Fotos: Arquivo Pessoal.

Carinho e amor de protetora de animais dão nova chance de vida para cadela paraplégica

Protetora de animais há dez anos, a enfermeira e professora universitária Nídia Oliveira Bezerra, de 40 anos, já vivenciou muitas histórias de resgates de animais em Feira de Santana. Histórias tristes, felizes e também de muitos recomeços, cheios de carinho e amor.

Com seis cães adotados, a história mais recente que passou pela vida de Nídia foi a da cadela Valentina. Uma cadela Sem Raça Definida (SRD), que foi resgatada em abril de 2017, vítima de atropelamento na Avenida Fraga Maia, em Feira de Santana. A protetora resgatou a cachorra e imediatamente a levou para uma clínica veterinária. Foram feitos vários exames e as radiografias indicaram uma fratura na coluna. O atropelamento deixou sequelas graves e entre elas, o animal perdeu os movimentos dos membros inferiores. Estava paraplégico.

“Eu a vi se arrastando e com muita dor no asfalto. Parei o carro imediatamente. Tinha um rapaz tentando ajudar e me disse que ela havia sido atropelada naquele momento. Enquanto ele tentava pegá-la, bati em algumas casas próximas para ver se era de alguém, porém sem êxito. Um casal veio me ajudar a pegá-la, pois o rapaz não conseguiu (ela o mordeu). Foi bem difícil, porque ela estava arisca (possivelmente por conta da dor, do medo). Conseguimos pegá-la e a levamos imediatamente para uma clínica veterinária. Ainda não sabia a gravidade do caso. Só queria aliviar a dor dela. Mas, a partir daquele momento passei a ser responsável por ela. Não dava para fingir que nada tinha acontecido. Era uma ser indefeso precisando de ajuda”, relembra Nídia.

Em nenhum momento a protetora desistiu da vida da cadela. Ouviu a opinião de vários veterinários e todos disseram que mesmo que fosse feita uma cirurgia, não haveria chance do animal voltar a andar. Uma veterinária até indicou que a cadela fosse sacrificada, pois daria muito trabalho e, na opinião dela, essa talvez fosse a melhor alternativa.

No entanto, para Nídia, sacrificar o animal jamais foi uma ideia que esteve em seus planos. Com todas as dificuldades e negativas de muitas pessoas, ela iniciou o tratamento da cachorrinha, a levou para a sua casa e começou com todos os cuidados.

“Enquanto cuidava dela, com a ajuda da minha mãe, tentei encontrar seu tutor divulgando fotos e o local onde a encontrei. Mas ninguém se manifestou. Na divulgação, não dizia que ela ficou paraplégica. Pensava que essa notícia não deveria ser dada assim. Muitas pessoas entraram em contato interessadas em adotá-la, caso o tutor não aparecesse. Mas quando contava o estado de Valentina, paraplégica, com incontinência urinária e fecal, que precisava de cuidados especiais desistiam da adoção”, relata Nídia.

Adoção Animal

Protetores de animais e voluntários da causa animal em Feira de Santana sabem muito bem como é difícil conviver com a realidade de maus-tratos, abandono de animais e incentivar e realizar campanhas de adoção de cães e gatos.

Mesmo com ampla divulgação e com o fato de que não importa a raça do animal, nem as suas características físicas e que o amor entre humanos e animais é algo a ser conquistado e construído, muitas pessoas ainda preferem recorrer à compra de animais e são inclusive muito seletivas com a adoção de animais sem raças definidas. Um animal paraplégico, que precisa de muitos cuidados especiais, como a cachorra que foi resgatada por Nídia, nesse contexto, teria poucas chances de ter um recomeço feliz.

Mas, ainda sim, conhecendo todas as dificuldades e acreditando que o amor não está nas aparências, a protetora animal resolveu ficar com a cachorra. A batizou com o nome de Valentina e assumiu o compromisso de cuidar e atender na medida do possível às suas necessidades.

Adaptação à cadeira de rodas

Com a nova vida, Valentina já dava bons sinais da sua evolução na recuperação. Começou a se arrastar e a melhorar consideravelmente o quadro de saúde. Buscando melhorar a qualidade de vida da cadela, pesquisando e vendo outras experiências bem sucedidas e parecidas com a história de Valentina, Nídia então decidiu que o próximo passo seria oferecer para a cadela uma cadeira de rodas especial.

“O veterinário Manoel Rosa fez uma cadeirinha de rodas para ela, de cano de PVC. Bastou colocá-la na cadeirinha e ela saiu correndo, como se aquela cadeirinha fizesse parte do seu corpo. Foi muito emocionante. Depois eu descobri um site, cujo responsável confecciona cadeiras de rodas para animais, sob medida. Encomendei a de Valentina e atualmente ela está super adaptada”, explica.

A cadela deficiente vive muito bem com o seu equipamento de locomoção. Consegue, correr, brincar, passear e interage muito bem com outros cachorros. Nídia conta que ela é bem ativa, muito serelepe e desde o primeiro momento que as duas se encontraram, a protetora já sentia que ali iniciava uma linda história de companheirismo e amor.

Nídia com Valentina e os seus cinco cães que também foram adotados.

Nídia é com certeza a melhor amiga de Valentina e embora tenha vários cães, a protetora reconhece que o amor da cadelinha é muito especial. Há muitos cuidados, muitas horas de dedicação, mas o sentimento de gratidão, de fazer o bem é o que move a relação da dupla e faz toda a história valer muito a pena.

“Apesar de todo o trabalho, dos cuidados especiais que ela requer, a cada dia tenho aprendido muito com Valentina. Principalmente o significado do amor desinteressado, sem esperar nada em troca. O dom da paciência; da gratidão, de ser feliz apesar das dificuldades. Com ela aprendo todos os dias que o importante é ser feliz e não perfeito”, finaliza.

Assim como Valentina, há milhares de animais à espera de uma nova chance e de um novo recomeço. De pessoas dispostas a assumirem o compromisso da adoção responsável e de vivenciar o amor e a amizade com um animal. Em Feira de Santana há vários grupos e instituições da causa animal que promovem campanhas de adoção e têm à disposição muitos animais para serem adotados. A Associação Protetora dos Animais de Feira de Santana (APA) é uma dessas organizações e o contato pode ser feito através do email: contato@apafsa.com.br.

Por Rachel Pinto 

Fonte: Acorda Cidade 

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