Alojamento de cavalo

Por Dr. phil. Sônia T. Felipe

Alexander Nevzorov, em seu livro The horse crucified and risen (publicado em 2014, 370 p.), estipula um estábulo de 20m2 para alojar cada cavalo, no inverno, e, no mínimo, 25m2 para alojar cada cavalo no verão. O piso deve ser emborrachado, para amenizar a inflamação dos cascos, e deve ter uma área aberta com piso de terra e areia para o cavalo passear quando está alojado, e sem qualquer material ou objeto (pedrinha pontuda, fragmento de metais, vidros, plásticos secos, arames etc.) que possa ferir o casco do cavalo.

A baia também deve permitir que o cavalo passeie durante a noite, se ele quiser, para atenuar o horror que é, para esse animal absolutamente dependente da liberdade, o impacto causado sobre sua mente por estar alojado em ambiente com paredes.

Esse espaço amplo para acolher o corpo do cavalo em suas horas de descanso e de sono, deve permitir que ele se deite de tal modo que nenhuma das partes do seu corpo fique numa posição de restrição.

A porta deve ficar aberta, para que o cavalo saia da baia, caso sinta calor, queira a chuva lavando seu pelo, ou se sinta em desconforto pelo confinamento. Alexander Nevzorov diz que essa história de ventiladores e ar condicionado são um desastre, pois não atendem de fato às necessidades naturais do cavalo, porque o sistema respiratório dele precisa mesmo é de ar puro, do ar que se renove por si a cada brisa, não de um ar artificialmente aquecido ou resfriado, injetado nos pulmões dos animais através de canalizações cujos filtros não recebem higienização e troca devidas, portanto, estão carregados de ácaros, fungos e outros patógenos ali depositados.

Quanto à higiene do piso, então, já descrevi em outro artigo, o Dormindo em cama de fezes, o horror que é, para um cavalo, ter que se postar sobre seus excrementos e urina, ou ter que comer no mesmo ambiente onde esses excrementos e urina ficam depositados, uma cena confirmada por foto tirada por um ativista defensor da abolição do uso dos cavalos para tração e atração turística em Paquetá.

No caso dos cavalos, eles até podem dormir em pé, é verdade. Mas essa é uma posição que eles guardam apenas quando precisam montar sentinela, quando se sentem ameaçados por algo ou alguém. Como é muito difícil para um cavalo pôr-se de pé repentinamente, no caso de um ataque ou assalto ao seu corpo por qualquer predador, sempre que ele está em alerta, com medo, com pânico de ser agredido ou destruído, ele não se deita para descansar. Também jamais faz isso sobre suas fezes ou as fezes de qualquer outro animal.

Do mesmo modo, cavalos não comem no mesmo lugar onde defecam, e, quando soltos, sequer pastam onde há excrementos, diferente dos bovinos que até podem comer excrementos sem se incomodar muito, razão pela qual botam excrementos de galinha na ração deles. Mas os cavalos têm um senso de separação, entre o que é para eles e o que é contra eles, muito desenvolvido.

Também, ao contrário das vacas, as éguas não comem a placenta dos recém-nascidos.

Quanto às patas, esse é outro horror. Tenho aqui o livro editado em 2014, Hoof care principles: a step by step guide to the basics, por Lydia Nevzorov, a mulher que acompanha, examina e descreve a fisiologia dos cavalos, mostrando as inflamações do corpo a partir da termografia computadorizada. Nesse livro estão editadas 597 fotos com as doenças das patas que ninguém pode ver num cavalo, a não ser que o ferre. E, ainda assim, essas anomalias podem passar sem serem vistas, quando lesam as camadas que formam a estrutura complexa da pata do cavalo.

As patas dos animais usados para tração e atração turística em qualquer cidade do Brasil e do mundo devem estar em estado de miséria, seja pela ferradura fora do lugar, seja por lesões antigas, seja por objetos perfurantes nos quais eles pisam ao trotar pelas ruas puxando carroças com turistas, cargas inertes, ou voltando para seus alojamentos. As patas são um caso à parte, do pior tipo de tortura que um animal pode estar sofrendo sem que ninguém possa ver, a menos que tenha treinado seu olhar para perceber o desbalanço dos movimentos do animal.

