Chacina de gatos em BH causa revolta em moradores de condomínio

Chacina de gatos em BH causa revolta em moradores de condomínio

Na madrugada do último domingo (15), Pryscila Bedê, moradora do Condomínio Hortência, situado na Zona Oeste de Belo Horizonte (MG), ouviu barulho de engasgo vindo do jardim de seu apartamento térreo, “meu cachorro começou a latir e eu abri a janela, o Brancão estava arranhando a parede do prédio e depois logo se deitou agonizando. Ele morreu nos meus braços dentro do carro a caminho da clínica”.

Outros quatro gatos foram assassinados na mesma madrugada, Pernetinha, Brava, Pretão e Namorado. Foram achados no meio da manhã, todos duros e cheios de formiga.

“Voltar para o condomínio e não ver os gatos que sempre me acompanhavam até a porta me deixa muito triste,” completa a protetora que se dedica a monitorar e controlar a pequena colônia de gatos do condomínio, além de ter sob sua tutela nove gatos e cinco cães, todos retirados das ruas.

“Estavam todos castrados, apenas dois filhotes que sobreviveram serão castrados em breve”, lamenta Pryscila.

Necrópsia

A Polícia Militar de BH foi acionada e infelizmente se mostrou ineficiente para atender o caso. Pior do que isso, informou de maneira equivocada que não seria necessário fazer necrópsias nos gatos dessa vez, pois no ano passado a mesma situação ocorreu e um dos gatos mortos à época foi enviado ao Hospital Veterinário da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Na ocasião o Laboratório de Anatomia Patológica do órgão detectou chumbinho no corpo do animal, informando no diagnóstico final que houve morte por envenenamento.

Coleta de provas

Esclareci que é absolutamente necessário providenciar laudos veterinários que comprovem qual substância levou os animais a óbito. É preciso também fotografar e filmar os corpos dos animais, é importante também gravar depoimentos de pessoas que interessem ao caso, como testemunhas oculares do crime (se houver) e pessoas que prestaram socorro e/ou encontraram os corpos. Tudo é importante nessa fase de coleta de provas.

Isso as policias não fazem. É tarefa dos tutores e protetores reunir o maior número de provas possíveis para tornar o caso substancioso e criar condições para que a Polícia e o Ministério Público façam seus trabalhos.

As protetoras do Condomínio Hortência têm a missão de fazer as necrópsias e lavrar o boletim de ocorrência. Ainda que tenham passado algumas horas e os animais tenham sido enterrados, é preciso retirá-los da terra e levá-los para a UFMG. Enquanto houver tecido é possível a necrópsia.

Delegacia e Ministério Público

Não adianta nada ir até uma Delegacia de Polícia, especializada em crimes ambientais ou não, lavrar um boletim de ocorrência e ir para casa com sentimento de dever cumprido. A investigação não vai acontecer. É preciso ajudar as autoridades lembrando-as todas as semanas do caso, apresentando a cópia do BO e acrescentando novas informações se houverem.

Existe a alternativa de reunir todo o material, boletim de ocorrência, laudos das necrópsias, fotos, filmes, gravações e testemunhas e ir até o Ministério Público. Se houver consistência, se a promotoria entender que existe materialidade e indícios de crime ambiental, um processo será aberto para investigar o fato.

Câmeras de vigilância e posicionamento do condomínio

Na tarde da segunda-feira (16), a síndica Viviane Lelis, de maneira muito correta e humana, solicitou um técnico de segurança que procurava nas gravações das câmeras uma pista que possa levar ao assassino.

Essa é uma boa ferramenta que serve também para inibir atos criminosos.

A síndica, amante dos animais, emitiu um comunicado em nome do condomínio:

“A administração do condomínio Hortência, em solidariedade aos moradores do conjunto, manifesta veemente repúdio á postura criminosa e antissocial ocorrida no último domingo, dia 15 de abril de 2018. Vários gatos foram encontrados mortos nas dependências do condomínio, com sinais de envenenamento, causando revolta e indignação de grande parte de nós moradores. O que puder ser comprovado pelas câmeras será repassado à Polícia Militar de Minas Gerais e à Delegacia Especializada de Crimes contra o Meio Ambiente.”

Até a entrega desse texto para a redação do Olhar Animal nenhum novo fato havia ocorrido.

Aguardo novas informações para atualização do caso a qualquer momento.

Por Eduardo Pedroso

Fonte: Olhar Animal

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