Anvisa chancela 17 métodos de pesquisa que evitam testes em animais

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou que vai publicar, nesta quarta-feira (3), uma resolução em que oficializa a utilização de 17 métodos de pesquisa em laboratório alternativos a testes com animais usados para garantir segurança e eficácia aos medicamentos e produtos da área da saúde.

Esses métodos avaliam, por exemplo, o potencial de irritação e corrosão da pele com uso de pele humana reconstruída em laboratório. Outro deles é um método que usa células em cultura para avaliar eventuais danos de substâncias ao DNA.

Essas mesmas metodologias já haviam sido aprovadas, no final de agosto, pelo pleno do Concea (Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Além dos 17 procedimentos aprovados, outras duas metodologias –identificadas pelas siglas OECD GD 129 e OECD TG 487– permanecem sob avaliação da Anvisa.

Segundo o ministério, uma resolução será publicada, nos próximos dias, reconhecendo esses testes alternativos e dando um prazo de até cinco anos para a total substituição da metodologia no Brasil.

Fonte: O Tempo

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‘Antes era um experimento, agora é um cão’, diz tutora de beagle do Royal

Cães precisaram passar por adaptações, segundo os novos tutores. Inquéritos sobre a invasão e os maus-tratos ainda estão em andamento. 

Por Natália de Oliveira

À primeira vista, Tutuca parece uma cachorrinha qualquer. Carinhosa, adora um cafuné, brinca, corre, late. Mas não foi sempre assim: seis meses atrás, ela era um dos 178 beagles que foram furtados durante uma invasão de ativistas ao Instituto Royal, laboratório localizado em São Roque (SP), a 59 km de São Paulo, que era acusado de maus-tratos a cães durante experimentos de produtos farmacêuticos.

As pessoas que ficaram com os animais, e que preferem não se identificar porque podem responder na Justiça por invasão e furto, entre outros crimes, contam que esses beagles tiveram de passar por um longo processo de adaptação até se tornar cães “de verdade”.

“Ela chegou bem judiada, sem alguns dentes, unhas sangrando, não comia e água só tomava na seringa. E ela ainda não latia, a gente até achou no começo que ela não tinha as cordas vocais. Ela estava muito traumatizada, só ficava escondida em um canto. Hoje ela é um cão. Antes ela era só um experimento, agora come, bebe, brinca e late”, conta a tutora de Tutuca.

Na tentativa de driblar a falta de apetite da beagle, ela precisou usar a criatividade. “Eu batia a ração no liquidificador, misturava com água morna e dava na mão”, explicou a tutora. Segundo ela, Tutuca tremia sempre que via um homem – ainda hoje, fica agitado e reage com muitos latidos para qualquer um.

Outro cão que foi retirado do Instituto Royal é o Batatinha. De acordo com a sua nova tutora, que também não quer se identificar, por ser um filhote, o cão provavelmente não havia ainda sido submetido a testes. “Assim que eu o peguei, o levei para o veterinário, ele passou por uma série de testes, retiramos o chip do laboratório e, graças a Deus, nada foi diagnósticado. Eu costume dizer sempre para ele que a ‘mamãe’ salvou a sua vida”, conta.

Encerramento do Instituto Royal

Depois das invasões no laboratório, que resultaram no furto de 178 beagles, sete coelhos e mais de 200 camundongos, além da destruição de diversos arquivos de pesquisas que estavam sendo realizadas, o Instituto Royal anunciou o encerramento de suas atividades em São Roque (SP) no dia 6 de novembro. A informação foi divulgada em comunicado enviado pela assessoria de imprensa do laboratório.

No comunicado à imprensa, o laboratório relaciona o encerramento das atividades às “elevadas e irreparáveis perdas” que sofreu com a ação dos ativistas, o que significou “a perda de quase todo o plantel de animais e de aproximadamente uma década de pesquisas”. A empresa também atribui a decisão à crise na segurança, que coloca “em risco permanente a integridade física e moral de seus colaboradores”.

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Segundo o laboratório informou na época, cerca de 85 funcionários, entre médicos veterinários, farmacêuticos, biólogos e biomédicos, foram desligados da empresa. “O prejuízo causado ao Instituto Royal não é mensurável. Mas é certo que o Brasil inteiro perde muito com este episódio”, concluiu o laboratório por meio de nota.

