Em Laguna, elefante-marinho retorna ao oceano

Depois de passar cinco dias na costa da Praia da Cigana, em Laguna, o elefante-marinho avistado no local e que tinha ferimentos (o que mobilizou e preocupou alguns moradores) retornou ontem ao mar.

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Polícia Militar apreende mais dois animais sofrendo maus-tratos, em Itapema, SC

SC Itapema aves

No dia (19/10) no final da tarde a guarnição do PPT recebeu informação que A. A. de S. possuía objetos roubados e uma arma de fogo em seu terreno localizado na Estrada Geral do Trombudo.

Ao verificar a informação a guarnição não constatou os objetos oriundos do ilícito relatados na denúncia, porém foi encontrada uma quantia de aproximadamente 20 gramas de maconha e duas aves, estas recebendo alimentação inadequada, água suja, gaiola pequena e cortes das asas.

Diante dos fatos, as aves foram recolhidas e entregues à Fundação do Meio Ambiente e elaborado um Termo Circunstanciado por porte de drogas.

Lembrando que os animais que não são tratados adequadamente com alimentação e espaço suficientes nos cativeiros, pode caracterizar o crime de maus tratos previsto no Artigo 32 da Lei 9605 de 12/02/98 com pena de três meses a um ano e multa.

Antes de aprisionar animais procure a Fundação do Meio Ambiente para orientação evitando incorrer em crime.

Fonte: Hora de Bombinhas

3.preto

Muito além dos cinco mil mundos veganos

1.perfilEm entrevista cedida ao Olhar Animal, o “indivíduo não governamental” Fabiu Buena Onda fala sobre alguns envolvimentos em movimento, em busca de autonomia, na forma de projetos e ações reais para promoção de transformações sociais. Buscando oportunizar o despertar da curiosidade, e reconhecimento de diferentes relações, para abrir espaços e semear o poder que cada pessoa tem dentro de si, encorajando-as. Segundo Fabiu, “divisões se esvaem” diante de um posicionamento político fora de padrões, mergulhado em partilhas, camisetas, queijos, hortas, amizades, picnics, cooperativas e bazares veganos, nas relações humanas e não humanas. Autocrítica, empoderamento e participatividade cooperando lado a lado, mostrando a que veio, em outras marés que desprezam competições e desligam TVs, “por um futuro sem classes onde tudo será arte, de viver como iguais”. Desafios maiores por vir, muito além de cinco mil mundos veganos.

Como é a tua relação com a política nesse ano que tivemos eleições?

Não acredito na democracia representativa. A história já mostrou que esse sistema é muito falho, independente de termos meia dúzia ou uma centena de pessoas bem intencionadas. O Congresso sempre foi conservador, pois é resultado de um processo eleitoral no qual o dinheiro manda e condiciona as pessoas. Quem exerce o poder é o grande empresário que financia o poder político. Penso em outras formas de se gerir e lidar com política sem ditadura institucionalizada ou camuflada. De 5 anos pra cá tenho focado minhas energias nisso e sinto uma melhora significativa. Não quero ninguém pra me governar. Voltei às minhas origens, pois quando criança pensava da mesma forma que hoje, com a diferença que antes eu não tinha uma direção tão nítida como tenho atualmente. Nosso cérebro é muito complexo e isso faz com que sejamos menos autônomos. Se já é tão difícil tomarmos conta de nossas próprias vidas, imagina o absurdo que é querer controlar a vida de outras pessoas. A mania de controle é como uma epidemia, precisamos de auto-observação diária. Por que alguém, que não eu, irá dizer e decidir o que é melhor pra mim? Foco na base, nada virá de cima para baixo, até as chuvas se originam dos líquidos presentes aqui embaixo.

Com uma vida simples nossos pensamentos se elevam fazendo com que não almejemos nos tornar superiores. O atual modelo político e urbano é um modelo visivelmente decadente. Se você ainda acredita nesse molde ou em ajustes nesses moldes atuais, saiba que isso sempre existiu, saiba que não há novidade nisso. A novidade nesse sistema desenvolvimentista competitivo e linear tem sido um aumento progressivo na destruição dos recursos e dos seres que habitam nesse planeta, uma linha com começo, meio e fim.

