ELLEN conciliacao H

Estou cansada dessa conversinha de conciliação

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

ELLEN conciliacao

Essa conversinha humanista preconceituosa e (especista) de que devemos considerar as minorias tal, considerar o meio ambiente, as gerações futuras, devemos nos amar mais, também devemos captar mais recursos, devemos esperar também que se estabeleça a libertação completa das mulheres e de todo o sistema capitalista, também deveríamos esperar, esperar, esperar e só quando todos se converterem ao sistema x, é que os animais podem então ser libertados da tirania humana. Essa piada sem graça está na cabeça de todas as pessoas que tem esse discurso ‘libertário’, que está sempre querendo conciliar, conciliar, conciliar, regado a muito churrasco e cerveja, sem coca cola.

Eu tenho minha profissão e trabalho em diversas frentes, porém minha dedicação é aos animais. E, portanto, considero que cada um deve focar sua vida na libertação daquilo que sua vocação escolheu. Vou fazer o melhor que posso naquilo que eu quero fazer. Trabalho sozinha, pois todas as vezes que formei parceria, foi só para ser mal recebida, ou para ver que no lado de lá tem bastante incoerência e pouco resultado, ambiental e humano.

Apoiarei sempre os bons grupos que existem, as boas e raras parcerias e ações efetivas. Mas cada pessoa pode ser livre para escolher seu modo de trabalhar, isso se chama maturidade. Há os que nada fazem.

Há os que nada fazem, e mesmo assim estão dentro dos movimentos.


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BrigitteBardot H

​​Brigitte Bardot, animais e o ataque contra o feminino

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

BrigitteBardot

Uma propaganda ultrajante fez uma comparação entre Brigitte Bardot e Sophia Loren. O anúncio de uma clínica de rejuvenescimento pretendia comparar o envelhecimento cronológico das duas mulheres. O cinismo causou-me náuseas, pois além de ofensivo é uma propaganda enganosa sob dois aspectos.

O primeiro é o fato de que a clínica apenas oferece paliativos e não cirurgia, e nas fotos insinua-se que entre as duas mulheres há a diferença no envelhecimento natural sem ‘cuidados’, quando a realidade é que uma delas realizou plásticas e a outra não. O segundo, e é o que me interessa aqui, é a desinformação dos autores de tal publicidade e das pessoas em geral, sobretudo mulheres, as maiores interessadas.
 
​Brigitte Bardot é uma atriz famosa por sua beleza, conhecida também por investir toda sua vida nos animais. Em uma de suas frases, ela afirma nunca ter feito plásticas pois preferia que esse dinheiro fosse usado para eles. E, para tal, hoje ela comanda um instituto com seu nome.​

A empresa daqui que se utilizou de sua imagem compara uma BB sem plástica com uma SL que realizou leves alterações plásticas. E faz supor aos ingênuos que tudo isso são ‘cuidados’ que uma das mulheres dedicou à aparência, que a outra, uma descuidada, relaxada, desdenhou – mas não declara que tipo de cuidados. Uma insinuação que fere as duas mulheres e deixa uma sensação incômoda a todas as demais. Não basta usar as imagens delas sem sua autorização, supõe-se, mas ainda precisavam denegri-las.

Essa falta de respeito para com uma mulher importante para a causa animal é também o reflexo sutil do desconhecimento de muitas mulheres sobre os feitos de suas companheiras. E quando uma mulher faz algo na causa, muitas são as mãos machistas que se levantam para criticar.

Quando uma deputada faz uma lei, quantas mulheres levantam defeitos só porque ‘não vão com a cara’ dela ? Quando uma mulher da causa se destaca, quantas mulheres lhe dão apoio? Quantas mulheres veganas estão no poder? Onde lhes damos as mãos?

E onde estão as ‘feministas’? Pois quando publicamos um pio sobre qualquer coisa, elas já vem nos tachar de machistas, sexistas – mas lá na rua, desconhecem esse tipo de campanha? Observei atentamente o comportamento das mulheres este ano em momentos distintos quando expoentes femininas na política se manifestaram publicamente em favor dos direitos animais, e a reação de outras mulheres sempre com teorias A ou B, palavras acusatórias, imposições.

Tudo precisa ser perfeito, quando se trata de uma mulher. Quando a mesma lei ou feito é realizado por um homem, o alvoroço é menor. O ódio e indiferença destilado à outra é contra si mesma.


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A propaganda animal é machista

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

ELLEN propaganda machismo

É fácil apontar quando há algo explícito indicando uma propaganda machista, não é? Não é. Porque é preciso inteligência para analisar. Mas tem gente que se delicia com isso sem compreender. É fácil ser especialista do óbvio. É fácil ler? Não. Qualquer um lê, mas a maioria não entende sutilezas, ironias e nem mesmo uma piada. A maioria lê o título acima e fica nisso. Com as imagens é a mesma coisa. As propagandas mais machistas e abusivas são sutis e estão fora da causa animal, ensinando a oprimir o mais fraco, seja humano ou animal.

