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Maus-tratos a cães são confirmados em canil clandestino no Jardim Botânico em Brasília, DF

Perícia criminal apontou que os animais viviam enjaulados e sem higiene.

Por Manuela Rolim

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Maltratados supostamente há muitos anos, cães de um canil clandestino no Condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico, ganharam, ontem, a liberdade. De acordo com o Conselho Regional de Medicina Veterinária do DF (CRMV), eles viviam enjaulados e sem cuidados. Por volta das 20h,  todos os 81 animais, entre machos, fêmeas e filhotes, número divulgado pela Delegacia Especial do Meio Ambiente (Dema), foram retirados da casa onde funcionava o negócio, após uma força-tarefa de quem ficou comovido com a história. Testemunhas afirmaram que o canil funcionava há, pelo menos, quatro anos. 

Após denúncia, agentes da Dema e veterinários do CRMV visitaram o local pela manhã. A  Agência de Fiscalização (Agefis), inclusive, chegou a interditar o local. No entanto, apenas no fim da tarde, o resultado da perícia criminal confirmou maus-tratos, supostamente por parte da proprietária, a aposentada Edmê Maria de Oliveira, 73 anos, segundo o conselho. Após o laudo, ela foi encaminhada para a delegacia, onde assinou um termo circunstanciado e foi liberada.

Lares temporários

“Agora, os cães ficarão sob a responsabilidade de uma depositária fiel em lares temporários  até a decisão judicial, que vai definir se eles voltam para o canil ou não. Enquanto isso, nenhum animal pode ser vendido ou doado durante 90 dias. Esse prazo pode renovado”, explicou o delegado-chefe da Dema,  Ivan Francisco Dantas. 

Segundo ele, há muitas reclamações dos vizinhos no condomínio, mas não havia nenhuma denúncia na delegacia até o momento. “Quando chegamos ao local, constatamos que os animais viviam em situações precárias, enjaulados e com condições de higiene inadequadas. A própria autora declarou não ter autorização dos órgãos ambientais competentes para o funcionamento do canil, mas negou os maus-tratos”, completou. 

A aposentada foi autuada em flagrante por maus-tratos a animais e poderá pegar de três meses a um ano de reclusão. “Durante o depoimento, ela garantiu que vai entrar com um pedido para restituir os cães. No entanto, apenas o juiz poderá determinar isso”, concluiu Dantas.

Bichos mutilados e dispensados

Segundo a coordenadora técnica do Conselho Regional de Medicina Veterinária do DF (CRMV), Simone Gonçalves, que acompanhou a perícia criminal, o cenário é lamentável. “O espaço não comporta a quantidade de animais. Não é à toa que eles estavam muito estressados e agitados. Além disso, alguns apresentavam lesões, outros sequer tinham pelos”, afirmou.

Simone aproveitou o caso para alertar a população. “As pessoas costumam achar que apenas agressão física caracteriza maus-tratos. Na verdade, qualquer situação que não prioriza o bem-estar animal é errada”, acrescentou. Mais do que isso, ela ressaltou a importância de se adquirir um animal de estimação em ambientes seguros. “As famílias precisam pesquisar canis cadastrados no CRMV. Esses estabelecimentos possuem responsáveis técnicos, ou seja, médicos veterinários que vão fazer a avaliação e a fiscalização do ambiente”, concluiu. 

A veterinária Paula Galvão Teixeira explicou que, além de tudo, alguns cães da mesma família estavam amontoados em pequenas baias de concreto e arame. Como resultado, o cruzamento desses animais acabou gerando filhotes deformados, sem patas ou olhos, como se os pequenos cães tivessem sido mutilados. Os que não serviam para a venda, eram dispensados.

Vendidos por até R$ 7 mil cada

Os filhotes eram encaminhados às feiras da cidade, onde eram comercializados por até R$ 7 mil, confirmou o delegado-chefe da Dema, Ivan Francisco Dantas. O canil era registrado no Kennel Clube, o que deixava muitos clientes confiantes. Entre as raças encontradas no condomínio estão Maltês, Yorkshire, Lulu da Pomerânia, West Terrier e Shih-tzu.

Segundo a administradora da ONG SRD Proteção de Animais, Catiucia Ferro, que acompanhou a ação da polícia desde cedo, o ambiente é insalubre. “Os animais não têm acompanhamento veterinário, as fêmeas dão cria uma atrás da outra, e o cheiro no local é insuportável”, acrescentou.

 De acordo com ela, a proprietária assumiu que deixou de criar a raça Pug, pois não gerava lucro. “De fato, era um comércio, e os cães eram tratados como objetos. Os Pugs exigem mais cuidado, por isso, ela deixou de criá-los. Eles têm o focinho muito pequeno, o que dificulta a amamentação”, concluiu Catiucia Ferro.

Fonte: Jornal de Brasília

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Fábrica de filhotes de cachorros e de maus-tratos funciona em área nobre de Brasília

Canil do Jardim Botânico está na mira de grupos protetores de animais. Eles denunciam que os animais são criados em gaiolas, sem higiene e que cães deformados são “descartados”.

