Aliás, a mesma empresa que criou o cachorro sintético tem também um modelo humano com órgãos e textura iguais aos nossos. O exército norte-americano já usa o boneco que, além da anatomia, possui sensores que simulam os sinais vitais, grita e geme de dor, e permite simular casos ainda mais reais de intervenção médica, como uma amputação, por exemplo. O ser humano sintético também promete desembarcar por aqui em breve…

Fonte: Olhar Digital

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