E tem as úlceras no estômago. Aqueles cavalos que babam grosso, uma espuma, em vez de saliva a escorrer pela boca, esses já não têm mais a saliva em sua composição normal equilibrada, o que vai evidenciar doenças no estômago, pelo desequilíbrio do pH. Segundo Alexander Nevzorov, as glândulas parótidas estão atrofiadas. A garganta dos cavalos fica ressecada durante o tempo em que o ferro é atravessado na boca do animal, porque os movimentos da deglutição não são mais possíveis de forma saudável e correta. Isso também lesa os pulmões, porque, estando ressecada a área por onde o ar passa, as partículas que teriam ficado coladas à mucosa úmida já não ficam ali e seguem diretamente para os pulmões.

E tem ainda as cangas nas quais eles são atados às carroças, causando lesões nas carnes logo abaixo da pele. Quando essas lesões são repetidas, pode formar escaras externas, o que as torna visíveis. Mas pode lesar apenas de dentro para fora e um dos sinais é a pele ficar meio despregada da carne, formando áreas assim, estranhas.

Enfim, são tantos os tormentos desses animais, e é tão grande a nossa ignorância desses tormentos, que, para que haja uma virada no destino desses escravos equinos, é preciso que os juízes se acerquem dessa vasta e pioneira literatura, para que possam ver e compreender o que, provavelmente, quase certamente, nunca pensaram que assim fosse.

Não adianta condenar carroceiros, charreteiros a cumprirem termos circunstanciados para “melhorar” (bem-estarismo ou reducionismo) as condições de vida desses animais. Não há como melhorar a vida de escravos (Não há bem-estar na vida dos condenados).

O sistema de escravização de equinos para tração e atração turística só funciona e dá lucro porque é miserável para os animais. Qualquer melhoria implica em diminuir a vantagem financeira obtida pelos humanos dessa exploração. E, nesse caso, essas melhorias acordadas nos “termos circunstanciados” não serão cumpridas, serão, mais uma vez, “para inglês ver”.

Se os carroceiros são tão pobres que precisam viver desse jeito, matando cavalos, como terão dinheiro para ampliar as baias, higienizá-las, dar de comer ao animal várias vezes ao dia, hidratar e deixar que descansem, enfim, como poderão cuidar dos animais, se não podem cuidar nem de si mesmos?

É uma incoerência pedir como solução para a tragédia da vida desses cavalos melhorias bem-estaristas. Primeiro, porque os carroceiros ou charreteiros não entendem nada do que estão fazendo com os animais, acham que estão fazendo a eles o que é natural e tradicional fazer. Segundo, se os charreteiros vivem da escravização de cavalos e não têm outros meios de ganhar a vida (algo questionável, porque são homens que podem assumir outro tipo de trabalho), eles não têm dinheiro para bancar as melhorias. Terceiro, porque, passados dois meses das melhorias determinadas em qualquer termo circunstanciado, essas pessoas recairão na forma de tratar os cavalos que ora vemos, por inércia moral, social, econômica e jurídica.

Não há melhorias que possam libertar os cavalos desse jugo cruel. A única saída é a abolição do sistema de tração e de atração turística equina em qualquer lugar.


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A terapia de choque na educação – parte 1

Por Ellen Augusta Valer de Freitas

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Minha experiência como professora nos seis anos em que trabalhei com jovens e adultos de uma escola particular mostra que alunos nessa faixa etária aceitam muito bem novas ideias, querem conhecimento novo e fresco, atualizado e contextualizado.

Trabalhei durante esse tempo com turmas de adultos que chegam cansados dos seus trabalhos e vão direto para a sala de aula. Apresentei-lhes o vegetarianismo, a realidade da alimentação convencional, com todas as suas críticas e pontos positivos. Fiz seminários e mostras de filmes. Trabalhos focados no interesse deles. Muitos dos alunos eram interessados na “alimentação saudável”, alguns queriam saber sobre os animais.