Propagandas de revistas, a TV, que eu nem tenho em casa, e o álcool, que eu não bebo, possuem coisas machistas. O consumo de carne está ligado a uma cultura machista e atrasada, e tem feminista enchendo o cu de carne a torto e a direito, sem dar um pio a respeito.

Recentemente uma figura publicitária causou polêmica por usar uma imagem supostamente machista, e os autores dela não ganharam um centavo com isso pois foi feita pela causa animal. A peça nas redes sociais brincou com a ideia de traição ou ciúme no Dia dos Namorados. A traição não é algo exclusivo do mundo masculino. O sexo não é algo destinado ao homem. Todo o material foi feito para pensar. Mas quem quer pensar em um espaço onde é melhor bater boca?

Ao redor da imagem havia animais mortos submetidos – como a mulher da foto, indignada, mas é problema dela pois ela tem escolha de dar um chute no cara – mas não importa os animais! Estes, como sempre, estão em última instância no círculo moral.

Tomemos como exemplo uma imagem real. Um protesto feminista de mulheres com seios à mostra seria exatamente o que os homens adorariam ver, especialmente aqui, neste país que explora a imagem de seios na TV, mas nunca a imagem da vagina exposta. E a maior parte das mulheres abomina a imagem da vagina e até suas denominações. As não-feministas e até mesmos estas poderiam apontar as protestantes como machistas, só porque estão mostrando o ‘objeto’ de desejo masculino, mas que para elas tem outro sentido?

É fácil mostrar os seios, que já estão na TV e em todo o lado, mas as mulheres que mostram a vagina politicamente e artisticamente são hostilizadas ate pelas suas companheiras feministas, mostrando que quem está na vanguarda está sempre sozinho. Não é mesmo?

Por outro lado, o comer é algo ligado ao sabor, a uma coisa boa. Comer também é um ato ligado ao sexo. É bom transar, pelo menos deveria ser. Sou mulher, tenho toda a possibilidade de fazer o que um homem faz. Faço se quiser, não preciso imitar. Que saco ficar esmiuçando termos e imagens nas redes sociais, quando o que acontece na vida das mulheres, crianças e jovens que nada sabem sobre jargões é um inferno e o movimento feminista está como uma múmia frente a isso. Essa conversa de libertário, amor livre, se desmancha ao ver uma insinuação de ciúme de uma propaganda, que, sinceramente, é fácil combater – basta mandar o cara às favas e escolher outro melhor, o que talvez confirme a proposta da campanha publicitária, a de comer uma coisa diferente! Melhor, fiel e vegano.

A comida sempre foi ligada ao sexo, pois sempre foi ligada ao prazer. Um homem que cozinha bem é sensual, saber cozinhar é atraente e bonito para uma mulher, pelo menos para mim. A paixão sempre foi ligada ao quente. O frio é ligado ao refrescante, ao distante do calor. Sempre que um homem ou uma mulher é quente dizemos que ele é apimentado, por exemplo. Dizemos o mesmo de comidas picantes.

Não preciso me alongar nesse ponto, eles o fazem. E há mulheres provocantes, picantes, que não estão nem aí para essa coisa fria do não-sexo, da não-associação.

Mas por que esse pessoal adora vir encher com teoria de Facebook? Eu sou feminista desde o tempo que ser feminista era ler livros e ser na prática. As propagandas machistas, outdoor com características opressoras eram estudadas e desde então tenho encontrado tais anúncios com sutilezas misóginas. Mas temos que ter cuidado com essa manias esquerdóides de querer taxar, examinar, achar que tudo no mundo tem de passar por sua teoria da conspiração. Nem tudo é tudo. Nem tudo é machista. Nem tudo é ‘a teoria de tudo’. Nem todos os homens são iguais. Sou diferente de todas as mulheres que conheci. E, sim, os homens podem falar sobre as mulheres. Falam mais e até melhor do que algumas mulheres. Qual é o medo de saber a opinião deles? Tenho nojo dessa soberba de achar que só porque tem um espaço em baixo da postagem de alguém na Internet, significa que você pode ir lá e pichar.

Ninguém vai lá na iniciativa privada. Porque morre de medo. E principalmente porque está cagando para o machismo deliberado – porque envolve grana – que existe na mídia e na sociedade. Todo mundo é bem reativo e instrumentalizado na obscuridade, mas covarde no meio da rua, às claras e quando tem que falar com uma empresa, com um SAC ou com as mulheres reais a quem subjuga ali na vida real. E isso vale para minhas companheiras mulheres. Delas eu posso falar porque sou mulher, ou não?


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Clube dos curiosos

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

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O PETA uma vez fez um site cujo link insinuava uma temática sexual. Lá onde divulgamos o site, a horda de pessoas mal informadas, bem antes de abrir a página, já começou a tecer toda a sorte de críticas ao PETA, chamando de machista, etc. Ou seja, o preconceito está na cabeça de quem vê, sem ler, sem se informar.

O site estava assim: www.peta.xxx.