Com mato alto e portões trancados, o prédio que servia de sede do laboratório em São Roque foi encontrado totalmente abandonado. A reportagem do G1 entrou em contato na quinta-feira (17) com a diretoria do Instituto Royal para comentar as atividades do laboratório após a invasão, mas ninguém quis se pronunciar alegando questões de segurança.

Investigação policial

A Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Sorocaba (SP) está responsável por cuidar de dois inquéritos que foram instaurados para apurar o caso do Instituto Royal: um sobre a invasão e o outro, em conjunto com o Ministério Público, sobre as denúncias de maus-tratos.

De acordo com o delegado da DIG, José Urban Filho, os dois inquéritos devem ser concluídos em um prazo de 60 dias. “As investigações estão correndo em segredo de Justiça e, por isso, não podemos revelar detalhes. Apenas que 11 pessoas foram identificadas até agora, algumas já foram ouvidas e outras, que não moram na cidade, estão sendo convocadas através de carta precatória”.

Com relação aos crimes que cada uma das pessoas identificadas que participaram da invasão vão responder, o delegado explica que cada caso será avaliado individualmente, já que as pessoas tiveram participações diferentes, mas podem ser considerados os crimes de invasão de propriedade, depredação de patrimônio privado, receptação e furto dos animais.

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Relembre o caso

Após denúncias de maus-tratos em animais usados em pesquisas e testes de produtos farmacêuticos – incluindo cães da raça beagle, camundongos e coelhos -, ativistas passaram a fazer protestos em frente ao Instituto Royal a partir do dia 22 de setembro do ano passado.

Os manifestantes acusaram o instituto de usar metódos cruéis na realização de experimentos. No dia 12 de outubro, ativistas se acorrentaram no portão da unidade e prometeram ficar no local até terem uma lista de reivindicações atendidas. Na época, representantes do laboratório conversaram com os manifestantes, mas, segundo uma das organizadoras do protesto, não houve acordo. 

Uma reunião foi marcada entre ativistas dos , funcionários da Prefeitura de São Roque e representantes do laboratório no dia 17 de outubro, mas foi cancelada porque o Instituto Royal informou que, por uma questão de segurança, não mandaria um representante. Diante da situação, os ativistas registraram um boletim de ocorrência de denúncia de maus-tratos

O movimento ganhou adesões após boatos se espalharem nas redes socias de que o Instituto Royal estava preparando a retirada e o sacrifício dos animais da unidade. A informação foi divulgada pelos ativistas que estavam de plantão em frente ao laboratório e viram três vans e um caminhão de pequeno porte entrarem no laboratório.

Na madrugada do dia 18 de outubro, cerca de 100 ativistas quebraram o portão e invadiram o instituto. Com carros particulares, os ativistas retiraram do local 178 beagles e sete coelhos, além de destruir boa parte das pesquisas do laboratório que estavam armazenadas em arquivos do escritório.

Na época, o Instituto Royal afirmou que realizava todos os testes com animais dentro das normas e exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que a retirada dos animais do prédio prejudicava o trabalho que vinha sendo realizado. Segundo o laboratório, que classificou a invasão como ato de terrorismo, a ação dos ativistas vai contra o incentivo a pesquisas no país.

Por fim, um protesto contra o uso de animais em pesquisas, realizado no dia 19 de outubro, na rodovia Raposo Tavares, terminou em confronto quando black blocs se misturaram a ativistas. Três carros, sendo dois da imprensa e um da Polícia Militar, foram queimados, e seis pessoas foram detidas. A tropa de choque da capital teve que ser acionada para combater o tumulto e reabrir a rodovia ao tráfego.

Na madrugada do dia 13 de novembro, depois que o Royal havia encerrado oficialmente suas atividades, outro grupo voltou a invadir o local e, desta vez, levou os ratos de pesquisa que haviam sido deixados lá. Durante a invasão, seguranças foram agredidos e amarrados pelo grupo.

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Fonte: G1

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Simulador de cachorro é usado em curso de Veterinária de universidade de Santos, SP

Os alunos do curso de Medicina Veterinária do Unimonte, em Santos, estão usando uma tecnologia inédita na região que os aproxima da realidade que encontrarão nas clínicas veterinárias. Trata-se do manequim simulador de cão, equipamento importado que simula um cão de grande porte.