Na faculdade, um dos raros professores que me inspirava a ficar até o último minuto na aula dizia que todo aluno deve passar por uma “terapia de choque”, o choque com a realidade que ele não conhece. Somente assim é que ele pode aprender, ou pelo menos nunca mais esquecer. Eu fui uma das alunas que nunca mais esqueceu estas palavras, e lembro bem das inúmeras vezes em sala de aula que eu mesma me deparei com algo “chocante” demais, real demais, mas que era a nossa realidade sórdida.

A minha primeira pesquisa num lixão, para a cadeira de Antropologia na faculdade, foi um destes choques. Embora eu tivesse lido os livros mais revolucionários para minha idade, ainda desconhecia o paradeiro do lixo, depois que o descartamos. Foi algo que mudou minha vida e a forma como lido com isto.

O fato de o aluno deparar-se com o novo, com o polêmico, pode incomodar as pessoas mais conservadoras e até mesmo aqueles que pouco sabem de sua área para poder arriscar em assuntos mais interdisciplinares, como muitas vezes já ocorreu. É um grande risco falar de temas que envolvem grandes assuntos, interesses econômicos e os sentimentos das pessoas. O vegetarianismo é um tema assim. Incomoda por ter quase zero de contra-argumentos, é muito fácil argumentar a favor do vegetarianismo abordando a compaixão, a moral, a saúde humana e do planeta. Difícil é achar contra-argumentos.

Abordei diversos assuntos sempre incorporados ao cronograma da escola, sempre misturados aos conhecimentos da Biologia, esta ciência lindíssima, que basicamente está baseada nas ideias de Darwin. E posso garantir que as aulas ficam muito interessantes assim.

Não podemos ter a certeza de que aqueles alunos vão mudar seu estilo de vida. Assim como muitas coisas que ouvi de professores e que mudaram minha vida, não posso saber se tiveram o mesmo efeito nos meus colegas. Pois a mente humana tem muitas defesas, mas o professor tem obrigação de apresentar a verdade. Ou pelo menos o que não é exposto pela grande mídia, pelos interesses das grandes corporações.

Se pelo menos a reflexão do momento é boa, podemos ter esperança numa mudança gradual. Melhor do que nada, ou do que a mesmice que não muda a realidade.

Na próxima coluna, mostrarei alguns trabalhos apresentados e a reação dos alunos diante de coisas que eles jamais sabiam que poderiam existir.

Fonte: ANDA


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Feira Vegana Especial de Natal acontece no próximo domingo em Porto Alegre

No dia 07 de dezembro, domingo, das 11h às 21h, acontece a Feira Vegana de Porto Alegre Especial de Natal, na Casa Liberdade (Rua Liberdade, 553 – bairro Rio Branco – Porto Alegre/RS).

O evento contará com 17 expositores de produtos exclusivamente veganos, que comercializarão alimentos, cosméticos, produtos de higiene e limpeza, todos livres de crueldade animal.

Os grupos Bichos do Sarandi e Gatos da Redenção, que cuidam de animais carentes na capital, estarão promovendo um brechó beneficente. Um evento de adoção de animais abandonados será organizado pelo grupo Patas Dadas.

O coletivo Vanguarda Abolicionista estará distribuindo material educativo sobre direitos dos animais e orientando as pessoas acerca do veganismo.

A empresa Delivery Veg estará sorteando uma cesta de Natal, recheada de produtos veganos, para seus clientes.

Às 11h, acontece uma oficina de suco verde, oferecida pelo valor de R$ 10,00. Não é necessária inscrição antecipada.

Às 14h, acontece a palestra “Alimentação Veg, o remédio Divino”, com o terapeuta ayurvédico Radhanti Maharaj.

Às 16h, a psicóloga e ativista Eliane Carmanim Lima falará sobre “O mito da proteína animal, da bioquímica às ciências sociais”.

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Link do Evento: https://www.facebook.com/events/1517971001795149/?fref=ts.

Homem assassina sua cadela a golpes de pauladas em Patos de Minas, MG

Suspeito ficou irritado ao tentar separar a briga de dois animais e sofrer um ferimento na mão.

Por Carolina Caetano

Um homem de 36 anos foi conduzido à delegacia após matar sua cadela a pauladas, nesse domingo (30), em Patos de Minas, no Alto Paranaíba. O suspeito pode responder por maus-tratos.

