Matar barata, ter pena de abelha

Matar barata, ter pena de abelha

Por Marcio de Almeida Bueno

Quando criança na escola, lembro daqueles exercícios de ligar figuras afins. A gata com os gatinhos, a cadela com os cachorrinhos, a vaca com um copo de leite, a abelha com um pote de mel. Nessas lições também se falava sobre animais úteis e animais nocivos. A diferenciação era clara, e tudo isso valia nota na hora da prova. Eu era um bom aluno.

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Do prazer de sentar nas costas de uma vaca

A estofaria é em uma casa antiga, no Centro Histórico de Porto Alegre, onde há prédios pequenos e casarões de uma outra época. As portas ficam abertas, então os poucos que passam na apertada calçada podem ver o que está sendo montado e o que já está pronto e exposto, em meio ao maquinário e serragem. Emoldurado por uma porta antiga, um sofá feito com o couro peludo de uma vaca.

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Dia Mundial do Meio Ambiente: puxada de descarga e torta na cara da natureza

Por Marcio de Almeida Bueno

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Tal como no Natal, com aquelas deprimentes mensagens repassadas por gente que sequer conheço, o tal do Dia do Meio Ambiente também gera um frenesi extra em algumas pessoas. ‘Vamos nos conscientizar’ e outras frases bestas entopem a caixa de emails, o Tweeter e outros menos votados. Eu me pergunto se eu tenho algo a ver com isso. Que meio ambiente é esse, sempre apresentado em uma imagem com fundo verde, ou em papel reciclado, ou em anúncios de página inteira de revista? Tem algo a ver comigo? Nunca gostei de acampar, fazer trilha, dormir em barraca, sujar os pés ou sentir falta de um banheiro por perto. Não me considero ecologista, e olho com desconfiança a todo que se apresenta como tal.

Explico.

Todo caçador se apresenta como ‘o verdadeiro ecologista’, toda empresa que não sabe mais de onde arrancar simpatia/dinheiro, lança um produto ‘ecológico’, toda produção industrial fantasia em poder puxar a descarga e se livrar dos resíduos diários – alguns fazem isso, mesmo que tenha um projeto de educação ambiental em escolas, todo candidato a cargos políticos se diz um preocupado com o meio ambiente, mesmo que seja da bancada ruralista ou receba verbas de campanha das piores empresas poluentes, todo cidadão que se diz preocupado com a Amazônia, com a mancha de óleo no Golfo do México – sem abrir mão do automóvel – e com o futuro dos pandas, frita bife em uma liturgia cotidiana.

Selos de boi verde, carne orgânica e até ‘costela de ovelha ecológica’ – sim, juro que já vi isso – não são correntes na mesa de ninguém, e mesmo se fossem me parecem mais um ‘soprar o merthiolate para não arder’ na consciência das pessoas. Este boi nasceu para morrer e acabou no forno da casa de pessoas felizes, mas era verde.

O termo em si se desgastou horrores, e a parcela de bem-intencionados talvez perceba isso, e note que há outros botões a serem apertados, como o antiespecismo e o veganismo. Daí se pode encher a boca para falar que está começando uma vida que tende a ser correta dentro das relações. Pelo menos naquilo que é mais imediato, próximo, constante, como a alimentação. Os animais silvestres também padecem no momento que se abre espaço para pasto de animais domesticados. Todos vão empacotar, então não adianta usar camiseta com estampa de consciência ecológica no sábado de manhã, se não houve uma visão crítica de si e do impacto que a própria existência causa, ou pode causar, nos demais coabitantes do planeta – os que andam de quatro, voam ou nadam, por exemplo.

Cada vez que se puxa a descarga da privada, é uma torta na cara da natureza – mas, friso, não vejo natureza como um cartão-postal de fundo verde, mas um local onde estará um animal não humano, que não percebe que aquele chão está imundo e tem metais pesados, que aquela água está coberta de óleo ou meleca vindo de curtume. É complicado começar a pensar que o WC é um cadafalso para as paisagens que aparecem na National Geographic, mas esse pensamento é necessário. Mas o que já está disponível para consumo, como uma vivência vegana, não pode ser considerado algo utópico, ecochato, excêntrico e fanático. É subversivo, pois este é um mundo violento, indiferente, explorador, sem empatia ou compaixão, então toda postura ética passa a ser subversiva. Como cumprimentar com um sorriso aquele vizinho ‘com cara de poucos amigos’. Não vou deixar de ser quem eu sou por ele estar de cara amarrada, não vou jogar o jogo do outro.

E como funciona isso na ecologia?

Questionar as tradições de consumo de produtos de origem animal, testados em animais, causadores de tantos estragos ambientais como o couro, pensar nas conexões entre o consumo de embalagens, plástico, papéis, roupas, celulares etc. e aquelas imagens de lixão que aparecem na televisão e causam espanto aos incautos. Foi o vizinho que não nos dá ‘bom-dia’ que comprou tudo aquilo?


