Os cães aguardam novos lares após o fechamento da pista de corrida em Macau, China. (Foto: AFP)

Centenas de galgos abandonados esperam seu destino após fechamento das pistas de corrida

Em uma tarde sufocante, os animais abandonados estavam ofegantes em canis de concreto minúsculos após o declínio de um circuito notório em Macau.


Os 533 cães são agora tratados todos os dias por um exército de voluntários dedicados de toda a região de Macau, um pequeno enclave conhecido como a Las Vegas da China.

Muitos dos cães que sobraram têm manchas de falta de pelos, resultado de dormir em concreto molhado, de acordo com ativistas que disseram que os cães feridos não eram tratados quando o Canidrome Club ainda funcionava.

Eles acreditam que até 300 cães eram mortos a cada ano ao atingirem sua vida útil para as corridas.

Inaugurada em 1931, essa era a única pista oficial de corridas de cães da Ásia até o fechamento em 21 de julho.

O fechamento foi uma vitória para aqueles que passaram anos a criticar o tratamento dos animais.

A empresa que a operava, Yat Yuen, foi notificada por dois anos pelas autoridades, mas ainda fracassou em realojar os animais antes do fechamento.

Existem mais de 500 cachorros que aguardam no centro por um novo lugar para ficarem. (Foto: Reuters)

O governo enfurecido de Macau entrou em cena para garantir a segurança dos cães, e criticou Yat Yuen duramente como irresponsável e ameaçou com multas pesadas por abandonar os animais.

Foi um desafio direto para Angela Leong, quarta esposa do pioneiro do cassino de Macau, Stanley Ho, e um legislador na cidade, que dirige a empresa.

Por fim, Yat Yuen pareceu ceder à pressão pública e política e anunciou em 27 de julho um acordo inovador com os ativistas dos animais.

A ONG Anima cuidará dos cães em Canidrome por mais dois meses, por conta da empresa.

Em seguida, eles se mudarão para um abrigo recém reformado, onde aqueles que não forem adotados serão cuidados até o fim de suas vidas.

Cães caminhando antes de uma corrida no Canidrome, no início de julho, antes do seu fechamento. (Foto: Reuters)

A ONG Anima deve dirigir o abrigo na área de Taipa em Macau, que será chamado de International Centre for the Rehoming of Greyhounds (Centro Internacional para o Realojamento dos Cães), e também será responsável pelo processo de adoção.

Leong deverá firmar um “compromisso financeiro” para administrar o centro, segundo uma declaração, sem dar uma estimativa.

O plano foi submetido ao governo de Macau para uma decisão final.

O processo de adoção pode levar até um ano, uma vez que os procedimentos e despesas veterinárias tenham sido classificados.

Cerca de 100 cachorros já encontraram novos lares, incluindo dois que foram morar com a proprietária de um pet shop em Macau.

Um veterinário cuida de um dos cachorros que esperam por um novo lar. (Foto: Reuters)

Fei Chan, que também é voluntária no Canidrome, abrigou duas cadelas: BoBo, de nove anos de idade, e Choi Choi, de oito.

Ela disse que as cadelas tinham problemas de pele e alguns dos dentes tiveram que ser removidos porque estavam podres.

Elas agora se recuperam e andam tranquilas pela sua loja.

‘Eu pensei: “Por que não as deixar viverem em nosso pet shop e educar nossos clientes sobre as coisas boas que descobrimos com nossos galgos?”’, disse Chan.

Um novo acordo entre um oficial proeminente do governo e uma ONG de defesa dos direitos dos animais pode significar que esses animais abandonados agora têm um futuro melhor. (Foto: AFP)

A voluntária Georgina Lao também pensa em adotar um cão.

Ela disse: “Eu os achei muito educados, como soldados bem treinados.”

“Mesmo quando querem sair correndo, assim que você fala com eles, eles o seguem de volta. São muito carinhosos e muito amáveis.”

Por Jane Wharton / Tradução de Leonardo Lobo da Luz

Fonte: Metro

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.