Eram receitas veganas com alguma pitada de humor. Foi o maior sucesso e foi formulado justamente para impactar e acabar com este preconceito idiota contra a comida e contra o sexo. Que gente mais puritana! Hoje o mesmo site tem uma outra surpresa, e continua lá.

No geral, as pessoas não podem ver uma vagina – ou buceta – e já se escandalizam. Acham que tudo é machismo, veem em tudo sexualidade. No Brasil, tudo é bunda. E as mulheres sempre são vistas do ponto de vista sexual. Seios e nu feminino, tudo bem. Até as mulheres aceitam, porque são machistas.

As campanhas do PETA com alguma nudez, ou semi, aqui não dão certo pois os homens foram educados – por quem, mesmo? – para ver nas mulheres esse lado sexual, mas é preciso chocar um pouco e quebrar tabus. É preciso associar, sim senhoras, com educação, e não com cerveja.

O PETA – http://www.peta.org/international/ – é uma organização conhecida por realizar ações bastante diversificadas em um mundo em que é melhor fazer do que apenas ficar criticando. E eles fazem muito. Mas é preciso fazer ainda muito mais. Só que é mais fácil um babaca, zé-ninguém, entrar no W. Zap / Face e ficar enchendo o saco, já que ele nada faz por ninguém.

O site aquele do PETA não tinha imagens de sexo, apenas o título chamava a atenção, justamente para tirar uma onda com aquele que está acostumado a nada ler e a tudo julgar. Mas francamente, e se tivesse um apelo sexual? Para quê tanto puritanismo? As pessoas estão acostumadas com propagandas machistas durante vinte e quatro horas de seus dias e consideram natural. O próprio ato de comer carne é associado a uma cultura machista.

E mais uma pergunta: só por que é sexo, necessariamente precisa ser machista? Claro que não.

Eu nunca escrevo sobre sexo, porque acho um saco esse assunto. Só por isso. Acho infantil falar disso. Considero enfadonho ler sobre sexo e é raro um escritor escrever bem sobre isso. Do que tenho lido, um ou outro em minha vida soube dar um pitada picante de erotismo em seus textos. O resto não me atrai. Acho que lerei Glauco Mattoso, mas ele é ‘podre’ demais e a maioria piraria com seus textos, eu não.

Você tem tanto medo assim que algo esteja associado com putaria? Somos educadas a sempre baixar a bola, a baixar a saia, a nos portar como mulheres sérias, pois isso nos tira a oportunidade de casar, de ter bom emprego. Isso se aplica a grandes temas. Tudo o que tem a palavra sexo fica manchado. Porém, é foda ter sempre que fazer pose de séria no momento errado, não poder rir, ter sempre que ser essa coisa que muitas vezes esperam de nós. Por um lado bonequinhas, por outro, sérias demais.

Não tenho medo de velho babão, nem de mulherzinha invejosa. Sou absolutamente contra a pornografia e contra a prostituição. Porém, não sou contra alusão ao sexo em campanhas. Acho mesmo que o país precisa de gente que arrisque colocar mais lenha na fogueira. Por que aqui tem muito moralismo, e as pessoas adoram moralizar e depois ir fazer tudo às escondidas.

Em qualquer lugar, homens e mulheres devem, sim, poder fazer algo mais descontraído nos manifestos, nas palavras, no Português menos ortográfico, com menos termos ginecológicos. Deve-se usar de todas as formas para cativar as pessoas.

E se você se considera adulto para ter consciência dos prazeres da carne, também poderia ter noção das dores que provoca nos animais ao usá-los como objetos de seu egoísmo. Portanto, bem-vindo ao clube dos curiosos.


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A prisão do desafeto

As crianças, com raras exceções, percebem o animal como coisa, como parte do mundo. Isto porque, no mundo da criança, tudo faz parte dela.

A educação humanitária ensina que, para mostrar respeito ao outro, devemos respeitar sua individualidade, sua condição diferente da nossa.

Os zoológicos são lugares perversos nesse sentido. Eles reforçam o caráter egoísta do ser humano e mostram de maneira óbvia como tratamos os animais. Coisas a serem admiradas, invejadas, tomadas.

Quem já foi a um sabe bem: multidões fazendo churrasco, enchendo a cara, jogando comida, pedras e outros objetos nos animais. Furando os olhos dos mais mansos com gravetos. Essa é a condição egoísta de nossa espécie. Curiosa e arrogante por natureza. Diferente dos santuários, que abrigam animais carentes, sobretudo os que vêm do tráfico de animais e já não tem mais nenhuma chance de readaptação em seu ambiente natural, os zoológicos são centros de lazer para humanos e prisões para o restante dos animais.

Os santuários abrigam animais e até podem receber visitação, mas é orientada. A precariedade dos zoológicos e o foco centrado no lazer para humanos fazem deste lugar algo terrível.

Quando era criança, fui ao zoológico de Sapucaia do Sul e não me lembro de absolutamente nada. A ideia romântica de que o zoológico é uma experiência incrível para as crianças não é bem assim. Nas vezes em que voltei ao zoológico, já como estudante de biologia, detestei o que vi.