Composto por produtos como borracha, silicone e até pelúcia, para chegar o mais próximo possível da realidade, ele reproduz vias aéreas (traqueia, esôfago e epiglote), vasos, pulmões ativos e pulso simulado, permitindo a colocação de tubo endotraqueal, treinamento de ressuscitação, compressões torácicas e colocação de talas e bandagens para simulação de tratamento de fraturas.

Os alunos podem treinar acesso venoso, ressuscitação cardiopulmonar, palpação de pulso, intubação, ventilação, além de realizar imobilizações de membros e treinar o atendimento de um trauma, situação corriqueira na prática clínica e que requer muito treinamento para a condução adequada.

A coordenadora adjunta do curso, Tatiana Carvalho, afirma que é inviável treinar alguns procedimentos em animais que mortos, pelas mudanças físicas que ocorrem após o óbito. “Por exemplo, treinar coleta de sangue ou aplicação de medicamentos na veia é impossível em animais nesse estado. Sendo assim, a aquisição de um simulador permite o treinamento intensivo de forma a não prejudicar animais vivos e, ao mesmo tempo, prepara esses futuros profissionais para a vivência clínica”, destaca.

Fonte: Tribuna On-line

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‘Uso de animais para estudar doenças e testar drogas para uso humano é um grande erro’

Especialista em cardiologia nuclear e diretor do Comitê Médico Pela Medicina Responsável, John Pipp afirma que é possível parar com os testes agora

 Por Ana Freitas 

O uso de animais em testes científicos e pesquisas acadêmicas poderia ser interrompido hoje mesmo sem nenhum ônus para o avanço científico: essa é a opinião do Dr. John Pippin, diretor de negócios acadêmicos da associação americana PCRM (sigla em inglês para Comitê Médico Pela Medicina Responsável), sobre o uso de animais em pesquisas laboratoriais e acadêmicas.

O PCRM tem mais de 150 mil médicos e civis associados nos EUA e, desde 1985, defende uma medicina mais responsável e ética, e isso inclui a divulgação da importância da nutrição preventiva – em vez da prática de receitar drogas aos pacientes para corrigir problemas que poderiam ter sido evitados através de uma alimentação correta, por exemplo – e o fim do uso de animais em testes laboratoriais e pesquisas acadêmicas, entre outras coisas. De acordo com o PCRM, os resultados de testes com animais são tão imprecisos e incompatíveis com a maneira como o organismo humano reage que não faz sentido continuar submetendo os animais a eles. Para eles, não funciona, e se não funciona, não deveria estar sendo feito mesmo que não tivéssemos outras alternativas.

Em entrevista à GALILEU, John Pippin, especializado em cardiologia nuclear com mais de 70 artigos científicos publicados, falou sobre a ineficiência desse tipo de teste, as possíveis alternativas e sobre o caso do Instituo Royal.

GALILEU: Qual é a sua opinião sobre o uso de animais em pesquisas acadêmicas e testes laboratoriais?

Minha posição é que é errado sob todos os aspectos. É errado por razões éticas, e eu posso dizer isso, com autoridade porque eu já participei de pesquisas que testavam em animais, então posso dizer que, mesmo nas mãos de pessoas que cuidadosas e carinhosas, é horrível, cruel, e muitas vezes fatal para os animais que são usados nesse tipo de pesquisa. Essa é a questão ética.

A questão científica é que está provado que o uso de animais para estudar doenças humanas e testar drogas para uso humano antes que eles sejam mandadas para teste clínicos em pessoas é um grande erro. Os resultados geralmente têm uma aplicabilidade muito baixa em seres humanos, e é um sistema que claramente está demonstrado que não é eficaz, não prevê os resultados em organismos humanos, consome grandes recursos financeiros e produz poucos, quando nenhum, benefícios para pacientes.

Do ponto de vista científico, é errado porque não funciona. E do ponto de vista moral, é errado porque é cruel e fatal para os animais nos laboratórios.

Então porque os testes ainda são largamente usados por pesquisadores?