Por Carlos Carone

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Os latidos são ouvidos antes que o portão de ferro seja aberto. À primeira vista, a casa ainda inacabada parece comum, como qualquer outra erguida nos condomínios fechados do Jardim Botânico, em terrenos onde cachorros correm pelos gramados ou guardam o patrimônio de seus tutores. No entanto, escondidos nos fundos do lote, cães estão confinados em gaiolas, na escuridão, sujos e sem cuidados, vítimas de maus-tratos. Eles estão em um canil onde a produção em massa de filhotes de raça faz o negócio prosperar. O espaço, batizado de Solar de Brasília, é registrado no Kennel Clube, e está na mira de grupos protetores de animais.

Agentes da Delegacia de Meio Ambiente (Dema) chegaram ao local no início da tarde desta segunda-feira (21/12) para apurar as denúncias. A Agência de Fiscalização (Agefis) também interditou o canil.

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Segundo as denúncias, o cheiro forte das fezes e urina que se acumulam debaixo das gaiolas. A criação dá lugar a um teste de sobrevivência. Os que morrem ou adoecem são descartados, jogados fora, segundo acusam os defensores dos animais. Sem controle, o local se tornou uma “fábrica de filhotes”.

Dezenas de cães da mesma família acabam amontoados em pequenas baias de concreto e arame, conforme revelam as imagens. Como resultado, o cruzamento destes animais acaba gerando filhotes deformados, sem patas ou olhos. Como se os pequenos cães tivessem sido mutilados, acusam os grupos protetores de animais. Os que não servem para a venda, são dispensados.

Assista ao vídeo da denúncia contra o canil:

Os que se salvam são “escoados”, como se diz na gíria dos vendedores. Feiras livres, como a que ocorre todo fim de semana na Feira dos Importados, são usadas como canal para vender os animais. Quem passa pelo estacionamento quando os cães estão expostos sequer imagina o que há por trás deste comércio. Perfumados e devidamente penteados, os filhotes passam por uma transformação para serem vendidos. Mas a ilusão acaba dias depois. Doentes e com o sistema imunológico enfraquecido, acabam morrendo.

Aprisionados

A água suja e a escassez de comida transformam a sobrevivência dos cães em um golpe de sorte. As doenças provocadas pelo excesso de moscas e carrapatos reduzem – ainda mais – a chance de sobrevivência. Cômodos da casa onde funciona o canil servem como ambientes de confinamento. Existem filhotes dentro de caixas de papelão e gaiolas espalhados por todos os cantos. O Metrópoles esteve no local. Em um período de uma hora, a reportagem contou 115 animais, entre adultos e filhotes.

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Nem os banheiros da residência deixam de abrigar os animais. Em um deles, uma caixa com filhotes permanecia ao lado de um vaso sanitário. Praticamente nascidos e sobrevivendo dentro das gaiolas, as patas dos bichos ficam deformadas por conta dos arames em que são obrigados a pisar até serem vendidos.

Pelo menos oito baias de concreto foram construídas nos fundos do terreno. Até oito cães dividem os espaço com cerca de três metros quadrados. Algumas das estruturas não possuem coberturas. Os animais ficam sob sol e chuva, sem proteção qualquer proteção.

Só o lucro importa

O canil funciona em uma residência do condomínio Solar de Brasília, nome que batiza o negócio. Possui uma estrutura precária para manter cães adultos e filhotes de raças nobres. Alguns chegam a custar R$ 6 mil, como é o caso de uma fêmea de Buldogue Inglês. Ela vive em um dos cubículos de concreto cercado por telas erguida nos fundos do quintal. Ela divide a baia com outros cães de pequeno porte.

A dona do canil, uma mulher de 70 anos, fala dos animais como mercadorias. No local, o dinheiro fala mais alto, não importa a procedência de quem compra os bichos. “Aqui é tudo à vista. Mesmo os cães que não estão à venda têm um preço. Aquele ali é raro, vendo por R$ 2,2 mil”, disse a mulher, apontando para uma fêmea da raça Shih Tzu de cor chocolate e focinho vermelho – características raras de serem encontradas na raça.

A proprietária se gaba de ser uma das poucas criadoras da raça West Highland White Terrier no DF. Os filhotes são vendidos por R$ 2,2 mil. “Esse não existe em Goiânia, por exemplo. Pessoas viajam até aqui para comprar”, conta.

Durante o tempo em que a reportagem passou no local, foi possível ver uma série de raças de alto padrão, consideradas caras no mercado de animais de estimação. Eram adultos e filhotes de Maltês, York Shire, Lulu da Palmerânia, além de West Highland White Terrier e Shih Tzu. Todos cães vendidos por valores entre R$ 1,5 mil e R$ 6 mil.

Marcas profundas

O canil foi denunciado por um grupo de protetores de animais que costuma resgatar cães vítimas de maus-tratos ou que são simplesmente abandonados. A mulher, que pediu para não se identificar, conta que os filhotes nascidos em canis como este carregam marcas para toda a vida. Isso quando conseguem sobreviver.

Como resultado da ação destes canis, temos animais frágeis, com problemas neurológicos, oculares e doenças sanguíneas. São cães que mal conseguem andar, que jamais tiveram a chance de pisar em uma grama ou tiveram contato saudável com humanos.”

Integrante de grupo de proteção dos animais

De acordo com a diretora-geral do ProAnima, Simone de Lima, canis como o do Solar de Brasília apostam em raças pequenas e sofisticadas. São animais com um custo benefício maior porque comem pouco e custam caro. Mesmo assim, os cães sofrem maus-tratos para aumentar a margem de lucro dos ditos criadores.