Alguns animais, só conheci pois os vi mortos na estrada ou em trabalhos dentro da faculdade de Biologia (os animais nativos do RS que morrem no zoológico de Sapucaia do Sul eram fornecidos para o Instituto Anchietano de Pesquisas para serem reaproveitados em trabalhos dentro do centro. E eu fui voluntária nesta parte do trabalho que era desmembrar os animais já mortos para montar uma coleção de esqueletos para serem usados em comparação na zooarqueologia). Neste ponto, é um importante recurso para substituição da vivissecção, mas na área de arqueologia e zooarqueologia não se pratica vivissecção, pelo menos até onde saiba.

Não acho que o fato de não ter visto animais como leões, girafas, camelos tenha comprometido minha visão sobre os animais. Não temos o direito de ver os animais que não vivem em nossa região. E temos que aprender a aceitar e entender isso.

Cada ser vivo pertence a um contexto, alguns vivem nas profundezas abissais e jamais viveriam fora de lá. Não temos o direito de interferir em suas vidas apenas por uma curiosidade mórbida, e jogando mais uma vez o peso sobre as crianças – que é a desculpa que ouço sempre – “as crianças precisam conhecer o canguru”.

Não precisam. Elas precisam conhecer o respeito aos seres vivos, precisam conhecer os animais de sua região, estudar seus modos de vida, visitar lugares onde eles vivem livres. E aceitar que não podemos ver tudo, que bugios podem não querer contato conosco. E teremos de respeitar sua vontade, não jogando pedras e nem fazendo cara feia.

Mas como é difícil aceitarmos o outro, e desenvolver em nós sentimentos genuínos de amor e respeito, quem sabe, amizade.

Ontem pela manhã a TV mais uma vez refletiu de maneira perfeita a mentalidade de muitos, mostrando o “amor” dos criadores de animais. “Para mim são como filhos”. Curioso é vender e agenciar a reprodução dos “filhos”.

No mundo onde poder falar sem parar num celular é o que conta, mesmo que só se digam bobagens, pouco se investiu na qualidade dos sentimentos, tudo é uma questão de compra e venda de afetos.

Compram o bichinho fofinho, mas só querem daquele tipo x, o com cara de lobo, o com cara de ursinho, de acordo com o freguês. E recentemente a campanha contra a compra de girafas importadas da África para “abastecer” o zoológico de Sapucaia do Sul mostra que nem todos estão girando nessa mecânica. Ainda existem pessoas que sentem de verdade, pensam de forma realmente inteligente, e deixam um pouco para lá nossa curiosidade e vontade de comprar o mundo e a felicidade.


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ELLEN Feministas e Sufragetes H1

Ecos do feminismo na libertação animal

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

Recentemente a bióloga e bacharel em comunicação social Tamara Bauab Levai, autora do livro Vítimas da Ciência – Limites éticos da experimentação animal, fez uma brilhante palestra no congresso vegetariano brasileiro sobre ecofeminismo.

Conheci gente que só foi ao congresso para assistir a esta palestra e lamento que eu não tenha podido assistir, pois este tema me fascina. De dentro de nossas bases, como biólogas, temos muito material para falar de como historicamente, biologicamente e economicamente a exploração da mulher e dos animais, da natureza como um todo, tem andado de braços dados. Mas a mulher é a única que tem voz e meios igualitários de se defender perante os demais de sua espécie, ou pelo menos deveria usar destes meios.

Ainda hoje, ser uma “mulher pública” gera o incômodo persistente de que há algo errado com ela. Não pode ser sério, não pode ser dela a fama. É por causa do marido, ela deve ter comprado o diploma, blá-blá-blá…

Será? Vemos isso na política, na sala de aula, em todo lugar. Isso é velho, mas ainda temos de ouvir. Enquanto discutimos sobre isso, ainda pesa no ar o preconceito contra as mulheres e a sutil comparação com a “natureza”, de forma depreciativa.

Ellen ecofeminismo1

Fritjof Capra, em seus livros excelentes, já relatou trechos de biólogos, psicólogos e outros sobre a sutil e inconsciente comparação da mulher com a natureza. Semelhante comparação feita por Tamara Bauab Levai nos seus artigos. E o físico Fritjof Capra, de forma sucinta, compara a exploração da mulher com a exploração da natureza. Segundo suas palavras, assim como o “homem” dominou e explorou a natureza, assim ele pensa em relação às mulheres e a qualquer expressão do feminino. As frases “dominar a natureza”, “explorar e invadir a natureza” seriam aplicadas ao comportamento com relação às mulheres em geral.

De modo que o feminino, sendo reprimido, não teve outra saída senão estar disfarçado por todos os lados, nas igrejas sob símbolos e nas roupas de sacerdotes entre outros modos de expressão sutil. Pois todos temos os lados masculino e feminino, e é natural que estas duas forças se expressem de qualquer modo, mesmo sendo negada.