De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar, após denúncias anônimas, militares deslocaram até um imóvel na rua Maria Borges Silva, no bairro Abner Afonso. Lá, encontraram a cachorra, da raça pastor alemão, já sem vida enrolada em uma lona.

Para a polícia, o homem contou que o portão de sua casa estava aberto quando um outro cachorro entrou no terreno e começou a brigar com seu animal de estimação.

O morador tentou separar a briga, mas teve um ferimento na mão. Irritado com a situação, o suspeito pegou um rodo e começou a agredir a própria cadela até a morte.

Uma veterinária compareceu ao local e constatou que o animal apresentava várias marcas de maus tratos. O homem foi encaminhado à Delegacia de Plantão de Patos de Minas.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o homem assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foi liberado.

Uma audiência será marcada em outra data.

Fonte: O Tempo

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Polícia apreende 14 armas e resgata 64 animais silvestres no Agreste de PE

Operação ocorreu em Canhotinho; armas estavam escondidas na mata. Animais foram avaliados pelo efetivo e depois foram soltos, diz Cipoma.

PE canhotinho gta 2A Companhia Independente de Policiamento do Meio Ambiente (Cipoma) apreendeu 14 armas no Agreste de Pernambuco. Por meio de denúncias, o Grupo Tático Ambiental (GTA) do Cipoma recebeu informações de que um grupo de caçadores ilegais de animais silvestres estaria agindo na região de Canhotinho. No lugar, o GTA encontrou as armas escondidas no meio da mata.

De acordo com o Cipoma, também foram resgatadas 63 aves silvestres e um tatu peba, que estavam em cativeiro. Os animais foram avaliados pelo efetivo e depois soltos. Já as armas foram levadas para a Delegacia Regional de Garanhuns. A operação foi realizada na sexta-feira (28), no sábado (29) e no domingo (30).

Fonte: G1

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Americano tenta agredir cão, leva várias mordidas e ainda vai preso

Caso ocorreu em Portsmouth, no estado de Nova Hampshire. Roger Pelletier invadiu apartamento, pois não aguentava latidos de cão.

O americano Roger Pelletier foi preso acusado de invadir um apartamento em Portsmouth, no estado de Nova Hampshire‎ (EUA), na tentativa de fazer o cão do vizinho parar de latir.

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Pelletier, no entanto, acabou levando várias mordidas do cachorro da raça Shih Tzu chamado Oreo.

Segundo a polícia, o acusado forçou a entrada do apartamento do vizinho, porque não aguentava mais os latidos constantes Oreo.

Pelletier teria tentado estrangular o cão, mas se deu mal e foi mordido várias vezes pelo animal. Ele acabou preso acusado de invasão e crueldade contra os animais.

Fonte: G1

Fukushima, dieta animalizada e biocidas

Por Dr. phil. Sônia T. Felipe

A contaminação nuclear mata quem está no epicentro da catástrofe no momento do acidente, e lesa de morte quem está mais distante dele, mas receberá a radiação pelo resto de sua vida. Sim. Leva uns 500 anos para ser eliminada depois de liberada. E ninguém viverá para ter os níveis diminuídos de seu corpo. Pelo contrário, alimentando-se de ‘peixes e frutos do mar’, já acumulamos mais e mais a radiação em nosso organismo.

No médio prazo, o primeiro órgão do corpo a sofrer as consequências da radiação nuclear assentada nos alimentos e nas águas é a tireoide. Também a medula produz suas células de modo anômalo e causa leucemia. Foi assim em Chernobyl. Está e será assim em Fukushima.

Desde que aconteceu o acidente, há três anos, nunca mais comi algas marinhas. Peixes eu já não comia fazia uns 12 anos, por ter me tornado vegana antes da virada do milênio.

Sabia, por conhecer o desastre de Chernobyl, que as águas dos oceanos estariam todas contaminadas. E ficaram. Já no ano seguinte ao da explosão nuclear das usinas de Fukushima, a contaminação havia dado a volta ao mundo através das águas oceânicas, o gesto mais abrangente, menos discriminador que o planeta já presenciou. Ninguém é discriminado numa catástrofe nuclear. E Fukushima supera Hiroshima e Nagasaki.