“Toda falta de cuidados resulta em animais com problemas, que poderão apresentar desvios comportamentais e irão exigir um cuidado veterinário muito maior do que a pessoa que o comprou estaria disposta a dar. E, então, após a compra, é bem provável que o animal continue a ter suas necessidades ignoradas, seja abandonado, enviado para um abrigo ou sacrificado”, explica.

O Metrópoles ligou para a proprietária do canil para repercutir com ela as denúncias, mas ela não atendeu as ligações. Em um dos celulares foi deixado recado na Caixa Postal.

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Fonte: Metrópoles 

Nota do Olhar Animal: Quem compra animais trata-os da mesma forma que quem os vende: como coisas, por os considerarem passiveis de serem mercantilizados. Quem compra é cúmplice desta atividade que tantos danos traz aos animais. Do ponto de vista ético, não há que “separar o joio do trigo”, como gostam de dizer os criadores. Todos são joio, criadores e compradores, por perpetuarem a exploração, por desconsiderarem os interesses dos animais. Veja os danos causado pela criação de cães “de raça” no artigo ‘Você faz questão de um cão de raça? pense duas vezes…‘ 

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A crueldade das fábricas de filhotes

Para aumentarem seus lucros, criadores de cães submetem matrizes a maus-tratos e comprometem a saúde dos filhotes, vendidos pela internet e em pet shops.

Por Kalleo Coura

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Parados diante de um cortiço em Diadema, na região do ABC paulista, policiais e agentes da prefeitura tiveram de esperar vários minutos antes que um casal finalmente atendesse à porta. Informados de que se tratava de uma fiscalização provocada por denúncia de maus-­tratos em animais, o homem e a mulher conduziram o grupo a um cômodo de menos de 10 metros quadrados, fétido e sem janelas, onde estavam presos quatro cães, incluindo um casal de chow-chows. Disseram que era tudo que havia ali.

Pouco depois, no entanto, os fiscais ouviram um ganido. Guiados pelo som, subiram uma escada e depararam com mais de vinte cachorros amontoados em um quartinho. Filhotes de shih tzu e chow­-chow encontravam-se confinados em gaiolas sem água e cobertos de ração misturada a fezes. Os animais adultos, soltos pelo cômodo, estavam com aspecto ainda pior – muitos apresentavam dermatite, inflamação da pele provocada pela falta de higiene. Uma cadela da raça chow-chow tinha a epiderme repleta de fungos.

A batida só aconteceu por causa de uma denúncia feita semanas antes. Em 28 de abril, a designer gráfica Andrea Pignatari comprou pela internet um filhote de shih tzu, pelo qual pagou 750 reais. Um dia após a chegada de Pepito, ela percebeu que ele estava infestado de carrapatos e pulgas. Fraco, o filhote mal comia. De seus olhos escorria uma secreção. O veterinário receitou alguns remédios, mas o cachorro não melhorava. Duas semanas depois, Pepito começou a tossir e vomitar. Durante cinco dias ininterruptos, Andrea levou-o ao veterinário. No quinto dia, esperava a ligação do médico para saber o resultado de uma bateria de exames quando recebeu a notícia de que Pepito tinha morrido – de cinomose, uma doença contagiosa evitável com vacina. “Já me havia apegado a ele”, diz Andrea. Ela contraiu dívidas para pagar os mais de 3 000 reais de despesas com remédios e veterinário.

Não se trata de um caso isolado. Neste ano, agentes de fiscalização resgataram animais em condições semelhantes em ao menos cinco estados – Bahia, Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. Na região metropolitana de Curitiba, onde a fiscalização de criadouros é mais frequente, quatro das últimas cinco inspeções detectaram problemas graves. Na mais recente (assim como na de Diadema, acompanhada por VEJA), mais da metade dos 146 cães de raças diversas criados no local apresentava doenças de pele. Dois em cada dez estavam subnutridos e em dezesseis das 22 baias avaliadas pela fiscalização foi constatada a ocorrência de maus-tratos. Eram cães de raças como pug, spitz-alemão, poodle, yorkshire, beagle, maltês e pinscher.

Os flagrantes realizados até agora mostram que se dissemina no Brasil uma versão local de um mal que vem sendo combatido há alguns anos nos Estados Unidos e na Europa – as chamadas puppy mills, ou, numa tradução livre, fábricas de filhotes. São criadouros clandestinos ou não fiscalizados em que os cachorros – sobretudo os adultos, criados não para ser vendidos, mas para reproduzir-se e dar lucro – vivem em condições insalubres e são forçados a procriar no limite de suas forças. Entidades dos Estados Unidos estimam em mais de 10 000 o número de puppy mills existentes naquele país.

Desde 2008, ao menos catorze estados aprovaram leis que exigem licenças especiais e fiscalização periódica para coibir os maus-tratos em criadouros voltados para a venda de filhotes. Algumas cidades tomaram medidas mais radicais. Em Phoenix, no Arizona, por exemplo, a corrente de protetores de animais que defendem a proibição da comercialização de animais de estimação conseguiu uma vitória: proibir que pet shops vendam animais vindos de criadouros. As lojas só podem oferecer filhotes originários de abrigos – ou seja, que foram recolhidos nas ruas ou abandonados por seus donos.