Há três grandes razões pelas quais isso continua e elas são dinheiro, dinheiro e dinheiro. As pesquisas em animais para doenças humanas, ao menos nos EUA, acontecem em universidades e ambientes acadêmicos, e essa pesquisa é paga por dinheiro público. Esses institutos gastam todo ano cerca de 13 bilhões de dólares em pesquisas usando animais. Obviamente isso é muito dinheiro, muitas grandes universidades nos EUA – Harvard, Yale, entre outras – ganham muito dinheiro para conduzir essas pesquisas. E sem esse dinheiro, carreiras e construção de infra-estrutura estariam em perigo. Há grande resistência no uso de animais em pesquisa porque é lucrativo.

Por que o governo continua a colocar dinheiro em algo que não funciona?

Eles não concordam que não funciona: eles acham que as vezes funciona, ou às vezes não funciona e que se esperarmos o suficiente, coisas que não funcionam agora funcionarão no futuro. Isso é nonsense. No caso dos EUA, por exemplo, o povo está pagando por essas pesquisas merece ver resultados que beneficiem sua saúde e bem-estar, e isso não está acontecendo.

Outra razão pela qual o governo continua a gastar dinheiro nisso é que as pessoas que tomam essas decisões são, eles mesmos, pesquisadores que usam animais nos testes, gente que acredita nisso. É por isso que pesquisa animal para doenças humanas continua.

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E na indústria farmacêutica? Se o senhor afirma que esses testes são ineficientes para prever resultados em organismos humanos, por que eles continuam sendo feitos?

As empresas farmacêuticas estão interessadas em apenas uma coisa: ter os remédios aprovados pelo FDA (Foods and Drugs Administration, a vigilância sanitária dos EUA) para que sejam usados em humanos. A maneira mais fácil de fazer isso é dar ao FDA resultados de pesquisas com animais, porque o FDA está acostumado a ver resultados baseados nesse tipo de pesquisa, e é através de testes em animais que eles frequentemente aprovam testes em humanos.

E apesar disso, o próprio FDA já admitiu que testes em animais não são capazes de prever o comportamento do organismo humano diante de uma droga. 92% de todas as drogas testadas com sucesso em animais, e depois em humanos, falham de alguma forma [fonte]. Isso não é ciência, é bruxaria. Não deveria ser financiada e apoiado pela FDA, é uma fraude, e uma fraude que acontece por causa de dinheiro. Companhias farmacêuticas estão entre as maiores dos EUA, as mais ricas. O frustrante é que o FDA sabe que não faz sentido.

E quais são as alternativas mais eficientes ao teste com animais?

O princípio fundamental de achar alternativas melhores à política falida de usar animais é usar um sistema que se aplique a humanos.

Usando tecidos humanos, você consegue resultados que se aplicam a humanos, e você não precisa adivinhar se o que aconteceu com o rato também se aplica a humanos. É possível usar um tecido do fígado, colocar em contato com uma droga pra ver se vai causar algum câncer. Há vários tipos de tecidos possíveis, mas as amostras mais avançadas são ambientes tridimensionais, como partes de cânceres ou partes de tecido humano. E a área mais promissora nesse sentido é a de células tronco.

Hoje é possível obter células tronco que podem ser programadas para se tornar qualquer tecido que você queira a partir de outros tecidos. Dá pra criar corações, fígados, pulmões. Já foram criadas bexigas humanas a partir de células tronco. Isso mostra o potencial de usá-las para estudar o efeito de drogas e químicos em tecidos humanos. Há também métodos baseados em software: são vastos bancos de dados armazenando informações sobre o comportamento do organismo humano em geral e o que se observou até hoje que funciona e não funciona. É possível observar como uma droga influencia nos genes de alguém e pode vir a causar uma doença no futuro, ou como certos genes podem gerar uma pré-disposição para algumas doenças caso interajam com drogas. Empresas farmacêuticas já usam isso, porque eles sabem que funciona. Mas eles também usam testes em animais porque é isso que o FDA está acostumado a receber.

Se eu entendi bem, sua opinião então é que, se não funciona, não deveríamos nem nos preocupar em substituir o processo atual com alternativas, mas sim parar completamente?