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Da violência contra éguas e mulheres

Da violência contra éguas e mulheres

No vídeo, o cavalo está caído no chão, com as patas amarradas, e preso a um poste de madeira. Ele se debate, tenta se levantar – sem sucesso. Um gaúcho se aproxima – aquele bem caricato, com roupa típica, bigodão – e, com o chicote, espanca o rosto do cavalo. A cena é brutal. A pessoa que filma dá risadas. Pela voz, percebe-se que é uma mulher.

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Dos cachorrinhos de madame ou ‘Um puxão na Condessa’

Por Marcio de Almeida Bueno

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Então se convencionou que este animalzinho aqui, mas este aqui, ó, vai emocionar a todos nós com sua fofura fotogênica. Vamos todos emoldurar sua foto, compartilhar nas redes sociais, e ensinar às crianças o valor do amor aos animais – apontando-se para a imagem deste animalzinho aqui, ó. Para ficar bem claro. Haverá quem diga ‘parece gente, né?’, e ‘até faz parte da família’. Apontando para o animalzinho em questão, fofo, fotogênico e, vá lá, com melhor sorte que outros. Está valendo o quanto custou, pensa o pai que passou o cartão na hora da compra.

Claro que vejo meus vizinhos arrastando seus animaizinhos-fofos-da-família-que-parecem-gente-né pela calçada enquanto esses ainda estão tentando fazer cocô. “Vamos, Condessa!”, bradou esses dias uma vizinha sessentona, enquanto puxava seu animalzinho favorito, que ousava – vejam só o disparate! – dar uma cheirada protocolar maior que o instante suportado por sua ‘dona’. Tudo isso em um passeio matinal na calçada, com aquela paradinha obrigatória em cada gramado, árvore ou canto carimbado por si ou similares, em rondas anteriores. O amor à Condessa convertera-se em uma coleira-peiteira que permitia sua, digamos, proprietária, dar os puxões necessários para que a distração não durasse mais que o instante permitido. É necessário apurar, para chegar logo em casa e ligar a televisão ou postar imagens bonitas no ‘cara-livro’.

Não preciso dizer que, ao me ver vindo pelo mesmo passeio público, o puxão na Condessa foi especialmente vigoroso. Nunca entendi bem o porquê dessa tutela reativa que inclui um safanão bem dado cada vez que uma outra pessoa – estranha, talvez, como presumo que eu seja – se aproxime ou cruze pela mesma calçada. Alguns chegam a levantar o animalzinho pela coleira mesmo, embora eu lembre de só ter brincado de ‘forca’ com caneta e papel, até hoje.

Mas é como aquelas mães que estão sempre ralhando – …ah, esperei alguns anos para poder usar este verbo… – com o filho pequeno. ‘Para, João Felipe’, ‘larga isso, Cauã’, ‘já falei para não mexer nisso, Maria Cristina, tu vai ver quando o teu pai voltar’. A impaciência rivotrílica é bastante similar: talvez apenas a sacudida extra seja guardada para a privacidade e inviolabilidade do lar, para não ficar chato na frente do porteiro ou dar dor-de-cabeça com o Conselho Tutelar. Enfim.

O animalzinho que ora observamos, sortudo até, no comparativo da tabela, preenche como massa de parede aqueles visíveis buracos da meia-idade, da síndrome do ninho vazio, da viuvez, da falta de assunto entre cônjuges, da aporrinhação familiar “e da solidão das pessoas / dessas capitais”, como canta Belchior. Não todos, mas vejo o que vejo, e anoto aqui para fins de registro no caderno da vida. Ponto.

Um dia é dia de apanhar de jornal enrolado, outro é de ficar no Sol, outro é de ficar alguns dias no box do banheiro, ou esperando o resto da família voltar da praia, dias depois, outro dia é de espera, olhando pela janela. E às vezes a doença que chega no virar do calendário, a velhice, ou ambas de mãos dadas, caminhando com passos inicialmente miúdos, mudam a rota do animalzinho-fofo e lhe proporcionam – se não o apoio, o tratamento e o acolhimento misericordioso na hora do aperto final – a condição de presente para a faxineira, junto com umas roupas ‘que não servem mais em ninguém. Pode levar, Dona Fulana’.

Uma vida batida no martelo dos instantes, na gangorra do humor, na concessão de espaço, de comida, de cama quente. Ou castigo.