Na Europa, é em países do leste, como Polônia, Romênia, Hungria e Lituânia, que se localiza a maioria dos criadouros clandestinos. Um filhote que custa 100 euros nesses lugares, onde a fiscalização praticamente inexiste, pode ser revendido por um preço até dez vezes maior em países mais ricos, como Alemanha e França. No Reino Unido, o número de animais contrabandeados do Leste Europeu subiu de 2 000 para 12 000 entre 2011 e 2013.

No Brasil, a lei exige que todo criadouro comercial tenha uma licença e um veterinário responsável. Na prática, porém, a maioria trabalha sem uma coisa nem outra. Órgãos oficiais especializados no combate aos maus­-tratos em animais costumam lidar com casos isolados – como o do vizinho que denuncia o outro por tratar seu animal com crueldade, por exemplo. Em São Paulo, a Divisão de Investigação sobre Infrações de Maus-Tratos a Animais e Demais Crimes contra o Meio Ambiente, da Polícia Civil, não tem nenhuma investigação em andamento sobre problemas em criadouros.

O fenômeno das puppy mills chegou ao Brasil no rastro da expansão do mercado pet, que cresceu três vezes mais que a economia na última década. Mesmo neste ano, com o esperado recuo de mais de 3% no PIB, o segmento deve expandir-se até 7%. Se a previsão da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação se confirmar, a proporção de cães de estimação por habitante no país, hoje de um para quatro, será de um para três em cinco anos – superior à dos Estados Unidos (um para quatro habitantes), à do México (um para cinco) e à do Japão (um para doze).

O aumento do mercado pet na última década também provocou um crescimento no número de raças no país – 33 delas surgiram nos últimos dez anos – para um total de 177. Houve ainda uma mudança significativa na predileção dos compradores. O pequinês e o dálmata, as raças favoritas de anos atrás, foram ultrapassados pelo buldogue-francês e pelo spitz-alemão-anão, os xodós do momento.

A hoje cambaleante classe C foi fundamental para alavancar esse mercado. Muitos dos brasileiros que ascenderam à classe média, e que até a chegada da crise econômica tinham adquirido um plano de saúde e colocado o filho na escola particular, passaram a querer também um cachorrinho de raça. Isso levou a um aumento da demanda, mas os altos preços das pet shops mais sofisticadas – onde um filhote pode custar mais de 10 000 reais – empurraram parte da clientela para a internet, em busca de barganhas.

Num único site de classificados é possível achar milhares de ofertas de pets. O problema é que, quando a compra é feita dessa maneira, torna-se mais difícil saber a procedência do animal e a qualidade do criadouro de origem. Uma pesquisa realizada por um clube de criadores britânicos mostrou que um em cada cinco filhotes comprados pela internet morre antes de atingir os 6 meses e outros 12% desenvolvem doenças graves. Já entre os que são comprados diretamente de um criador, 94% são saudáveis.

Os bons e os maus criadores de cães podem ser identificados antes mesmo do nascimento de um filhote. Os melhores profissionais gastam pesado na compra de matrizes e padreadores – os casais que darão origem à linhagem. Investem ainda na aplicação de testes genéticos destinados a manter a pureza da linhagem e em alimentação e medicamentos de qualidade. Já os aventureiros estão mais preocupados com o tamanho da ninhada e a quantidade de reproduções que podem obter de uma matriz. Especialistas em procriação animal consideram que uma cadela deve cruzar no máximo a cada dois cios. Trata-se de uma regra comumente desrespeitada por criadores não profissionais. O cruzamento de uma cadela a cada cio debilita o animal e reduz a sua resistência imunológica – daí a frequência de inflamações e infecções, principalmente de mama e útero, que afetam também a saúde dos filhotes. Afirma o presidente da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Legal, Sérvio Túlio Reis: “Esse tipo irresponsável de produtor está interessado apenas em produzir filhotes de raças que estejam em alta e ganhar o máximo de dinheiro com isso. O comprador não faz ideia do que acontece nos bastidores”.

A diferença de cuidados reflete-se no preço. Enquanto um buldogue-francês de um canil que obedece aos procedimentos obrigatórios pode custar 8 000 reais, um filhote da mesma raça e idade é anunciado em média por 2 800 reais na internet. Da mesma forma, o spitz­-alemão-anão, que chega a 15 000 reais num canil especializado, nos classificados on-line é oferecido por 3 000 reais. A venda por sites não é sinônimo de problemas, mas diferenças brutais de preço podem ser um indicativo da falta de qualidade dos criadouros. E maus produtores também abastecem pet shops, afirmam especialistas. O canil fechado no Paraná, que aparece no começo desta reportagem, vendia filhotes pela internet a todo o país e os fornecia a uma pet shop local – o que significa que aquele cãozinho encantador visto nas lojas, penteadinho e com laço de fita no pescoço, pode ter passado por maus bocados antes de chegar à vitrine.

Fonte: Veja 

Nota do Olhar Animal: Quem compra animais trata-os da mesma forma que quem os vende: como coisas, por os considerarem passiveis de serem mercantilizados. Neste aspecto, quem sofre um “golpe comercial” não é vítima e sim cúmplice. Cúmplice desta atividade que tantos danos traz aos animais. Do ponto de vista ético, não há que “separar o joio do trigo”, como gostam de dizer os criadores. Todos são joio, criadores e compradores, por perpetuarem a exploração, por desconsiderarem os interesses dos animais. 