Exatamente. Quando as pessoas me perguntam “mas se não usarmos animais, o que vamos fazer? Temos que fazer algo, não podemos dar remédios pras pessoas sem testá-los”, minha resposta é “Olha, se não funciona, consome seus recursos, usa dinheiro do contribuinte e prejudica as pessoas, como drogas como o Vioxx fizeram [Vioxx foi um anti-inflamatório testado com resultados inócuos em animais, mas que depois, no mercado, chegava a triplicar o risco de morte por ataque cardíaco nos pacientes. Foi retirado de circulação nos EUA em 2004], então temos de parar!

Mesmo que não façamos nada alternativo, vamos parar. Não está funcionando”. E aí eu digo que, poxa, ainda por cima há sim alternativas se a gente quiser usá-las.

Você ouviu falar do caso do caso do laboratório brasileiro que foi invadido por ativistas?

Dos beagles, não é? Sim, esse caso foi bastante repercutido nos EUA. Me entristece que as pessoas sejam obrigadas a agir fora da lei para fazer aquilo que acham que é certo. Essas pessoas são corajosas. Elas estão se arriscando por algo que sabem que é justo e não têm ninguém para protegê-las. Os beagles têm gente como elas.

Em quanto tempo você acha que os EUA vão parar de fazer testes em animais?

Acho que passamos do ponto em que pessoas discutem se pesquisas animais são abordagens científicas confiáveis. Todo mundo entende que não é. Gente como eu entende que essas pesquisas não têm valor nenhum, e outras pessoas da área acham que a abordagem é falha mas que de vez em quando ela traz alguns resultados úteis, e portanto têm que continuar fazendo.

Já passamos da parte em que provamos que testar em animais não é certo. Já estamos no caminho em direção a achar maneiras melhores de fazer isso Porque essa indústria não tem ética e só se preocupa com votos e dinheiro, eu diria 10 a 15 anos. E isso é porque demora um tempo até convencer a FDA que eles estão fazendo algo errado, mesmo com o comitê de ciência e o congresso dizendo que eles estão fazendo tudo errado.

Fonte: Revista Galileu

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Corpo humano artificial quer acabar com testes feitos em animais

Por Marcelo Venceslau

Um grupo de cientistas liderado por Rashi Iyer no Laboratório Nacional de Los Alamos, nos Estados Unidos, está perto de finalizar um corpo humano artificial para realizar testes de toxinas que atualmente são feitos em animais.

O projeto da iniciativa Athena, “Advanced Tissue-engineered Human Ectypal Network Analyzer” (Reprodução de Tecido Humano Avançado em Rede de Análise, em tradução livre) é composto por um fígado sintético, coração, pulmão e rim que têm aproximadamente o tamanho de uma tela de smartphone e funcionam como os órgãos humanos. No futuro, os cientistas querem que o corpo seja mais completo: conectado por vasos sanguíneos e revestido por tecidos orgânicos, como se fosse uma pessoa real. O objetivo é ter um pulmão que respire, um coração que bombeei, um fígado que metabolize e um rim que excrete — tudo isso ligado a uma estrutura de tubulação semelhante à vasos sanguíneos conectando os órgãos.

O uso de sistemas que simulam órgãos e reações químicas por chips já é usado para imitar órgãos individuais, mas a diferença é que o projeto Athena usa criações sintéticas conectadas. Com isso, é possível ver como alguns medicamentos afetam o nosso organismo como um todo, e não fazer apenas testes para regiões específicas do corpo.

O projeto ainda não está salvando beagles em testes de produtos farmacêuticos, mas promete ser uma boa alternativa para o futuro.

Fonte: Info Online

(Foto: divulgação)

Merck anuncia que irá parar de fazer testes em chimpanzés

A indústria farmacêutica Merck & Co. está se juntando a dezenas de outras companhias e laboratórios que se comprometeram a não usar mais chimpanzés em pesquisas. A Merck, que é a terceira maior companhia farmacêutica do mundo, também foi a maior a fazer a mudança até então. As informações são do The Motley Fool e do Associated Press.

A tendência crescente pode significar que aproximadamente mil chimpanzés nos Estados Unidos que são explorados para pesquisas e presos há anos em gaiolas de laboratório poderão ser “aposentados” e enviados para santuários até 2020.