Fonte: ANDA 


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Festas de final de ano: não deixe tudo para a última hora

Por Marcio de Almeida Bueno

marcio de almeida buen natal frango

Então começou a vibração invisível que toma conta da maioria das pessoas, pela proximidade das festas de final de ano. A mídia bombardeia, as promoções lançam seus anzóis, chapeuzinhos de Papai Noel podem ser vistos em vitrines, e a palavra ‘panetone’ é escutada em conversas dentro do ônibus. Tenho horror a panetone, me parece um pão mumificado que só serve para presentear em amigo-secreto no trabalho. Ou para ser esquecido em um armário.

Eu não sei exatamente o que se apropria do HD mental de tanta gente ao mesmo tempo, mas vejo que o sistema sorri e palita os dentes, chupando os fiapinhos, satisfeito com o impacto de tsunami do consumo sobre o mercado. Uma família feliz parece estar obrigada a já se preocupar com o peru, tender, chester, bruster ou Frankstein similar. O carimbo de ‘vivemos bem mais um ano, né?’ só vale se houver uma ave peituda morta e temperada sobre uma mesa, senão é assumir o fracasso na vida. Meio-termo, nem pensar.

E a tradição, essa corrente em que todos incluem mais um elo antes de se prenderem, autoriza e justifica uma repetição chata, junto a parentes chatos e copos de cristal usados apenas uma vez ao ano, borbulhando no final de dezembro. Para combinar com o tamanho padrão do forno de cozinha, muito bebê-porquinho já entra no cadafalso que é para caber na bandeja, depois. Poupa-se de uma vida de engorda, confinamento, tédio & terror, merda & dor, porque os humanos decidiram que… digamos… ‘têm’ que comer porco na virada do ano porque o porco fuça para frente, ou qualquer outra frase-explicação séria candidata ao Nobel. Talvez a hipocrisia diminuísse 1% se essas pessoas todas assumissem sua superstição, TOC social e celebração pelo prazer do palato, ponto. Do que tentar dar contornos outros, risíveis para quem assiste a tudo isso de fora.

Não, eu não tomo parte. Me libertei, há alguns anos. Um processo desconfortável – pois todos os holofotes-perguntas-olhares voltam-se para si, mas que tem o efeito da bigorna deixada para trás, depois de muito carregar, do sapato apertado que finalmente é tirado do pé. Minha atitude terá traços de impacto a menos na marretada final em muitos animais, mas eu sou apenas um. Multiplicador, mas apenas um. Não vislumbro peru, não gasto em presente, não asso lombo, não produzo uma sacolada de lixo no dia seguinte à ‘festa’, não estouro champanhe no riso fácil, não pulo sete ondas nem escolho cor da cueca. Realmente é ridículo para quem vê de fora, e uma desgraça a menos para tantos animais cuja existência – desgraçada, no death row – é programada conforme as demandas das redes de supermercado.

Não, eu optei por não mais fazer parte dessa onda humana que se sente feliz & esperançosa conforme marca a data no calendário. Eu escolhi abrir mão de muita coisa, para não fazer o meu dinheiro pagar a marreta, a pistola pneumática, a gaiola, o brete, a ordenhadeira, o arreio, a facada, a degola, o ‘abate humanitário’, o ‘abate religioso’, a criação e procriação, a vida de tantos animais nascidos já como defuntos, o cronômetro em contagem regressiva para a morte e o estourar de champanhe. A última hora.

Fonte: ANDA / publicada em 23 de novembro de 2013


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O agradecimento dos animais pelo Natal ou ‘Hoje eu sou uma estrela’

O agradecimento dos animais pelo Natal ou ‘Hoje eu sou uma estrela’

Esqueça o oba-oba das lojas, os empurrões no trânsito e a expectativa de folga, bebida e comilança. Somente o olhar dos animais não humanos é verdadeiro, dentre o furacão que os engole com mais força, no final de cada ano. Os animais da pecuária encaram o fim de suas vidas – ‘eles nasceram para isso’ – enquanto contemplam o traseiro de um clone seu, nos bretes e corredores de concreto que antecedem a mesa farta preparada com tanto esmero pelas famílias de bom coração.

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Férias para alguns, gaiola e a ética do Lattes

Por Marcio de Almeida Bueno

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Chega o obrigatório final do ano e todo aquele que contribuiu para este nosso belo quadro social anseia por umas boas férias, uma parada estratégica na locomotiva que se exige para fins de viver. Praia, parentes, os pés para cima, bundar em casa ou similar.

Me preocupa se os também animais, porém não-humanos, entram nesse oásis de férias. Sai o porco do confinamento em meio à merda e pressão, para ver como é a grama lá fora, durante trinta dias? E outros exemplos fantasiosos.

O que quero dizer – antes de uma proposta bem-estarista de defeso para os que estão a engordar, ou a puxar carroça, ou a latir para os eventuais ladrões que possam entrar no pátio – é que naturalmente a grande maioria das pessoas ainda vê os animais como máquinas azeitadas. Basta enfiar combustível correto pelo orifício apropriado, e a coisa anda. Simples assim. Sem cansaço, stress, medo, dor, opressão, saudade, pânico, exaustão, LER/DORT, angústia, raiva, desespero, sensação de impotência, falta de vontade de continuar vivendo ou qualquer coisa aí que você possa mentalmente acrescentar a esta lista.