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Comércio de animais no Mercado Central, em BH, é alvo de protesto de ativistas

Vestidos com fantasias de cachorro, gato e passarinho, manifestantes tentaram conscientizar clientes do estabelecimento sobre a situação de maus-tratos dos bichos.

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Um grupo de ativista manifestou por cerca de quatro horas em frente uma das portarias do Mercado Central, no Centro de Belo Horizonte, contra a venda de animais no local. Esse não é o primeiro ato de integrantes de movimentos de proteção dos bichos na capital no local. No ano passado, durante a Copa do Mundo, ele fizeram intensa campanha de conscientização contra esse comércio no mercado.

MG bh protesto20151128191447165075uAdriana Araújo, uma das manifestantes, explicou que há pelo menos seis situações que justificam a proibição de venda de animais no Mercado Central: risco à saúde pública; maus-tratos aos animais; descumprimento de legislação; desrespeito ao direito do consumidor; exposição de trabalhadores a doenças zoonóticas e comprometimento da imagem do mercado. O grupo colheu assinatura para encaminhar ofício ao prefeito Marcio Lacerda, pedindo o fim dessa atividade comercial no local.

De acordo com Adriana, cerca de 20 espécies de animais são comercializadas no estabelecimento. “Esses animais estão próximos a barracas que vendem alimentos, como queijos, e isso é incompatível do ponto de vista sanitário, com risco à saúde pública”, destacou. A ativista lembrou a Lei municipal 7852/1999, que proíbe a entrada de pessoas com animais em mercados e similares.

Ainda, de acordo com ela, o acondicionamento e exposição dos animais na área do mercado destinada à atividade fere a Resolução 1069/2014 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Adriana denuncia que os bichos sofrem maus-tratos, já que ficam exposto em local de grande movimento de pessoas. “Para os filhotes, o toque de crianças não faz bem. O barulho no local resulta em estresse. Quando alguém compra um animal de estimação no mercado, está levando uma espécie com risco de doença, o que contraria as relações de consumo”, afirmou.

Durante o protesto, os cerca de 100 participantes exibiram faixas, cartazes e vestiram fantasias de cachorro, gato e passarinho. Com uso de um megafone e apitos eles tentavam conscientizar as pessoas para que não comprassem os animais no mercado. Motoristas e passageiros que circulavam nas vias próximas apoiaram o protesto, muitos deles promovendo um buzinaço. A administração do estabelecimento foi procurada, mas a telefonista disse que somente na segunda-feira o setor volta a funcionar.

Fonte: Estado de Minas

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Os terríveis segredos por trás da indústria de criação de cavalos “puro-sangue”

Por Karyn Boswell / Tradução Alice Wehrle Gomide

Em um dia de verão no final de agosto, nos EUA, um cavalo puro-sangue de quatro anos de idade se achava nos lotados cercados da Casa de Leilão New Holland, em Pennsylvania – uma casa de leilão bem conhecida frequentada pelos mais baixos compradores assassinos. Junto de muitos outros cavalos abandonados por seus antigos tutores e descartados como lixo, ele esperou. Sendo um cavalo que já valeu U$ 300.000 no seu primeiro ano de vida, a etiqueta do seu preço agora era comparada somente pelo seu valor em carne. Só há um destino para a maioria dos cavalos nesta situação – uma viagem a um matadouro no Canadá.

Para Grand Strand, um final feliz estava bem próximo graças a um número de dedicados ativistas que bravamente deram um lance maior do que o comprador matador e o compraram por apenas U$ 950, e deram a ele uma segunda chance na vida. A história de Grand Strand é comum entre a indústria dos puros-sangues e um lembrete da triste verdade por trás dos ex-cavalos de corrida não mais desejados.

A indústria dos cavalos puro-sangue

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A indústria dos puros-sangues nos Estados Unidos é uma indústria obscura, manchada pela decepção e mentira. Milhares de cavalos são feridos todos os anos, alguns fatalmente, pelo simples propósito do entretenimento e do “esporte”. Cavalos criados para corridas são forçados a aguentar métodos rigorosos de treinamento, drogados para diminuir a dor, abusados, levados ao extremo e, no final, descartados na fila do matadouro quando não dão mais lucro. É uma triste indústria guiada pela ganância.

Voltamos a 2013 e um cavalo chamado Backstreet Bully. Assim como Grand Strand, ele era um cavalo de quatro anos fora das corridas, originalmente propriedade e criado por Adena Springs, uma fazenda de criação de puro-sangue, e também um líder no movimento para encontrar novas profissões para os cavalos de corrida aposentados.

Em algum lugar no meio do caminho, as coisas se tornaram terríveis para Backstreet Bully, e ele se encontrou no cercado da casa de leilão, destinado ao matadouro pela sua carne. Apesar das repetidas tentativas de salvá-lo, o comprador matador deu um lance maior e também não concordou em vender o jovem cavalo. Ele tinha sido erroneamente designado como um cavalo “somente para carne” apesar de seu passado no mundo das corridas. Seus registros de medicamentos claramente indicavam que sua carne não era apropriada para consumo humano devido à alta presença de medicamentos. A prova inegável foi simplesmente ignorada pelo comprador, assim como pelos veterinários da Agência Canadense de Inspeção dos Alimentos que trabalhavam no matadouro.