Estas teorias/constatações, vindas de um físico, de biólogos e psicólogos, já são polêmicas. Mas parece que, quando uma mulher fala deste assunto, as pessoas se incomodam profundamente, como se à mulher coubesse apenas calar. Jamais discutir e denunciar o preconceito vigente. Por quê?

Outro psicólogo aqui do Brasil, Ezio Flávio Bazzo, denuncia em alguns de seus livros a nomenclatura pela qual as mulheres são ostensivamente chamadas e detalhes da natureza humana:

“Assim como em vários recantos deste planeta crianças são mutiladas e deformadas propositalmente por seus familiares e por outros adultos para serem usadas depois como instrumentos de mendicância, durante muito tempo os pés das mulheres chinesas também foram mutilados e diminuídos porque os homens sentiam excitação diante de mulheres com pés de criança. A pedofilia, talvez seja mais antiga que aqueles rochedos vulcânicos sobre os quais os arqueólogos e os paleontólogos tanto têm cacarejado.”

“Coelhinha. Cadela, vaca, cabrita. Esses ‘elogios’ frequentemente dirigidos às mulheres encontram sua expressão máxima no ambiente que os sulistas denominam matadouro.

Matadouro, lá no sul-maravilha é o lugar, como já relatou uma entrevistada, escritório, quitinete, apartamento, motel, garagem, etc., para onde os senhores-de-bem levam clandestinamente suas amantes ou suas meninas para f… [omitido neste artigo, mas não no texto original]… Seria ódio à mãe expresso de forma generalizada contra todas as mulheres?”

Ellen ecofeminismo2

Segundo ele, essa mania de alguns homens de querer infantilizar a mulher, seja do ponto de vista físico, bem como do ponto de vista intelectual, e de preferir mulheres com comportamento infantiloide, seria uma atitude que denuncia uma preferência por modos infantis. Algumas mulheres entram no jogo, pois para que exista o opressor tem de haver os que voluntariamente se colocam como oprimidos. Já notei que alguns homens não suportam por muitos minutos uma mulher com uma opinião mais arrojada, ou simplesmente com opinião!

E Ezio Flávio Bazzo continua:

“Mãe é mãe… paca é paca… mulher é tudo vaca… a música do Bussunda não é apenas uma brincadeira, um humor negro e uma arte, é o cântico dos cânticos do mundo masculino. Para o homem comum, intelectual, rico, pobre, ignorante etc., a mulher não passa de uma vaca, começando pela mãe e as irmãs, continuando com a professora e terminando com a esposa, as filhas, as amantes. Numa pesquisa realizada numa faculdade da cidade, onde 99% dos alunos são mulheres, 30% do universo pesquisado acham que a mulher, se não é, pelo menos tem algo em comum com as vacas. Mãe é mãe… paca é paca… mulher é tudo vaca… Cantam pelos corredores da história. (…) Mas voltando ao assunto da vaca, desse animal passivo, de olhos tristes, que vive para ruminar e para enriquecer seus gigolôs (os pecuaristas) com leite, chifres, filé mignon e com a própria pele, por que será que as mulheres se indignaram bem mais com a música que as chama de vaca do que com as que as chamam de cachorras?”

Estas incômodas e irreverentes colocações são interessantes para mostrar como a sociedade aceita prontamente certos comportamentos. Como uma sociedade machista e presa a conceitos estreitos de liberdade pode pensar em libertação animal? Ainda estaremos longe de libertar os animais, se continuarmos a ajudar a construir nossas próprias grades. As mulheres ainda estão apoiadas sobre as grades que elas mesmas ajudam a manter. Algumas se orgulham de depreciar as demais. Como se a personalidade pessoal/o cabelo ou a maneira de ser interferisse na qualidade do trabalho, na profissão. Diferente dos animais, que não têm voz, nem escolha dentro do nosso mundo, aqui encontramos um paradoxo, que é o cultivar as próprias grades e se incomodar quando alguém se liberta.

Percebam como o mal prontamente se organiza, o bem é disperso, portanto também é mal.

Os que são contra os animais/mulheres/crianças estão prontamente organizados e unidos. O restante é omisso e desunido. Triste realidade. Obviamente sei das exceções ao que escrevo aqui.

As palavras deste escritor, em todo seu significado, nos mostra de maneira clara como até mesmo a linguagem é presa aos diversos preconceitos existentes.

Gosto de frisar algumas palavras especistas, pois se fôssemos deixar de usar as palavras especistas, machistas, e de outras classes de preconceitos de nossa linguagem, rapidamente a língua portuguesa estaria fadada à extinção, até mesmo dentro de sua estrutura.

Num próximo artigo, citarei algumas frases misóginas de filósofos em que todos babam e que idolatram, os quais construíram as bases da filosofia moderna. E as relações entre especismo e machismo, além das que foram citadas aqui.

Referências:

Bazzo, Ezio Flávio. Prostitutas, bruxas e donas de casa – notícias do Éden e do calvário feminino. Ed. LGE; 2009.
_________ . A lógica dos devassos – no circo da pedofilia e da crueldade. Publicação independente: Moloch publicadora; 2004.
_________ . Ecce Bestia – libertinagem com animais. Publicação independente: Narcisus publicadora & Cia; 2001.