Cooperativas, autogestão, crowdfundings e startups alternativos, horizontalidade, descentralização e empoderamento local, compras e trocas coletivas, brechós, relações sem dinheiro, economia de dádivas, rádio livre, verdurada, arte livre, bicicletada, passe livre, coletores de frutas e materiais descartados, plantio de comestíveis, trocas de sementes crioulas, desbravamento de feiras orgânicas, agrofloresta, terra livre, alimentação viva, ocupações, reforma agrária, PANCs (plantas alimentícias não convencionais), energia livre, reuso das águas, compostagem, danças circulares, parto natural, equidade racial, de gênero e de espécies, miscigenação, LGBTTT e quantos Ts mais for preciso, comunicação não-violenta, círculos restaurativos, software livre, ação direta, luta por direitos universais de animais humanos e não humanos… Tudo isso visa um bem comum, uma abolição da exploração para condições mais igualitárias, menos disparates. Vale muito aproveitar as brechas do sistema. A “legalidade” é criticada em todos esses movimentos alternativos e a progressiva união e reconhecimento entre esses levantes sociais fará possível toda essa transição, pois ninguém é totalmente independente, todxs somos interdependentes e ampliamos nossa autonomia quando nos unimos, nos auto-gerenciando. Ando cumprimentando pessoas pelas ruas, não as tratando como “marginais” por estarem às margens do que hoje chamam de sociedade, uma egrégora se apresenta. Movimentos por justiça social se interligam. Se lutamos contra meia dúzia de pessoas que exploram o povo, então não faz sentido explorarmos os animais não-humanos que somados são infinitamente muito mais indivíduos do que nossa humanidade que os domina por terem um desenho diferente ao nosso, condições diferentes as nossas, sendo que os interesses básicos desses animais são os mesmos de todos nós.

Criticamos o capitalismo, mas vivemos dentro dele, ninguém escapa. Uso banco pra débito, carro pra caronas, o petróleo está em quase tudo, desde o pneu da bicicleta até os tênis velhos que uso, usamos redes sociais… Sinto uma melhora significativa em minhas ações quando hoje me comparo aos anos anteriores. Fui abolindo muitas coisas perante anos atrás, o importante é detectar e caminhar visando pra essas abolições. Algumas pessoas acham que sou livre, mas se enganam, pois ninguém é livre. Minha fama está maior do que eu realmente sou. Eu busco a liberdade e abri mão de muitas coisas. Ainda me sinto como um pássaro de gaiola que ativistas abriram, mas estou atrofiado fisicamente e mentalmente, me descondicionando para poder viver lá fora, tudo é um processo de desconstrução e aprendizado. Muitas coisas são abstratas e precisam ser resolvidas em nossa mente frente às vivências cotidianas. Não há uma “solução pronta”, o caminho nos mostrará, e já está mostrando. Não tenho como fazer diferente, seria hipocrisia demais não ser honesto comigo mesmo, um tortuoso suicídio.

Como anda o projeto popular das camisetas veganas?

Em 55 meses já são 5 mil camisetas produzidas, 5 mil mundos e muitas amizades espontâneas. Tenho tido espaços cedidos pelas feiras veganas, que se multiplicaram, com ajuda voluntária nas mesinhas de ‎pessoas amigas como Fátima Maranhão, Meire Badona e Juliano Grafite. Além disso, 5 dias atrás tivemos mais um ponto de apoio pras camisetas, somatizando 55 pontos que já co-apoiaram esse projeto pelo Brasil.

2.camisetas

Também envio pelos correios em caixas de suco reutilizadas. Nunca pedi comprovante de depósito, pois acredito nas pessoas, e em todos esses anos ninguém faltou com a palavra, não há resposta melhor do que essa vivência. As mídias de massa querem fazer com que as pessoas desconfiem umas nas outras, isso é feito para tentar nos segregar, nos enfraquecer, imobilizar, postergando a pirâmide do poder. Responsabilizar fatos isolados para um todo é desonesto, isso sim é terrorismo, uma anti-cultura de externar o medo.