Todos esses esforços não conseguiram impedir o comprador matador de encher sua carga de cavalos com destino ao matadouro naquele dia. Em janeiro de 2013, Backstreet Bully foi morto no matadouro em Quebec, no Canadá, apesar de todos os gritos e protestos. Para um cavalo com tanta vida e potencial pela frente, sua história nunca será esquecida e é um severo lembrete de como os cavalos são maltratados na sociedade. Ainda bem que para Grand Strand, sua vida foi salva no último momento.

O resgate de Grand Strand

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Mindy Lovell, do Transition Thoroughbreds, um lugar dedicado a resgatar, reabilitar e encontrar novos lares para cavalos fora das corridas, localizado em Ontário, no Canadá, é a principal interveniente no mundo do resgate de cavalos, e foi responsável por salvar muitos cavalos fora das corridas ao longo dos anos. Naquele dia de agosto, ela foi contatada a respeito do cavalo de quatro anos de idade que estava prestes a entrar no palco da casa de leilão em New Holland.

Tendo como base nada mais do que a tatuagem no lábio, Lovell rapidamente conseguiu identificar o cavalo como Grand Strand – um cavalo com uma linhagem magnífica. Os planos foram rapidamente colocados em ação por Lovell e seu contato de New Holland para dar um lance maior do que o comprador. Elas tiverem sucesso e, por U$ 950, a vida de Grand Strand foi salva.

Ele logo fará a viagem para o Canadá para seu novo lar em Transition Thoroughbreds – uma vida livre de tormentos e repleta de promessas. Generosamente, todo o custo do resgate e transporte será coberto pelo seu antigo treinador, ao qual havia sido dito que Grand Strand tinha ido morar em um local respeitável. Ele claramente tinha sido enganado. Criação impecável e linhagem de primeira não são suficientes para evitar que um cavalo encontre seu caminho para um matadouro – um destino mais do que comum para milhares de ex-cavalos de corrida a cada ano.

Como você pode ajudar

As histórias de Backstreet Bully e Grand Strand correm em paralelo – ambos foram criados para uma vida de corridas e ambos foram cruelmente descartados na fila do matadouro sem ninguém nem olhar para trás. Grand Strand foi um dos animais sortudos, salvo de um fim terrível graças a indivíduos gentis e compassivos. Ele não foi o primeiro e nem será o último. Entretanto, você pode ajudar.

Não apoie a indústria das corridas de cavalos de forma alguma. Eduque a si mesmo e aos outros sobre o tratamento dos cavalos usados para fins de entretenimento. Apoie seus santuários e protetores locais. E, se puder, vá a um leilão e ajude a salvar os cavalos não mais desejados antes que eles terminem nas mãos de um comprador matador e acabem no matadouro.

“A ideia de que algumas vidas importam menos do que outras é a raiz de tudo que está errado com o mundo.” – Dr. Paul Farmer

Fonte: One Green Planet

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EUA: Beverly Hills proíbe venda de cães de criadores

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Em um dos bairros mais elitizados do mundo, a venda de cãezinhos de criadores não é mais permitida.

Beverly Hills, Los Angeles, nos EUA, aprovou decreto que proíbe a venda de lojas de animais de companhia, a menos que sejam de abrigos.

A portaria entrará em vigor em setembro de 2015.

Beverly Hills se junta a mais de 80 outras jurisdições ao redor do EUA e Canadá que têm leis semelhantes no lugar.

Fonte: R7 

Nota do Olhar Animal: Medida no mínimo contraditória: proíbe-se a venda de animais oriundos de criadores, mas permite-se a VENDA de animais de ABRIGOS. Ou seja, perpetuam a ideia de que animais são coisas, passíveis de serem compradas e vendidas. 

EUA: Conselho de Encinitas vota para proibir a venda de animais das “fábricas de filhotes”

Conselho de Encinitas vota para proibir a venda de animais das “fábricas de filhotes”.

Por Barbara Henry / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Encinitas, uma cidade dos EUA que está começando a se construir como a “cidade mais amiga dos animais” dentro de todas as cidades amigas dos animais do Condado de San Diego, se tornará a mais recente comunidade a banir a venda de cães e gatos produzidos por criadores comerciais – um comércio referido pelos críticos como “fábricas de filhotes”.

Na última quarta-feira (24), o Conselho da Cidade de Encinitas votou por 4 a 0, com o deputado Mark Muir ausente, para adotar um decreto tornando ilegal a venda ou exibição de cães e gatos em pet-shops, a não ser que esses animais venham de um abrigo ou de alguma ONG protetora de animais.

Isso torna Encinitas a quarta cidade do Condado de San Diego a apoiar uma proibição às vendas. Chula Vista, Oceanside e San Diego já tomaram essa atitude, como cerca de 80 outras cidades ao redor dos EUA. San Marcos recentemente adotou uma moratória temporária sobre novos pet-shops que vendem filhotes, até que possam estudar o assunto mais a fundo.

Felizes, os apoiadores do decreto de Encinitas, e até mesmo alguns de seus cães, celebraram após o voto do Conselho. Eles exigiram que a cidade tomasse uma atitude, argumentando que, embora Encinitas não tenha nenhuma loja vendendo filhotes no momento, sempre há a possibilidade que uma abra.

