Casal viaja mais de 80 quilômetros a pé para não deixar cachorros

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Casal viaja mais de 80 quilômetros a pé para não deixar cachorros
Carlos e Renata levaram seis dias percorrendo cidades, distritos e postos de combustíveis para não abandonarem Paçoca e Milady (Foto: Divulgação)

Quem vai de carro de Rio Preto a Votuporanga gasta em média 45 minutos. De ônibus, uma hora e meia. A pé, Carlos Barbato e Renata (Lenon Vinicius de Souza, transexual) levaram seis dias. Com direito a várias paradas em postos de combustíveis na rodovia e em municípios e distritos pelo meio do caminho, eles andaram mais de 80 quilômetros entre a quarta-feira, dia 8, e a terça-feira, 14.

Eles até tinham passagens de ônibus, mas resolveram encarar a estrada para ter a companhia de Paçoca e Milady, seus dois cachorros, que não tiveram o embarque permitido pela empresa de ônibus. Segundo o Art 7º da resolução nº 1.383/06 da Associação Brasileira das Empresas de Transporte (Abrati), o usuário dos serviços de ônibus intermunicipais terá recusado o embarque quando transportar ou pretender embarcar consigo animais domésticos ou silvestres sem o devido acondicionamento ou em desacordo com disposições legais ou regulamentares.

A solução então foi colocar, literalmente, o pé na estrada. Com um carrinho de supermercado, os dois saíram pela manhã com os vira-latas e as malas, rumo à cidade natal de Renata. “Ela ficou desempregada em Rio Preto e quis voltar pra cá com o marido”, conta a prima de Renata, Alexandra. O casal não foi encontrado nesta sexta-feira. A primeira parada do casal foi em Mirassol. “Eles levaram uma garrafa de água e ração para os cachorros. Conforme iam parando, pediam comida e água para eles e para os bichinhos”, disse Alexandra.

Durante o trajeto, toda cidade era ponto de parada para os dois, que se sentiram especialmente acolhidos no distrito de Ecatu. “Lá eles ganharam até um colchão de moradores do local”, contou a prima. O casal passou também por Bálsamo, Tanabi e Cosmorama. Após seis dias de estrada, Carlos e Renata chegaram a Votuporanga e, sem destino, resolveram procurar um abrigo, onde também não foram aceitos com os cachorros. “Eles preferiram ficar em um barracão abandonado aqui no bairro da Boa Vista para não precisar largar os cachorros”, contou Alexandra, que recebe o casal diariamente para dar almoço e oferecer banho.

“Por enquanto eles vêm na minha casa, mas precisam arrumar um emprego e uma casa. Estamos aguardando a Assistência Social e outras ajudas que nos foram prometidas, mas uma coisa a gente sabe: largar os cachorros eles não vão.” Nesta semana, o casal recebeu a visita de uma associação de proteção de animais que ofereceu amparo aos cães e aconselhou os dois a procurar a Secretaria de Desenvolvimento Social da cidade. “O Carlos é padeiro e até o dia 27 ficaram de confirmar um serviço e a Renata está aguardando ser inserida em um projeto da prefeitura, pois o mais importante agora é eles terem um dinheiro para pagar o primeiro aluguel”, explicou Alexandra, que torce para que o casal se ajeite sem abrir mão de Paçoca e Milady.

“Esses cachorros são a alegria deles. Eles comem melhor que os dois. É muito amor e carinho. Prova disso foi o que eles fizeram andando tudo isso para não abandoná-los.” A Expresso Itamarati, que faz transporte entre Rio Preto e Votuporanga, informou que nenhum dos funcionários teve conhecimento do fato nem houve registros. “É oportuno esclarecer que o transporte de animais em veículos de serviço intermunicipal de transporte rodoviário é regulamentado e a empresa segue rigorosamente as normas.”

Fonte: Diário da Região (Colaborou Arthur Avila)

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