A opinião é de Kathleen Conlee, da Humane Society, que começou um trabalho há sete anos para que as empresas descontinuassem toda e qualquer pesquisa envolvendo o uso desses animais. Esse movimento foi guiado por avanços tecnológicos, novos métodos substitutivos e pressão de grupos de direitos animais, ao National Institute of Health (NIH) e ao Congresso americano.

Em junho do ano passado, em reação a um estudo do Instituto de Medicina solicitado pelo Congresso que concluiu que toda pesquisa feita em chimpanzés é desnecessária, o NIH anunciou que iria aposentar e encaminhar aproximadamente 90% dos chimpanzés tutelados pelo estado para pesquisas ao santuário Chimp Haven, em Keithville (Louisiana). O local abriga atualmente cerca de 160 chimpanzés, e mais 60 devem chegar em breve.

Após muitos anos, o NIH planeja decidir se os aproximados 450 chimpanzés remanescentes em laboratórios do governo poderão também ser removidos para santuários. ”A tentativa de parar com o uso desses primatas em pesquisas tem constituído um longo percurso, e nós estamos agora em um momento decisivo”, disse Conlee ao Associated Press. “Nós vamos continuar trabalhando até que todos os chimpanzés que hoje estão em laboratórios estejam em santuários”, concluiu ela.

Caroline Lappetito, porta-voz da Merck, disse que a companhia – com sede em Whitehouse Station (Nova Jersey) – decidiu no ano passado parar de fazer pesquisas em chimpanzés e optar por formas alternativas. ”A ciência avançou, e nós realmente não precisamos disso”, afirmou Lappetito.

Empresas que produzem remédios e produtos de consumo como cosméticos sempre usaram animais alegando testar “segurança” e “eficácia”. No caso de remédios experimentais, produtores de medicamentos devem testar em animais antes que a Food and Drug Administration (FDA) permita testá-los em humanos.

Praticamente todos os experimentos em animais nos Estados Unidos envolvem camundongos, ratos e porquinhos-da-índia, embora alguns utilizem cães e grandes primatas, no caso, quase sempre chimpanzés.

Mas este tipo de pesquisa há muito tempo tem atraído críticas de grupos defensores de direitos animais, incluindo protestos fora de laboratórios e nas reuniões anuais de acionistas. Além de denunciar a prática desumana, os ativistas alegaram e comprovaram que os animais estavam sendo abusados.

Muitas empresas argumentam que é necessário testar medicamentos potenciais e vacinas em primatas não-humanos pois eles precisam de um animal com anatomia e doenças muito similares às de pessoas. Esse pensamento mudou conforme o avanço da tecnologia permitiu aos pesquisadores aplicar testes iniciais via simulações de computador, em bactérias ou em células.

A empresa britânica GlaxoSmithKline PLC foi a primeira a parar de fazer pesquisas em chimpanzés, em 2008. ”A pesquisa que fazíamos neles era mínima, mesmo antes disso”, disse a porta-voz Melinda Stubee.

Uma vez que os chimpanzés usados para a pesquisa médica comercial geralmente são confinados nos laboratórios de companhias contratadas, Conlee disse que a Humane Society está tentando convencer estas empresas de que não haverá demanda suficiente que justifique continuar mantendo estes animais para trabalhos futuros. Ela espera que elas contribuam financeiramente para enviar os chimpanzés a qualquer um dos cinco santuários americanos que hospedam primatas que foram explorados em pesquisas.

Fonte: ANDA

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A revolução dos bichos

A luta de um estudante de Biologia para abolir as experiências com animais nas universidades.

Por Luciana Vicária

RS portoalegre 01478037500Os ratos provavelmente seriam guilhotinados. Ou talvez morressem depois de um procedimento chamado deslocamento cervical: uma das mãos do pesquisador pressiona uma pinça sobre a nuca do animal, enquanto a outra puxa o rabo para trás. Em último caso, os ratos seriam colocados em um saco preto com algodão embebido em éter. Suas mucosas queimariam dolorosamente. Esses ratos são filhotes de fêmeas usadas em experimentos científicos. Pelo procedimento-padrão, seriam sacrificados. Mas esse não foi o fim dos 14 ratos de um laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O estudante de Biologia Róber Bachinski, de 21 anos, salvou os bichos. Atravessou Porto Alegre de ônibus com duas caixas de sapato sobre as pernas. Levou os ratos para casa. Ficou com quatro e distribuiu os outros entre alguns amigos. Bachinski passou a cuidar dos bichos como se fossem de estimação. Mandou fazer uma gaiola de três andares, comprou ração balanceada e bolinhas para brincar. Os ratinhos ganharam até coleiras para passear no parque. Era março de 2006. Hoje, restam apenas dois, doentes terminais, na casa de Bachinski.