E todo mundo, aqui em nosso país, comendo peixes e “frutos do mar”, comendo “meu peixinho”, “minha ostrinha” e embalando sua consciência nesse bem-estarismo infantilizado. Todo mundo não querendo crescer, não querendo amadurecer, não querendo tomar decisão alguma que mexa nesse conforto miserável que o mercado de alimentos animalizados oferece.

E os japoneses não têm saída. Assim foi com o desastre de Chernobyl. Os russos não tiveram saída. Eu estava havia quatro meses no sul da Alemanha, em Konstanz, uma pequena cidade às margens do Bodensee, conhecido como Lago de Constança, para meu doutorado.

Vivi a contaminação de Chernobyl no corpo. No dia da explosão eu estava passeando com meu companheiro em Meersburg e era dia 26 de abril, um mês de primavera, o que lá não é nada em termos de calor. E eu falei para ele: “Notaste como hoje o ar está quente de forma estranha?” Ele não havia notado. Tenho uma sensibilidade térmica muito acentuada.

Quando chegamos em casa o alarme na TV. Explodira o reator. Alertas gerais por toda a Europa. Eu estava a uns cinco mil km de distância de Chernobyl e senti o calor no ar. Nos próximos dias a Universidade instalou um medidor de radiação no hall de entrada e não podíamos adentrar o prédio a não ser depois de subir no aparelho que parecia uma balança dessas de farmácia.

No meu corpo não havia contaminação, porque, seguindo a orientação do governo veiculada pelas TV’s, rádios e jornais (à época não havia internet), eu estivera em casa lendo e não me expusera ao ar externo a não ser para pegar o ônibus. Mas eu tinha uma aliança no dedo e ela estava contaminada com mais de 60 becquerels. Perguntei ao senhor vestido feito astronauta que controlava a medição quanto era tolerável e ele respondeu: Null. Zero. Tive que tirar o anel. Ele pediu que lavasse minhas mãos em água corrente por alguns minutos antes de entrar na biblioteca, para não tocar os livros com aquela radiação que estaria ali, agora passados 28 anos!

Colegas meus que haviam caminhado de casa até a universidade tinham nos tênis mais de 800 becquerels. Precisaram deixar seus calçados num saco impermeável e calçar tênis que a Universidade já havia providenciado. E muitos tinham as roupas contaminadas por essa coisa que leva 500 anos para desaparecer. Idem. Todo mundo se despindo e se despedindo de suas roupas.

E então, os médicos foram à TV e avisaram: não procurem os hospitais. Se algo maior acontecer, nós médicos estaremos tão contaminados quanto qualquer outra pessoa, porque não há antídoto, não há remédios, não há salvação. E foi com essa declaração dos médicos que o governo alemão tomou a decisão de fechar a usina nuclear que estavam construindo em Wackersdorf, na Baviera. Havia dezenas de alemães presos por lutarem contra a construção dessa nova usina nuclear na Alemanha. Foi decretada a soltura de todos eles. E aqui no Brasil, certamente, ninguém noticiou tal coisa. Estavam muito ocupados comprando leite em pó e toneladas de carnes contaminadas por Chernobyl, exportadas para cá. E milhares de pessoas perderam sua tireoide por extração devido ao câncer e doenças autoimunes, aqui no Brasil, nos últimos 15 anos. E quem se lembra que comeu carnes e leites contaminados com a radiação de Chernobyl? Os que sabem, calaram-se.

Hoje, tudo o que comem, produzido lá no Japão, ou já está ou estará contaminado.

E o mundo, em vez de produzir comida limpa para oferecer aos humanos, mata a vida ainda mais, produzindo com biocidas os grãos e cereais transgênicos que serão dados aos animais que serão comidos pelos humanos.

E o mundo não reage à Fukushima, porque todos estão de “orelha em pé”, porque uma fissão nuclear desencadeia outras e aqueles barris de água contaminada acumulados nesses três anos em Fukushima vão se rasgar não demora muito, pela fissão nuclear que mal e mal poderia ser contida caso os toneis fossem de chumbo.