Fonte: ANDA


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Veganismo: não faça as coisas por mim

Por ​Ellen Augusta Valer de Freitas​

Ellen veganismo1

Uma das frases mais simples e admiráveis está no movimento punk: faça você mesmo. Não espere por ninguém. Não siga, não seja mais um. Invente, se não houver alternativas ao seu redor. Se estende para além da música. Não seja como aqueles que se deixam influenciar por qualquer suspiro e seguem a corrente, manipulados até os ossos.

Quando trabalhamos com a educação e direitos animais, é comum ouvirmos que somos fanáticos religiosos. Nascemos com a imposição de comer carne, mas temos que ouvir que estamos ‘impondo um modo de alimentação’.

O caso é que, como as perguntas são sempre as mesmas, as respostas acabam sendo sempre as mesmas e claro, há respostas para quem pergunta e argumento, se é o caso de precisar. Até mesmo a ciência que se considera isenta, tem lá seus dogmas, sobretudo os que nós tentamos derrubar. Como, por exemplo, a vivissecção, método ultrapassado, segue sendo defendido ferrenhamente por cientistas obcecados. Cada movimento pode ter seus fanáticos, seus loucos e os que tentam, através do convencimento, motivar pessoas e trazê-las para sua ideia.

Nossa iniciativa, no entanto, não é convencer, é ser. Através da informação, se o sujeito adulto não tomar consciência de tudo o que o cerca, não somos nós que iremos o submeter. A sociedade por demais já o submete.

A motivação aqui é ética e a motivação religiosa é outra. Por isso religião tenta convencer. Cada religião convence para seu dogma, independente dele ser coerente ou conectado com a prática. E, cá para nós, “É necessário mesmo pedir perdão?”. A pessoa motivada por ética não precisa convencer. O outro é que se contradiz nas próprias palavras. Nunca precisei dessa técnica, e acho que é isso que irrita muita gente…. Os vivisseccionistas saem da sala nos debates, se alteram visivelmente, e isso sim é um comportamento muito semelhante a quem tenta convencer pelo fanatismo.

Justamente na ciência, onde eles poderiam descobrir novas alternativas, além das que existem e evitam usar, para o já ultrapassado modelo animal.

O fato de eu não ser perfeita também não é o que faz uma pessoa se tornar vegana. Uma pessoa se torna vegana por que leu a respeito, por alteridade, por respeito ao outro, por uma série de fatores que vai além da pessoa que lhe transmitiu a informação.

Portanto, se uma pessoa deixou de ser vegana por que leu um artigo, por que não ‘concordou’ com uma ideia minha ou de qualquer outrem, é por que precisa amadurecer para o fato de que o veganismo não está nas pessoas, está em algo maior que isso. Todos que conheci que se tornaram veganos, o fizeram por si mesmos. Alguém pode ter feito a conexão, mas depois desta ligação, o voo é livre.

E, lembrando, estamos falando aqui de adultos. Quem deixa de ser vegano pela opinião de alguém, é por que não está bem certo do que deseja ou não consegue afirmar-se perante os demais.

Existem infinidades de pessoas escrevendo sobre este tema, e muitas delas são celebridades, outras são pessoas comuns. A maior parte inclusive, mais contribui para colocar mais confusão na cabeça das pessoas, mais espalha desinformação do que esclarecimento. Boa parte dos leitores apenas lê em redes sociais, um fenômeno atual, uma horda de analfabetos funcionais que mal sabem interpretar fotografias, e apenas se atém a memes.

O professor, o escritor, o jornalista, o sujeito que escreve, é fonte eterna de influência e precisa saber disso. Ele deve usar cada linha como uma arma e uma ferramenta de trabalho que irá transmitir o que deseja, mas do outro lado, espera-se que o leitor tenha cérebro para ler, maleabilidade para sacar e compreender as sutilezas de cada texto, sem que com isso, tenha um ​chilique cada vez que não gostar do que leu.


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Nem o sarro arranha a Espanha – Parte 3

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Portugal, arquitetura que lembra muito alguns lugares de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, que teve imigração portuguesa. (Foto: José Cerqueira)

Há muito tempo, quando a Argentina estava com problemas financeiros, eu recebia diversos e-mails de quem não tem mesmo o que fazer, com piadas idiotas sobre a situação da Argentina em relação ao Brasil e ao Rio Grande do Sul. E sempre respondia com a seguinte pergunta: e se amanhã formos nós os atingidos por uma crise qualquer? (O Brasil não é exatamente um exemplo de qualquer coisa!)

Recentemente tem circulado pela Internet uma “campanha” exigindo que a Argentina não participe da Copa de 2014.

