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Ecologismo e antiespecismo: discrepância científica ou moral?

Frequentemente é defendida a existência de uma discrepância científica entre o ecologismo e o antiespecismo. Pensa-se que somente a partir de uma posição ecologista é possível ter um ponto de vista informado de acordo com o que nos dizem as ciências naturais. Esta ideia assenta, contudo, num erro. É possível, manter, com o mesmo rigor científico, uma posição antiespecista que estenda a consideração moral a todos os animais não humanos.
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Sofrimento distante e a abordagem relacional à ética animal – Parte II

Na primeira parte deste artigo vimos em que consistia a abordagem relacional à ética animal e as implicações que se derivam desta posição para a consideração do sofrimento de seres distantes, humanos e não humanos. Vimos que aceitar esta posição tem consequências altamente implausíveis. Se é certo que não temos obrigações de ajudar os animais selvagens porque, ao contrário do que acontece com os animais domésticos, não estamos causalmente relacionados com o seu sofrimento, então, também não teremos a obrigação moral de ajudar, por exemplo, outros seres humanos distantes vítimas de desastres naturais.
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A rainha ferida: o caso da leoa Siena e o sofrimento dos animais selvagens

Existe, hoje em dia, a crença amplamente difundida segundo a qual os seres humanos devem abster-se de actuar de formas que ponham em perigo a conservação da vida selvagem, em particular, daquelas espécies em perigo de extinção, assim como de levar a cabo ações que promovam a sua persistência ao longo do tempo. Têm sido, nesse sentido, implementadas medidas legislativas que perseguem esse fim, tais como a proibição da caça furtiva, a restrição da construção em zonas naturais, ou a criação de reservas para albergar animais que pertencem a espécies ameaçadas. As medidas de conservação exigem frequentemente que os seres humanos intervenham na natureza de modo a ajudar os animais selvagens que satisfazem certas condições.
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Sofrimento distante e a abordagem relacional à ética animal – Parte I

Um dos preconceitos mais enraizados na nossa tradição moral é a ideia segundo a qual a distância delimita as fronteiras da consideração moral. Isto é, enquanto temos a obrigação de ajudar alguém em necessidade que se encontra perto de nós, não temos tal obrigação para com aqueles em circunstâncias similares, em lugares distantes. Teóricos como Peter Singer (1972), Peter Unger (1996) e Shelly Kagan (1989), disputaram esta ideia defendendo que os interesses de estranhos devem contar tanto como os interesses de amigos ou compatriotas.
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