Mas haja chumbo para milhões de toneis que seriam necessários para deter a fissão nos próximos 500 anos. Haja chumbo! Acabou a inocência e vai faltar perdão!


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Uma Páscoa para todos os animais

Por Marcio de Almeida Bueno

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– Ai, que horror! Jogando o peixe, ali, ele está vivo! – disse a esposa, chocada.
– É, mas o espetinho frito tu come… – respondeu o marido, com a mesma emoção de quem informa a hora certa.

Esse diálogo eu ouvi na tradicional Feira do Peixe de Porto Alegre, evento anual que antecede a Páscoa. Multidões acorrem ao local, e muitos mais passam por ali em função de ser instalada no coração do Centro da capital gaúcha, e os ímãs são ativados. Filas se formam para comprar espetinho de filé de peixe frito, tainha assada na taquara, e para ver os tanques com carpas vivas. O cliente pede ‘uma bem grande’, o funcionário apalpa às cegas como se procurasse algo perdido no fundo de uma caixa de gordura, e o produto é levado em uma sacola plástica, ainda se debatendo – prova de que é fresco, mesmo. A farra do peixe.

Quem assiste de fora esse estranho ritual, onde por dias as ruas são tomadas de indígenas – acho que imunes à fiscalização da Secretaria de Indústria e Comércio – vendendo cestos made in China. Abrindo um parênteses, se alguém aí está preocupado realmente com a cultura deles, deveria se mexer para proibir a venda de embalagens plásticas e produtos ‘R$1,99′ que nada têm a ver com artesanato, fecha parênteses. As lojas tornam-se tsunamis de pessoas que, via bullying, escolhem os melhores ovos e coelhos de chocolate. Supostamente há uma motivação religiosa e de jejum nisso tudo, mas não creio que alguma dessas pessoas possa me explicar isso claramente.

Se a intenção é presentear quem se ama, porque esperar uma data específica, quando todos os demais o fazem? ‘Agora é dia de exepressar os sentimentos, pessoal”. E a isso as pessoas chamam de liberdade – enfrentar fila para comprar um ovo doce embalado em papel alumínio, pelo irresistível motivo de que os demais também estão comprando. Nessa hora, ninguém lembra do que viu na televisão sobre Amazônia, aquecimento global, protocolo de Kyoto, ursos polares se equilibrando em blocos de gelo e novo Código Florestal. Azar dos animais que ainda são silvestres, pois seu lar sofre um constante estupro em nome não da fome de criancinhas miseráveis – argumento esse que ronda o remorso dos ingênuos, já devidamente incorporado ao discurso dos aproveitadores de ingênuos – e sim para queimar lenha na fornalha faminta dessa locomotiva chamada consumo. Se as pessoas não compram por iniciativa, toca-se o alarme de ‘Páscoa’, e os lemingues humanos agitam-se até as 23h59min do dia em questão.

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De outra sorte, quem é animal não-humano apenas sofre mais um tanto em cada uma dessas datas egoístas, digo, religiosas da humanidade. É peixe que tem que morrer sufocado pois a data pede ‘jejum’, é vaca leiteira no turbo de sua produção escravagista forçada, são os animais de criação sendo levados com mais rapidez para a guilhotina ‘humanitária’, feiras de filhotes desovando brinquedos-que-funcionam-sem-pilhas para as famílias ‘que amam animais’, é o almoço do domingo de Páscoa unindo familiares em torno de um caixão de crematório, acompanhado de arroz e salada.

Uma lágrima escorre.

Mas há quem se permita sair dessas filas, furar o bloqueio, olhar para os lados quando todos acham que marcham para a frente, cuspe fora seja lá o que o sistema tenha lhe colocado na boca, e sugerido a mastigação. Nenhum raio caiu na cabeça desses corajosos, apesar dos olhares tortos dos demais, e dos comentários tortos deixados em textos publicados na Internet.

A ironia mórbida da Páscoa é que a morte de milhões de animais como sacrifício – veja como ainda estamos com parte do cérebro morando nas cavernas – é ricamente ilustrada com imagens de animais felizes, coelhos dentuços sorridentes convidando à compra de afeto – ‘aceitamos todos os cartões’.