A mobilização de Bachinski não foi só um ato isolado de indignação. O estudante está prestes a mudar a forma como as universidades brasileiras lidam com os animais de laboratório. Há dois anos ele abriu um processo contra a UFRGS, alegando ser inconstitucional a obrigação de assistir às aulas que contrariem seus princípios éticos. O termo jurídico para isso é objeção de consciência, uma forma de resistência pacífica à ordem superior. Na semana passada, o Ministério Público Federal publicou parecer favorável a Bachinski. É o primeiro caso como este no país.

Bachinski é contra o uso de animais para pesquisas nas universidades, principalmente quando isso envolve abrir um animal vivo, prática conhecida como vivissecção. Ele não sustenta suas idéias com argumentos religiosos. Ateu, apela para o direito de não ter sua ética abalada por uma prática supostamente enraizada na cultura brasileira. “Meu grande desafio, no momento, é provar que o uso de animais, o sacrifício e a dissecação deles, da forma como acontecem, são crimes ambientais”, diz. O uso de cobaias em laboratório, afirma, é eticamente questionável. “O suposto progresso científico não justifica a dor causada pela manipulação acadêmica.” Bachinski diz que técnicas alternativas teriam o mesmo efeito da vivissecção nas aulas de graduação. Cita um estudo feito pela Sociedade Humanitária dos Estados Unidos. A pesquisa mostra que é mais barato adotar práticas educacionais a manter animais em laboratórios.

“O suposto progresso científico não justifica a dor causada pela manipulação acadêmica”, diz Bachinski
O jovem de cabelos longos lembra um típico hippie dos anos 60. Usa roupas simples e fala baixo. Sua mãe conta que tentou dissuadir o filho de se meter em encrencas. “Ele fica enfrentando a universidade. Isso atrasa o curso. Tenho medo de ele não se formar”, diz. Bachinski diz que sempre gostou de animais. Resolveu, por isso, fazer curso técnico de zootecnia ainda no ensino médio. Conta que aos 17 anos foi obrigado a cortar rabos, orelhas e dentes de leitões vivos. A prática, comum entre pecuaristas, é uma das primeiras lições em campo dos estagiários de ensino médio. Com o tempo, aprendeu a castrar leitões a sangue-frio. “Eu os pendurava pelas pernas de cabeça para baixo. Com uma gilete enferrujada, cortava seus testículos”, afirma. “Aceitei essa violência com a certeza de que o certificado de conclusão do curso me daria credibilidade para falar contra a exploração animal.”

Não foi bem assim. O pesadelo de Bachinski voltou a atormentá-lo na universidade. Ele passou a pesquisar mais o assunto. Descobriu que a experimentação animal não é prática obrigatória na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que regulamenta o ensino no país. E que a autonomia da universidade não pode se sobrepor às garantias individuais da Constituição. Manter-se firme a seus princípios custou caro a Bachinski. Ele diz ter perdido amigos e sofrido assédio moral. “Um professor me disse: ou aceita as coisas como elas são, ou cai fora da faculdade.” Bachinski diz que passou a ter dores crônicas, de estresse. Uma amiga, que também assinava o processo, desistiu. Segundo ele, por medo de represálias.

A UFRGS afirma que a prática é necessária. Na contestação à ação de Bachinski, a universidade diz que “um número incalculável de animais é sacrificado diariamente para satisfazer as necessidades da alimentação”. Afirma também que já tentou substituir as aulas práticas por programas de multimídia, mas que “isso não atendeu aos interesses dos próprios alunos, que teriam solicitado o uso de seres vivos”. Um dos citados no processo, Carlos Olegário da Costa Diefenbach, professor titular de Fisiologia, disse à reportagem que não tem interesse em falar sobre o assunto.

Fonte: Revista Época