Por todo esse tempo vivi num mundo paralelo à realidade imposta pelo sistema monetário, que endivida as pessoas gerando escassez. Serão 5 anos sem repassar a inflação nesse meu auto-governo. Esse projeto de distribuir a valor de custo chegará ao fim no meio de 2015, quando completará 5 anos, pois nesse período o valor para produzir uma camiseta ultrapassará o valor unitário distribuído. Ou seja, o projeto popular R$ 9,90 sem fins lucrativos chegará ao fim em si mesmo, impedido pela moeda. Após esse período, distribuirei por outro valor até acabar os estoques. Portanto aproveitem o agora, animalistas! Até lá estimo chegar a 5.555 camisetas produzidas. Acabará na hora certa, pois preciso abrir caminhos para novos projetos e focar meu tempo num espaço físico pra mim.

É um projeto voluntariado feito sem ONG, instituição, empresas ou governo. Descobri que sou uma ING (Indivíduo Não Governamental). Quem sabe o fim desse projeto, a ausência dele, empodere pessoas a iniciar algo do tipo, já que não vi nada parecido até hoje. Até agora só 3 Estados desse país ainda não solicitaram as camisetas (Roraima, Rondônia e Amapá). Será uma honra enviar pra essa trinca antes do projeto terminar, e sinto que isso vai acontecer, pois já mandei até pro Japão.

Novas estampas e projetos por vir?

Recentemente lancei uma com o dizer “Máximo Respeito” focando na temática de algumas relações de opressão e discriminação que podem ser falaciosamente tratadas como opinião. Apesar de entendido socialmente, o racismo ainda continua muito vivo e serve de chamariz para outros temas ainda não tão conhecidos como o sexismo e o especismo, podendo gerar dúvidas a quem for receber a mensagem. Gosto de estimular a inerente curiosidade das pessoas, pois é uma porta espontânea para o conhecimento e reconhecimento das estruturas de dominação que tem a mesma raiz. Ninguém está livre de ter e sofrer preconceitos, mas podemos nos auto-estimular nesse processo e desconstruí-los no dia a dia.

 

Se encontrar pessoas que se dizem “veganas” machistas, elitistas, racistas, homofóbicas, daí não estão sendo veganas, pois ainda não entenderam a amplitude do veganismo, já que todxs somos animais. Quando uma pessoa acha que é ou está vegana, mas não quer reconhecer e internalizar valores libertários, desconstruindo preconceitos, daí é um equívoco do tempo e espaço a qual participa. Para isso, precisamos dispor as informações e comunicar ao invés de acumular conhecimentos, nos sentindo intelectualizados e soberbos, uma armadilha nesse mundo capitalista que estimula competição. A comunicação só se faz quando há uma interação, uma resposta entre as pessoas que interagem, um entendimento. Mídias apenas expressam, não comunicam, não há acordo. Vamos todxs nos comunicando, cooperando, ouvindo. Caminhamos entre a teoria e a ação, entre a racionalidade e a intuição, escorregando, tropeçando, nos levantando…

É comum nos deparar com pessoas veganas tendo atitudes não veganas. Até porque veganismo é movimento em constante processo e todas as pessoas podem rever e mudar pra adentrar ao processo. Não me preocupo com algumas pessoas veganas agressivas, pessoas agressivas existem em todos os lugares. Me preocupo com o veganismo, ou seja, com os animais. Abaixo a veganofobia, misantropia e todo tipo de generalização. Desde criança fomos formatadxs a escolher uma coisa ou outra, a viver uma monocultura de exclusões e isso é feito para nos enfraquecer. Podemos reconhecer para agregar a todas essas mudanças sem achar que para isso precise ser um super-herói, de algo espiritualmente ou intelectualmente elevado e purificado. Pura bobagem.