Fonte: ANDA (artigo publicado originalmente em 06/04/2012)


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Empresa aérea cedeu à pressão de ativistas e se negou a transportar golfinhos para cativeiros

Por João Lara Mesquita

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A United Airlines, terceira maior companhia aérea dos Estados Unidos, se tornou a mais recente empresa contra o cativeiro de baleias e golfinhos. De acordo com o site The Dodo, a companhia se negou a transportar os animais em suas aeronaves.

A empresa enfrentou duras críticas nas últimas semanas por transportar mamíferos marinhos ao redor do mundo – uma petição pedindo o fim da prática no site Change.org ganhou mais de 6.000 assinaturas, enquanto que uma coalizão de ativistas dos grupos “Voices for the Taiji Dolphins” e “Voices from the Sea” se uniram para atingir várias companhias aéreas em nome dos 274 cetáceos vivos que foram transportados em todo o mundo no ano passado.

Agora, o Cetacean News Network informa que a United deixou oficialmente de transportar baleias e golfinhos.

Segundo a assessoria da própria companhia:

“A United Cargo não aceita ou transporta golfinhos ou baleias de qualquer lugar, por qualquer motivo. Golfinhos e baleias transportados para, de ou entre santuários, aquários, parques e zoológicos marinhos, estão incluídos na proibição total do transporte desses animais.”

Outras  petições também foram organizadas contra Korean Air, ULS Airlines Cargo, Asiana Airlines, DHL, Fedex e Nankai Express.

A WDC (Whale and Dolphin Conservation) argumenta que os animais transportados sofrem grande estresse, e muitos deles são selvagens e capturados em caças cruéis como as de Taiji, no Japão.

Ainda de acordo com a WDC, dados científicos revelam que o estresse de transferência e de adaptação a um novo ambiente cativo pode representar um sério risco para a saúde e bem-estar desses animais.

Enquanto mais de 50 companhias aéreas já se comprometeram a não transportar os golfinhos vivos, muitas ainda não tomaram tal atitude.

Assine a petição e exija que empresas aéreas não sejam cúmplices do sequestro de animais marinhos.

Fonte: Mar Sem FIm

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Acordo entre MP e Prefeitura quer solução para animais abandonados em Buritama, SP

Cenas que foram registradas pela Promotoria e que integram inquérito civil.

Por Amanda Lino, da Folha da Região

SP buritama imagemA presença de cães e gatos abandonados pelas ruas de Buritama resultou em um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) entre o Ministério Público e a Prefeitura. Assinado no último dia 21, o documento tem como objetivo obrigar a administração municipal a adotar uma série de medidas para impedir que a situação continue, prejudicando os próprios animais e a população que convive com eles. O prazo limite é até julho de 2016.

“A questão dos animais abandonados envolve não só a proteção ao meio ambiente saudável, cujo conceito abrange a fauna, como também a saúde pública de toda população de Buritama”, informou o promotor de Justiça do caso, João Paulo Serra Dantas. Ainda, de acordo com ele, a concretização do TAC pela administração municipal evitará o ajuizamento de uma ação civil pública.

Devido à falta de estrutura do município para lidar com o problema, o TAC lista 27 itens a serem cumpridos pela Prefeitura para sanar as irregularidades quanto ao trato com animais domésticos. O primeiro diz que o poder público deve construir um Centro de Controle Populacional de Cães e Gatos junto ao Departamento de Zoonoses, com estrutura adequada, funcionários capacitados ao atendimento e demais cuidados visando recolher e receber todos os cães e gatos abandonados.

A segunda obrigação também está relacionada ao futuro Centro e diz que ele deve ser aparelhado adequadamente e com funcionamento aos finais de semana. O espaço deverá tratar, vacinar, esterilizar e identificar os animais, destinando-os à adoção ou lares substitutos. Neste caso, o termo diz que o serviço pode ser desempenhado por meio de parceria ou convênio com alguma entidade.

Além disso, o acordo também estabelece a recolha, cadastro, castração e tratamento veterinário, incluindo a vermifugação, que garanta a saúde do animal. Essas primeiras medidas devem ser cumpridas até o dia 31 de julho de 2016.

Fonte: Jornal Dia a Dia