Quando o Brasil perdeu a Copa, vimos na televisão críticas ao desempenho da Argentina, como se o Brasil não estivesse também na mesma situação lamentável, mas talvez ainda mais lamentável, pois, em vez de aceitar a perda, parte para cima dos outros, com críticas sem nem mesmo ver como estão os jogadores do Brasil. Quanto absurdo! Pois a Argentina, assim como Portugal nos deu um exemplo de civilidade e evolução ao legalizar os direitos civis aos homossexuais, com a aprovação do casamento.

Casamento homossexual nada tem a ver com religião, é um direito! Aqui, onde as mentes estão amarradas à religião, ainda há muito o que discutir sobre o assunto. Nós todos perdemos com isso.

A cultura e o tradicionalismo, sejam de que região do mundo forem, geralmente estão intimamente ligados a interesses econômicos e políticos. Muitas tradições apenas veneram os verdugos que as escravizaram, apenas idolatram patrões e cultuam a ode ao explorador. Claro que há coisas bonitas, mas nota-se um interesse muito grande em manter certas tradições, que de outra forma acarretariam perdas monetárias gigantescas.

A população muitas vezes cai na ingenuidade de achar que tudo que existe é assim e pronto. Dificilmente acha tempo para questionar-se sobre o porquê de fantasiar-se de determinado papel, apenas participa de forma autômata, e os poucos que questionam são desafiados com infâmias e até mesmo ameaças.

Volto a trazer a lembrança das terras que conheci, das que não conheci mas admiro sua arquitetura, natureza e povo, pois no mundo inteiro há belezas incríveis. Dos viajantes que andam por aí à procura de conhecimento, das pessoas que têm o coração em diversas terras, pois obviamente temos carinho por um lugar ou outro, mas a vir achar que somos os melhores do mundo já é demais.

Tenho especial carinho por Portugal, por ser uma terra que tem poetas, músicos e pessoas interessantes, lugares incríveis e fascinantes. Tenho uma amiga lá que é vegana e ama o Brasil. Ela pesquisa os costumes brasileiros assim como eu pesquiso os costumes portugueses. Sei lá por quê. Se por curiosidade, se por uma ligação genética/cultural, não importa. O fato é que não vivo no delírio de que este ou aquele lugar é o único lugar que existe.

Aqui também tenho uma amiga portuguesa, que me contou algumas histórias de preconceito que sofreu ao chegar aqui, já que ela tem curso superior e fala diversos idiomas, e acabou sendo uma “ameaça” para pessoas preconceituosas que a discriminaram por ser de outro país.

Todos os lugares são positivos se nossa atitude for positiva. Eu me sinto bem em qualquer lugar e aqui, na terra do churrasco, do machão e do patrão, eu luto por justiça e sou uma pessoa normal. Brasileira porque nasci aqui e não porque é época de Copa do Mundo. Gaúcha porque nasci aqui e não porque querem que eu acredite nesta ou naquela cultura.

Fonte: ANDA


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A mãe que nunca amamentou

Por Ellen Augusta Valler de Freitas

ELLEN leitematerno

O leite materno é quente.

O leite que vem da geladeira é gelado, porque vem da geladeira e foi processado por mãos de terceiros.

Foi roubado e deixou bebês com fome.

Causa morte e sofrimento das mães.

A mulher mãe amamenta pois não pode fazer outra coisa, está em sua natureza.

Mas hoje, o olhar do outro, o olhar do homem, a faz mudar de ideia, a faz mudar de rota, a faz parar antes da hora, ou nem começar.

Muitas mulheres trocam seu leite pelo leite de outras fêmeas, causando sua morte. E prejudicando o seu bebê, inclusive intelectualmente.

O leite de vaca provoca a escravidão de vacas, morte de bezerros e posterior morte de suas mães. É ingenuidade achar que vacas vivem felizes. Em nenhum lugar, nem mesmo na Índia, há paz para esta espécie. Ilusões precisam ser quebradas, sobretudos para as mulheres, que acreditam nelas a séculos.

Ilusões contadas por homens. Ilusões esotéricas. Ilusões cosméticas.

Algumas feministas alegam que as mães precisam parar de amamentar quando bem entendem, pois o homem vê a mulher que amamenta como mãe e não como mulher na hora do sexo.

Essas feministas machistas novamente reforçam o olhar do outro, o olhar do homem, e são elas, as mulheres, as mais machistas. E se Fritjof Capra, em O Ponto de Mutação, não entendia como o machismo tinha durado tanto tempo em nossa civilização, aí pode estar uma das explicações. A mulher traz dentro de si um muito deste sentimento, transmite-o na educação para seus rebentos menimos e meninas, pode ser, não?

É insuportável que o homem ainda siga sendo tratado pelas mulheres como um bruto, que não controla suas emoções, como um pobre coitado, que dependa de nossas atitudes para ser feliz no sexo. Ele que revisite sua visão com relação aos nossos seios maternos, porra! Ele que enteda e que erotize a sua esposa neste momento e para além dele, e compreenda que é temporário! E, que as mulheres, sobretudo as que se consideram feministas, aprendam que é o homem que precisa elaborar o comportamento feminino, aprender com ele, entender as formas de seu corpo e seus hormônios e que neste momento, seios com leite, é quando ela é mãe e mulher.

