Cadela passou por procedimentos e se recupera em uma clínica (Foto: Reprodução / Inter TV dos Vales)

Cadela se recupera em Governador Valadares (MG) após cirurgia para reconstrução do focinho atingido por golpes de facão

Um dia após passar por cirurgia para reconstrução do focinho, a cadela que foi atingida por quatro golpes de facão na segunda-feira (8), em Governador Valadares (MG), segue se recuperando. Batizada de Atena, ela está internada na clínica para onde foi levada após o resgate. A veterinária Patrícia Zanini Floridi revela que a cirurgia teve de ser feita com emergência, mesmo sem as condições ideais; a cirurgia durou duas horas e meia.

“Ela chegou com toda a área do focinho exposta, a cartilagem nasal com a pele praticamente pendurada, tudo exposto. Foi dado anti-inflamatório, antibiótico, foi feita a primeira limpeza e no dia seguinte tive que operar de emergência, senão ela ia perder a pele, perder o tecido todo do focinho. O ideal seria diminuir o grau de infecção antes de fechar o ferimento. Agora a recuperação não tem um tempo estimado, pois com infecção o problema é maior, pode ter necrose, perda de tecido. E esta não será a única cirurgia, depois ela deve precisar de mais uma ou duas para recuperação total do focinho”, explica Patrícia.

Agressão

Atena foi agredida na noite da última segunda-feira (8). Segundo testemunhas, a filha do agressor caiu enquanto brincava com a cadela, e o pai veio de dentro da casa já com o facão, desferindo quatro golpes que atingiram o focinho e as costas do animal. Vizinhos impediram que ele continuasse a agressão e, depois do crime, o homem desapareceu, não retornando mais à residência dele.

A advogada Ingrid Pessoa ressalta que o caso se trata de maus tratos de animais, e não de defesa da criança. Ela afirma que os indícios apontam que a menina estava brincando com o animal, que derrubou a criança em virtude de desconhecimento da própria força, e não por agressão.

“Quem viu as fotos sabe que o animal ficou em estado deplorável, não havia necessidade para tanto. Se fosse realmente o caso de uma agressão, ainda acreditamos que houve uso desnecessário de violência, pois haveria outras formas de impedir. Se fosse legítima defesa, ele teria que agir dentro do necessário, mas ele excedeu muito, cometendo o crime de maus tratos, pois se os vizinhos não tivessem impedido, ele poderia ter matado a cadela”, aponta a advogada.

A veterinária que atendeu Atena afirma não acreditar que o animal tenha tentado agredir a criança devido ao comportamento que demonstrou após o resgate. “Ela chegou muito tranquila, não rosnou para ninguém apesar da dor que sentia, não teve manifestação de agressividade, não quis morder, nada disso. A defesa do cão é morder, se ele sente dor, é ação e reação: ele tem dor, ele se defende. Ela nem isso fez. É um animal dócil”.

Imagem do dia do resgate, mostra a cadela com parte do focinho ferido (Foto: Silvana Soares / Arquivo pessoal)

Após o crime, a Associação de Proteção e Bem-Estar Animal (Aprobem) registrou boletim de ocorrência e a Polícia Militar esteve no local ouvindo testemunhas, incluindo a esposa do agressor. A advogada conta que com os indícios levantados, a entidade pretende oferecer denúncia ao Ministério Público para que o agressor seja punido.

Pela lei federal 9.605/1988, o condenado por maus tratos a animais pode receber pena de três meses a um ano de prisão, e pagamento de multa, que pode variar de R$ 900 a R$ 3 mil. Já pela lei estadual 22.231/2016, se condenado, o agressor ainda deve custear os gastos do tratamento e cuidados médicos do animal ferido.

A presidente da Aprobem, Silvana Soares, destaca que este é um caso chocante, mas que diariamente a associação recebe denúncias de maus tratos a animais. “O dono que não alimenta o bicho, ou que o deixa o dia inteiro preso na corrente exposto ao sol, que não recolhe as fezes e o deixa em ambiente insalubre, tudo isso também é maus tratos. É preciso que a sociedade denuncie às autoridades”.

Fonte: G1

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