Encinitas definitivamente não quer uma, disse Steve MacKinnon, chefe da polícia animal para a Sociedade Protetora dos Animais de San Diego. Estas operações comerciais de criação são “nada menos do que crueldade animal permitida comercialmente”, ele disse.

Ele e outros apoiadores do decreto disseram que criadores comerciais – a maioria localizada muito longe na região Centro-Oeste dos EUA – mantêm seus cães em canis minúsculos, provendo pouco ou nenhum cuidado veterinário, e nunca os permitem saírem para rolar na grama ou sentar sob o sol. Eles então colocam esses animais em caminhões e viajam milhares de quilômetros para vendê-los em pet shops na Califórnia.

“Você não quer que nenhuma dessas lojas venha à sua cidade – você certamente terá manifestantes”, disse Sydney Cicourel, um apoiador do decreto, enquanto outros manifestantes indicaram a vontade de realizar um protesto se necessário.

Os três pet-shops existentes na cidade – Petco, PetSmart e Pet Haus – exibem animais resgatados e realizam eventos de adoção, ao invés de venderem cães e gatos criados comercialmente.

Todos com exceção de um dos 11 oradores públicos na última quarta-feira pediram para que o conselho aprove a proibição.

A exceção foi o residente de Encinitas, Greg Lafevre, um antigo proprietário de cães que disse que concordava que as fábricas de filhotes são um “problema”, mas que os funcionários públicos da cidade não deveriam se envolver com este assunto já que Encinitas não possui nenhuma loja vendendo estes animais.

Ele disse que os funcionários deveriam se focar em outros três problemas – “pavimentar nossas ruas, manter-nos seguros e nos deixarem viver nossas vidas”.

“É fácil fazer algo, mas é preciso ter coragem para deixar algo de lado”, Lafevre disse.

Apoiadores do decreto, entretanto, disseram que o conselho deveria garantir que nenhum pet-shop que vende animais de criação abra em Encinitas. Os membros do Conselho disseram que este argumento fazia sentido.

“Isto é uma forma de ser proativo ao contrário de reativo, como um dos oradores disse hoje”, a prefeita Kristin Gaspar disse.

O deputado Tony Kranz, que solicitou que o conselho considere a proibição, disse que ele já teve uma enorme quantidade de informações “chocantes” sobre as condições nas “fábricas de filhotes”, e é justamente por isso que ele apoiou esse decreto. Tentar educar os criadores comerciais e pet-shops que vendem animais não dará certo, ele disse, adicionando que um dono de um pet-shop de fora da cidade recentemente contou a ele que ele simplesmente vê os manifestantes de direitos animais em frente a sua loja como uma parte regular do seu negócio.

Os membros do Conselho de Encinita disseram que receberam centenas de e-mails apoiando a proibição.

“Vocês explodiram minha caixa de entrada, na realidade”, Gaspar disse à multidão que lotou a reunião do dia 24.

A Assessora do Conselho Laurie Winter também sugeriu que o decreto fosse barrado, dizendo que um processo jurídico federal envolvendo um pet-shop em Phoenix está correndo dentro do sistema jurídico, e que esse caso pode decidir a legalidade desses decretos. Uma decisão nesse caso pode envolver Encinitas, já que a Califórnia faz parte da jurisdição do Nono Tribunal.

Os membros do Conselho disseram que eles preferiam ter a proibição e mais tarde serem obrigados a rescindi-la, do que não ter uma e ter uma loja de vendas da “fábrica de filhotes” abrindo nos próximos meses em sua cidade.

Fonte: The San Diego Union-Tribune 

Nota do Olhar Animal: O texto diz que que o conselho pela adoção de “…um decreto tornando ilegal a venda ou exibição de cães e gatos em pet-shops, a não ser que esses animais venham de um abrigo ou de alguma ONG protetora de animais.”. Supomos que os animais vindos de abrigos na verdade seriam então para adoção, não para venda. Caso contrário, seria uma aberração, que reforçaria a ideia de animais como objetos, que é o problema do qual decorrem todos os outros. 
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Treze cães vítimas de maus-tratos são resgatados em canil ilegal

Os cachorros, a maioria de raça, viviam em um galpão frio, sem iluminação e bastante úmido; eles apresentavam escoriações, pelagens irregulares, peles escamadas e sinais de subnutrição.

Por Fabiana Senna

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Treze cães vítimas de maus-tratos foram resgatados, na tarde desta sexta-feira (12), de um canil ilegal em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. A ação foi realizada por fiscais de Meio Ambiente da prefeitura, guardas municipais, uma veterinária e um representante da Associação Protetora dos Animais de Contagem (Apac).

A operação de fiscalização foi montada após moradores da rua Marajó, no bairro Amazonas, fazerem denúncias anônimas sobre os maus-tratos. Os cachorros – a maioria de raça, criados para fins de procriação e venda – estavam em situação precária e debilitados, com escoriações, pelagens irregulares, peles escamadas e sinais de subnutrição.

