Cavalo vítima de maus-tratos morre no interior de Vale do Sol, RS

Condutor de charrete já responde a processo e teve outro animal resgatado no mês passado.

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Cavalo morreu no interior de Vale do Sol (Foto: Divulgação)
Cavalo morreu no interior de Vale do Sol (Foto: Divulgação)

Um caso de crueldade com os animais está revoltando moradores de Vale do Sol. Um acidente com uma charrete causou a morte de um cavalo suspeito de ser vítima de maus-tratos no interior do município. O caso ocorreu por volta das 14 horas, na localidade de Linha Fischer. O homem que conduzia o veículo, já foi acusado de maltratar animais anteriormente, e teria deixado a montaria sob o sol do meio-dia enquanto frequentava um bar.

Quando o indivíduo deixou o estabelecimento, horas depois, o animal foi atrelado a uma charrete, mas não tinha forças para puxar o veículo. O animal não teria obedecido o comando de seguir em frente e voltou para trás, caindo de um barranco. O animal morreu. Já o homem ficou com ferimentos e foi resgatado por uma ambulância. Ele foi encaminhado para atendimento e precisou levar pontos na cabeça.

OUTRO CASO

No dia 9 de novembro, outro cavalo que pertencia ao mesmo indivíduo foi resgatado por ativistas da causa animal após denúncias de negligência. A vereadora Bruna Molz teria conversado com o acusado sobre sua conduta e firmado um acordo em relação ao animal, que não foi cumprido. O cavalo que recebeu o nome de Pacho, foi removido pela ONG Cavalo de Lata em ação conjunta com a Prefeitura de Vale do Sol e encaminhado para atendimento, onde segue se recuperando.

De acordo com a protetora Ana Paula Knak, idealizadora da ONG Cavalo de Lata, Pacho apanhava de facão e era deixado no sol durante muitas horas. “O animal estava bem ferido e até hoje, um mês depois, ainda não está bem, tem uma broca no pé”, conta.

RESGATE

Na manhã desta quinta-feira, 7, o proprietário da charrete compareceu à sede da Prefeitura para providenciar a retirada do veículo e do animal. O corpo do cavalo foi removido por uma retroescavadeira da Prefeitura e enterrado em um terreno nas proximidades do local do acidente.

De acordo com a fiscal ambiental do Departamento de Meio Ambiente da Prefeitura de Vale do Sol, Luciane Rosa da Silva Mohr, o homem, que não teve o nome divulgado, já está respondendo a um processo por maus-tratos, referente ao cavalo Pacho que foi resgatado no mês passado.

O acidente desta quarta-feira que causou a morte do cavalo também passa por avaliação. “Este caso já está sendo investigado e providências serão tomadas. No momento não temos provas do ocorrido, há apenas as denúncias, mas não temos comprovação de maus-tratos do animal que morreu”, explica. Os vizinhos afirmam ter testemunhado as agressões, mas como o cavalo caiu do barranco não foi possível determinar se os ferimentos foram causados pelo dono ou pelo acidente.

TRABALHO CONTÍNUO

Os cavalos vítimas de maus-tratos, que são recolhidos pela ONG Cavalo de Lata, levam muito tempo para se recuperar, mas isso pode nem acontecer. “Os animais que resgatamos chegam bem debilitados e ficam com danos psicológicos, mordem, ficam agressivos, às vezes não conseguimos trazer de volta ao convívio”, diz Ana Paula Knak. Segundo a protetora, isso dificulta a adoção dos animais após o reestabelecimento físico, já que as famílias dispostas a acolher os cavalos esperam animais dóceis, para contato com crianças.

A Cavalo de Lata acredita que o problema poderia ser resolvido junto à legislação. “Deveria haver uma lei, que estabeleça que enquanto uma pessoa está sendo indiciada por maus-tratos, ela não deveria ter autorização de posse de animal. O maior desafio para nós, da ONG, é recolher os animais que caem nas vias, muito machucados, e em seguida o dono vai no bairro e consegue facilmente comprar outro cavalo que vai passar pelo mesmo”, relata.

A ONG realiza um financiamento coletivo do site Vakinha para a criação de um santuário, onde as operações de tratamento dos cavalos resgatados poderão ser centralizadas. Para conhecer o trabalho da Cavalo de Lata e ajudar é só acessar o link ou conferir a página no Facebook.

Por Paola Severo

Fonte: GAZ

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