Agora: se ele não saca seu corpo e você arrumou um marido torpe, não enfie uma vaca no meio disso tudo, ok?

Se um homem, ou se uma feminista como eu, ousar criticar isso, os pseudolibertários te chamam de machista. Assim como te chamam de qualquer coisa, as pseudofeministas, quando você as questionam, por que elas ainda tomam leite, comem ovos e laticínios, se o mesmo é fruto de uma exploração machista massiva, se vem de uma indústria capitalista, não impostando se vem de fundo de quintal ou de uma fazendinha, ou mesmo de agrigultura familiar, é machista pois explora fêmeas, tira seu leite e seus filhos e os vende como mercadoria barata.

A mulher entra no jogo como uma marionete, entra no outro jogo – não amamentar, amamentar só um pouco – para manter a beleza, para estar no ‘mercado’, para ser bonita, para ter “colágeno”. É impressionante o quanto há de mulheres que entram nessa neurose idiota do colágeno a qualquer custo. Éssa mentira, de que se engolir uma galinha, vai ficar com a pele firme. Quanto mais flácida (pois entraram em outros jogos, os do leite, cigarro, falta de exercício, etc), mais querem comer frango, peixe, etc. Mais querem se encher de silicone e mais buscam se entupir de bagulhos à base de animais, sejam fêmeas ou machos. A beleza natural, a saúde natural (mental, intelectual), essa não importa mais. Nem os filhos. Aliás, quem se importa com os filhos? Na maior parte das vezes, salvo exceções, vejo se importar com filhos aqueles que nem querem os ter.


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Nem o sarro arranha a Espanha – Parte 2

Por Ellen Augusta Valler de Freitas

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O gaúcho é conhecido pelo bairrismo exagerado, isto é fato. Eu nada tenho a ver com esta cultura. Nasci aqui por acaso somente. Poderia ter nascido em lugares piores ou melhores. Se faço parte de coisas bonitas como o chimarrão e algumas canções nativistas que tenho imenso respeito, por outro lado há um exibicionismo sem igual, que apenas mostra o quanto de ego a humanidade inteira possui e que não serve para nada e do qual não participo, juntamente com milhares de gaúchos que nem sequer se preocupam com isso.

As pessoas que não nos conhece muitas vezes acham que andamos sempre de bombacha/vestido de prenda e falando aquele sotaque padrão que a mídia divulga, mas a verdade é que aqui existem muitas culturas, sotaques, povos e que muita gente nem sequer participa de determinados rituais tradicionalistas.

É só pensarmos, por exemplo, na força da colonização italiana e alemã.

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Aqui mesmo na terra do churrasco há uma cultura muito forte da alimentação vegana (alimentos sem produtos de origem animal, carnes, ovos e leite).

Veganos não consomem nada que tenha produtos de origem animal, buscando e inventando alternativas. Não usam roupas de pele de animais como o couro (tão idolatrado por aqui) e também evitam ao máximo possível o uso de produtos testados em animais. Trata-se de ativismo político, ambiental e pessoal, pois os veganos geralmente buscam entrar em contato com empresas, políticos e participam ativamente nas mudanças que vêm ocorrendo, principalmente aqui no Rio Grande do Sul.
É uma atitude revolucionária e que vem crescendo muito em diversos países por motivos ambientais e éticos.

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Aqui no Brasil, o Rio Grande do Sul é o Estado que mais tem opções vegetarianas e veganas. E é aqui mesmo que as pessoas inventam, usam a criatividade para inventar até mesmo o “queijo” 100% vegetal, que foi produção do Restaurante Vegano Casa Verde. Neste mesmo restaurante está sendo servida a primeira cerveja com selo vegan do Brasil e também adequada para celíacos.

Temos um bar noturno totalmente vegano com práticas de permacultura, temos tele-pizza e pizzaria noturna vegana e diversos restaurantes vegetarianos e veganos. Produtos veganos, docerias veganas, opções de roupas e diversos itens. Tudo com muita criatividade e atitude.

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A cultura pode e deve mudar ao longo do tempo. O que antes era apenas atitude de alguns “lunáticos” ou “xiitas” (acreditem, já teve gente preconceituosa que nos chamou assim e que depois foi encontrada em um dos restaurantes veganos da capital), hoje é algo comum, difundido, e a cada dia as empresas estão “acordando” para o filão de mercado, que é fornecer alternativas ao uso de animais, seja onde for.

Nosso Estado está na frente de muitas atitudes louváveis, mas isto não porque o RS é o maior, o mais bonito ou o mais inteligente. Não. É apenas porque aqui as pessoas resolveram ir atrás das suas conquistas, acreditaram e lutam ainda por melhoras. Em outros estados do Brasil também há conquistas maravilhosas na área do direito dos animais que aqui mesmo ainda não conquistamos. Nos servem de exemplo, como a proibição das feiras de filhotes e outras formas de exploração de animais.

Fonte: ANDA


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