“O local não oferecia nenhuma condição sanitária e ambiental para acolher os cães. Eles ficavam no fundo de um galpão frio, com pouca iluminação e umidade”, descreveu o secretário municipal de Meio Ambiente Eric Machado. Os donos do galpão alegam que abriram o empreendimento há dois meses, porém, os denunciantes afirmam que os animais estariam lá há pelo menos seis meses. “Eles dizem que já pegaram os animais assim feridos, doentes. Mas mesmo em dois meses, com o cuidado devido, eles já estariam recuperados”, disse o secretário. 

Segundo ele, o homem que se apresentou como dono dos animais não apresentou alvará de funcionamento e sanitário. Os documentos são necessários para o funcionamento da atividade de canil. Todos os cães foram levados para uma clínica veterinária e o proprietário foi autuado duas vezes, por maus-tratos (de R$ 500 a R$ 3.000) e por não ter autorização para ter o estabelecimento (de R$ 379,11 a R$ 7.000).

Ele tem prazo de 20 para recorrer da punição. Enquanto o processo é analisado pelo setor jurídico da Prefeitura de Contagem, os animais estão sob os cuidados e guarda do município. Caso o tutor consiga regularizar a situação, os cães poderão ser devolvidos para ele.

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Fonte: O Tempo 

Nota do Olhar Animal: Está mais do que na hora de haver uma lei que proíba que animais resgatados de abusos e maus-tratos sejam devolvidos ao tutor. 
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Ação resgata 13 cães ‘de raça’ vítimas de maus-tratos em Contagem, MG

Por Danilo Emerich

MG contagem resgatecaes123Treze cães de várias raças foram apreendidos na tarde desta sexta-feira (12), em um galpão no bairro Amazonas, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A denúncia era que os animais foram vítimas de maus-tratos por pelo menos dois meses e se encontravam em péssimas condições de saúde, no imóvel que estava destinado ao aluguel.

Conforme a denúncia, no galpão na rua Marajó, os animais eram privados até da luz do sol segundo a denúncia. Entre os cães havia dois filhotes da raça Maltês. Outras raças encontradas no local eram Pug, Shih Tzu, Schnauzer, Pinscher e Yorkshire. Eles apresentavam machucados, problemas de pele e alguns muito magros, possivelmente devido à desnutrição. Eles também não estavam vacinados.

O resgate dos cães foi realizado pela Prefeitura de Contagem, a Polícia Militar Ambiental e a Associação de Protetora dos Animais de Contagem (APAC). Segundo o fiscal ambiental Eric Alves Machado, que participou da ação, os cães foram encaminhados para uma clínica veterinária particular, onde passarão por exames e ser recuperados.

Está é a segunda ação de fiscalização no local. A primeira tinha sido realizada na última quarta-feira (10), para checar a denúncia. Desta vez, os cães foram apreendidos. O galpão também não tinha as documentações necessárias para locação.

Aos órgãos fiscalizadores, o dono do galpão, que não teve o nome divulgado, informou que adquiriu os animais há cerca de dois meses, já neste estado, e estava recuperando os bichos. Treze animais foram recolhidos e outros três, que estavam em boa saúde, foram deixados com o proprietário do local, mas deverão ser levados para outro lugar.

O dono do lugar foi autuado por crimes ambientais e uma denúncia será encaminhada ao Ministério Público para que ele responda criminalmente pelo caso. “Os animais podem ser colocados para adoção, como fiel depositário até terminar o processo jurídico. Há possibilidade até de retornar para esse antigo tutor, se ele provar que não houve crime”, afirmou o fiscal ambiental.

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Fonte: Hoje em Dia 

Nota do Olhar Animal:  A matéria não informa se o local era um criadouro comercial, mas a diversidade de raças sugere que sim. 
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Buldogue explorada para reprodução é abandonada

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Sabe aquele filhotinho de raça, que custa fortunas e é vendido no pet shop?

Pois bem. Ele pode ser fruto de uma cachorra triste e miserável, que passou a vida presa e grávida, usada para reprodução. Assim como um objeto velho e sem serventia, quando não pode mais procriar, o cão explorado é descartado para não ocupar espaço e gere prejuízo.

A buldogue Branca é uma dessas infelizes. Ela foi usada como matriz, nome dado a cães de reprodução. Cada filhotinho dela custava, em média, R$ 5 mil.

Exausta e faminta, a pequena foi achada na rua, em SP. Levada ao veterinário, teve alguns ataques epiléticos.

No ultrassom, foram identificadas as marcas de inúmeras cesáreas. Branca tinha tumores no baço e nas mamas. O exame de sangue revelou anemia. O raio-x da pata mostrou que estava quebrada havia 10 dias, provavelmente após o abandono.

Luli Sarraf, empresária e protetora, publisher do Calendário Celebridade Vira-lata, esteve com Branca e foi uma das que tentou salvar a menina. Em vão.

— Depois de 4 dias, ela se alegrou. Ficamos animados, pois iríamos tratá-la e encaminhar para adoção. Mas Branca faleceu. Morreu acolhida e sem dor, mas desistiu da vida depois do sofrimento.

Cães de raça são explorados, passam a vida prenhe, presos, e, depois de velhos, são abandonados cheios de tumores e doenças, para não dar prejuízo. Isso para que você possa comprar um pet fofinho.

Infelizmente, comprando de qualquer um, online ou em pet shop, você colabora com esse sofrimento.

Vale a pena?

Fonte: Horizonte MS/R7