Sem parar para fumar um cigarrinho, o cavalo de carroça pode trabalhar os quatro turnos – manhã, tarde, noite, madrugada – sob rédeas de até quatro condutores diferentes, enquanto as pessoas dão palpite sobre o assunto, sem saber que o kit equino-carroça-chicote é alugado e sublocado. Coisas do capitalismo selvagem, aquilo que todos os homens de terno defendem, até o momento que vão mal das pernas e aí pedem ajuda ao Estado. Mas este é outro assunto, apesar de pegar os animais pelo cangote e só soltar, mortos e empacotados, depois que o cliente digitar a senha do cartão de débito.

Ou a cobaia de laboratório, esse animal que se diz salvar a vida de milhões de criancinhas doentes, embora isso só seja dito por quem – justamente, vejam só! – está encastelado nas cúspides dos institutos de pesquisa. A ética do Lattes. E, claro, por alguns marionetes da TV que deitam-rolam-e-se-fingem-de-mortos na esperança de ganhar um petisco ou um cafuné na cabeça.

O fato é que uma corrente bem presa, um pote d’água e uma telha velha são o ponto máximo de ‘direitos animais’ que muitos se permitem cogitar dar para seus cachorros – porque para si mesmo, a subserviência frente a um patrão faz parte da liturgia do trabalho. Não será o cão ‘que serve para cuidar do terreno’ que irá experimentar a liberdade – e lamber os beiços – que o humano-médio pensa ser apenas dos passarinhos.

E, para isso, comprou uma gaiola.

Fonte: ANDA


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O que você promete aos animais?

O que você promete aos animais?

Diz você a palavra amor como acessório indissociável a toda referência que faz ‘aos animais’? Algo difuso, para alguns escolhidos sortudos. Mesmo que ignore, ou faça vista grossa de fiscal corrupto à concussão e pressão contidos naquele café com leite, inocente, e na fatia de queijo que bem lembra a infância?

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Sobre ter um animal de estimação ou ‘Tenha fé, meu filho’

Por Marcio de Almeida Bueno

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Então há a posse, essa coisa que permite ao dono brincar de divindade com o animal de estimação. Comprei, paguei, achei, adotei, ganhei, prendi lá no fundo do pátio. Dou comida e água, ‘é bem tratado’. Mas às vezes o Deus dos animais acorda de ressaca, ou fica dois dias fora de casa, ou precisa descontar em alguém a raiva do patrão, esposa, sogra, presidente da República, time de futebol ou imposto. E há um fiel só, que reza em boa parte do dia, no fundo do pátio ou mesmo em cima do sofá, ‘como se fosse da família’. Pode sobrar castigo para esse devoto, ou não. A divindade chutou a porta, mas não o cachorro. Deu meia-volta e deixou comida para o gato, em plena saída para a praia.

Em ambos os casos, exerceu seu poder sobre a vida em quatro patas que sua vontade dita os desígnios. Um bom Deus, ou não. O que socorre ou o que deixa morrer embaixo do Sol – não por desconhecimento, mas por decisão. Um fiel ganha banho e tosa e lacinho nas orelhas, o outro ganha um osso quadrado do churrasco se tiver sorte. Ambos olham para cima e esperam o que virá. Objetos que comem e fazem cocô diariamente, mas com um papel pré-fixado desde o começo e esta é a hora de comer, este é o lugar para ficar, este não é o lugar para ficar, esta é a hora de latir para o ladrão, esta é a hora de não fazer barulho, seu desgraçado, que eu quero dormir.

E há divindades que escolhem sua rêmora pelo fetiche do que é fofo, do que cabe melhor no apartamento, do que é para patricinha, do que é para lutador de jiu-jitsu, do que está na moda – o pitbull de hoje já foi dobermann nos anos 80, que já foi pastor alemão nos anos 70. Só muda o nome de quem assina o cheque.

E os animais ainda estão presos à escolha do encaixe na vida das pessoas, ‘um cão bom para ter no sítio’, ‘um gato que não incomoda’, ‘um passarinho pra fazer companhia pra vó, tadinha, né?’. À espera de que seu destino, que não mais lhe pertence desde que viraram alvo, fotos de catálogo, nicho de mercado, escravos patetas que trabalham independente de condições. Anos à frente de seus focinhos, uma linha reta sem escolhas, mas o eterno aguardo pela mão divina que vai lhes tocar carinhosamente o cangote por alguns segundos. Se a reza foi com fé.

Fonte: ANDA


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