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Não sou palestrante, mas nesse último ano me convocaram a palavra pra 5 partilhas sobre veganismo, seja relacionado a atividades físicas ou a permacultura. Foi muito bom estar com o pessoal da educação física do Projeto de Práticas Corporais da UFSC e com os hares no Centro Cultural Vrinda de Florianópolis, no Curso de Design em Permacultura de Nova Oikos em Camboriú-SC, com a galera da Agroecologia do coletivo Caaporã em Matinhos-PR e o GEDA no Lar Vegano em São Paulo. São aberturas importantes para integração. Não vejo mérito no que faço, pra mim não é mais que minha obrigação. Quando sou chamado me sinto no dever moral de expor, pois não posso me segurar nessa condição privilegiada que tive em obter informações, refletir e vivenciar as situações. Não adianta eu ter vergonha de ser branco, de classe média, homem e hetero, pois só vergonha não vai mudar a situação das pessoas oprimidas, não vai tirar meus privilégios. Agradeço as hospedagens, abraços e transportes solidários para viabilizar todo esse mutuo aprendizado. Pra 2015 já tem três partilhas em vista sobre Permacultura Vegana, nos PDCs (Curso de Design em Permacultura) do Çarakura em Florianópolis-SC e VelaTropa em Garopaba-SC, e outra pro Morro do São Bento no Projeto Merenda Vegana em Santos-SP. Estou germinando a ideia de uma estampa orgânica sobre Permacultura Vegana, flertando pra esse ano com muito carinho.

Em 2014 quase consegui um espaço físico em Florianópolis, foi por muito pouco, mas a busca continua, ainda mais agora que me sinto muito mais focado nos caminhos a percorrer, e com ideias mais claras em como atingir esses objetivos do sonho que tornei público na matéria da Anda no meio de 2013. Enquanto isso não chega, vou aprendendo pelo caminho nas várias idas e vindas à ilha, em verdadeiras vivências transformadoras, intercâmbios multiétnicos e culturais, amizades e laços vão ficando mais fortes, do jeito que é, sem aceitar a ditadura da economia no desejo de ter acesso a bens e serviços. Lares temporários solidários e espontâneos se multiplicam e muito mais pessoas fantásticas por vir e agregar para co-criarmos o mundo diferente que queremos.

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Nesse mês organizamos um Veganic (picnic vegano) aqui na Lagoa da Conceição onde tivemos em torno de 80 pessoas somadas ao longo do dia, nunca vi tanta gente reunida num picnic. Também tenho orgulho em comunicar o surgimento de um diferente novo projeto na ilha. Criamos uma Cooperativa Vegana, e estamos com uma Tenda Vegana na “Feira Orgânica” de quartas-feiras na UFSC. Libertação Animal e da terra num novo ponto que promoverá a Agroecologia Vegana. Mais do que alimentação artesanal vegana, ao máximo integral, orgânica e acessível. Um ponto real e presencial de ativismo onde pretendemos unir diversas frentes de projetos sociais abolicionistas, disponibilizando informações e trazendo acesso à comunidade, ligando atividades, misturando as “caixinhas” intituladas de faculdades, permaculturando. Um espaço de inclusão vegana, abrindo fronteiras.

Pretendemos viver uma relação diferente da prestação de serviços, para um encontro de igual pra igual, com mais respeito de ambas as partes, revendo as relações de consumo, por uma economia solidária. As críticas são ao industrialismo exacerbado que tentam enfiar no veganismo devida urbanidade, e ao utilitarismo animal arraigado na permacultura. Sem contar num capitalismo que todos os dias tenta engolir o significado dessas duas práticas, com criação de cartéis elitizantes, explorando humanos. Não existe libertação animal sem veganismo, mas o veganismo sozinho não trará a libertação animal. Faz-se preciso abandonar ao máximo industrializados, abolir monocultivos e transgênicos, químicos, consumismo corporativista vertical, competitividade. E qualquer uso utilitário de animais é prejudicial à educação cultural holística. É preciso abolir as ações opressoras unilaterais antropocêntricas. As diversas possibilidades existentes de não forçar e não objetificar animais são boas respostas que trazem mais respeito e harmonia ao planeta. Aproveitaremos pra tornar permacultura e veganismo como um organismo vivo e único.

O amor inclui o respeito, mas o respeito não inclui necessariamente o amor. O mínimo que os animais precisam é de respeito. Não é preciso amar um rato ou um besouro para respeitar a liberdade e integridade de ambos. Promovo o respeito e quem quiser amar que ame.

5.cooperativa

Gratidão a todas as pessoas que co-lutaram e co-apoiaram pra isso se tornar uma realidade nesses últimos 5 dias, nessas 5 semanas, nesses 5 meses, nesses 5 anos, vocês sabem quem vocês são. É só um novo inicio, toda estrutura será montada com o tempo.

E em julho desse ano também realizaremos o 1º Bazar Vegano de Florianópolis. Estou muito feliz com todo esse mundo de possibilidades infinitas.

Como tem sido a experiência com os queijos veganos?

O Vegão é um trabalho autônomo de um ano e meio. É um queijo artesanal sem leite, sem lactose, sem caseína, sem colesterol, sem soja, sem transgênicos, sem enzimas digestivas (coalho de animais mortos), sem pus, sem hormônios, sem antibióticos e sem bezerros mortos. Por não escravizar e nem matar animais acaba deixando um menor impacto sobre o planeta, pois não desvia milhares de grãos e nem milhões de litros de água para produção de sua matéria prima. Por consequência, não deixa toneladas de excrementos, nem gás metano; problemas de todos os laticínios. Pra quem não sabe, em média, para cada Kg dos queijos convencionais são usados 10 litros de leite arrancados das fêmeas, e para manteiga são 40 litros (pro ghee são 60 litros). Tudo isso é plenamente dispensável para a nossa felicidade e sustento nesse planeta, aliás, precisa ser dispensado para tal.

6.queijo

É um queijo vegano feito para todas as pessoas, pois veganismo é para todas as pessoas. É um frio perecível, participei de cinco eventos em 2013 e o dobro em 2014. São inúmeros os eventos surgindo pelo país e isso tende a intensificar, e se espalhar cada vez mais. Essa estória naturalmente faz parte de minha vida, pois sempre fui um viciado em queijos (agora por todos os queijos veganos). Estudei anos sobre o assunto e sei que ainda vou experienciar muito mais na busca pelo “queijo perfeito”. Tem sido gratificante a recepção das pessoas, tanto as que acabam conhecendo veganismo por esse canal quanto as que já são veganas.

Mas sei bem as coisas que não quero, e agora é construir o que estou afim, mesmo que para isso demande mais tempo. Não sou nem serei patrão ou funcionário de ninguém, sem rabo preso ou cortado, pois vegano não quer “engolir sapo”; não usarei isopor para envio a distância, pois não concordo com o uso desse material, hoje isso me limita a uma distribuição local que vem de encontro ao caminho ilimitado que trilho, fora dos padrões comerciais. Quero fazer no meu tempo, pois o tempo vale mais do que o dinheiro, e quem sabe trocar cada espetinho por R$ 5 durante 5 anos de vida desse queijo.

Ainda estou distante do ideal que é conhecer a procedência de toda matéria prima e modo de produção dessa matéria, para uma atuação menos alienada e eticamente mais alinhada, mas passo a passo vamos chegando. Estou sentindo o caminho no caminhar, sem atropelar ou dar passos maiores do que a perna.

Gostaria de deixar mais alguma mensagem sobre veganismo?

Veganismo não é dieta, veganismo não é um estilo de vida. Ninguém que defende os direitos humanos diz “esse é meu estilo de vida”, então por que defender os animais deveria ser definido como “lifestyle”? Veganismo é colocar em prática os direitos animais. É uma busca diária, constante, por evitar ao máximo a exploração animal. É incluir os animais na consideração moral.

Veganismo também não significa que é tudo do reino não-animal. Veganismo é além. Vou citar alguns exemplos: Uma empresa que escraviza pessoas mesmo vendendo apenas coisas de origem vegetal; Uma plantação que explora animais na “mão de obra”; Deserto verde das monoculturas e transgênicos, não importa a quem for destinado, afeta diretamente animais humanos e não-humanos; Agrotóxicos, venenos pra nós e para os não-humanos; Indústrias químicas poluentes que afetam a vida geral de humanos e não humanos; Testes em animais, entre outras coisas. Portanto veganismo não é apenas sinônimo direto de “coisas de origem vegetal”. Há de se considerar e lutar por todos os animais, já que é esse o propósito. Ser vegano não é dizer que está livre de tudo isso. É dizer que não quer isso. Desbravar, se acionar, reivindicar, desconstruir, replanejar, buscar, mover-se. Não tem nada “pronto”. Veganismo é movimento.

Mas de nada adianta o nosso conhecimento se não exercitamos a sabedoria diariamente, e ninguém escapa disso. Pensamento positivo é pensamento crítico. É como li de Saramago sobre não tentar convencer ninguém, pois o trabalho de convencer é uma falta de respeito, é uma tentativa de colonização do outro. Não conscientizamos ninguém, apenas damos elementos para que as pessoas possam tomar decisões éticas.

Você diz que “convencer” é “um desrespeito, uma tentativa de colonização do outro”. Adotou esta filosofia. Não terá sido você persuadido pelo Saramarago (não diretamente, claro, mas em função da exposição de ideias dele)? Isto, de “não convencer”, não é um pensamento auto-refutante?

Não fui convencido por Saramago, pois já era algo que eu sentia antes de ler essa citação dele, que só reforçou minha opinião perante observações nas vivencias cotidianas. Relativismos a parte, não sei se é auto-refutante pois imagino que quase tudo possa ser, de certa forma, refutado, porém prefiro deixar pra que as pessoas sintam sobre essa questão levantada, ao invés de que pareça que eu esteja aqui no propósito de convencê-las de tal.

Quando você manifesta uma ideia, não está buscando persuadir alguém, ainda que de forma passiva? Se não, para que manifestá-la? Você não crê que é inerente ao ativismo a ação de persuasão? O problema é com o termo “convencer”? O “vencer” de “convencer” não tem mais a ver com “vencer resistências ideológicas” do que com “vencer o outro indivíduo”, no sentido de subjugá-lo? Ao se abster de tentar “convencer” alguém a não provocar danos a outros seres, você não está automaticamente colaborando para que a situação permaneça e as vítimas continuem a sofrer a ação do “não convencido”? Acha que seria um desrespeito buscar persuadir um criminoso a não cometer um crime? Um estuprador, por exemplo? Enfim, a questão é mesmo convencer ou é a forma como se faz isso?

A persuasão ocorre na vida como um todo e no ativismo não seria diferente, ainda mais quando são propostas de mudanças. As formas podem fazer toda diferença, o termo convencer pode ser tanto para subjugar indivíduos quanto uma tentativa de mudar resistências ideológicas, mas o que somos e vivemos é o que acaba sendo manifestado, assistido. A motivação principal vem no ser, e a apresentação é consequência desse ser, por isso não acho que esteja conscientemente colaborando para certas situações violentas que não fazem parte do exemplo vivido por meu individuo, e das violências que não cometo mais.

Quando estou centrado, antes de pensar em persuadir algo, acho importante estudar o porquê desse algo e trabalhar nesses porquês, mas em situações limite de violência como um presencial estupro, não vejo espaço no tempo a não ser com uma ação direta para evitá-lo.

Agradeço a paciência do Olhar Animal em aguentar meu atraso de 5 meses pra expor essa matéria solicitada, mas só agora tive tempo de sentar com calma e escrever algumas considerações. Gratidão a paciência de quem leu essa longa entrevista em tempos de 140 caracteres.

Não sou dono nem proprietário de nada do que falei. Tudo está lançado ao mundo para cópia livre, sem assinatura. Faça você mesmx! Você pode fazer muito melhor do que eu. Tenha certeza disso, muito além.

Nota do Olhar Animal: Entrevista concedida por e-mail.