Clínica veterinária no AP suspeita de maus-tratos não tinha licença, diz vigilância

Estabelecimento foi invadido por ONG e donos de pets após denúncias. Local está interditado.

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Clínica em Macapá permanece interditada desde o dia da invasão (Foto: Jorge Abreu/G1)
Clínica em Macapá permanece interditada desde o dia da invasão (Foto: Jorge Abreu/G1)

Permanece interditada a clínica veterinária suspeita de maus-tratos a animais em Macapá. A Vigilância Sanitária da capital alega que o estabelecimento não possui licença obrigatória para funcionamento e nem contrato com empresas responsáveis pelo recolhimento de resíduos infectáveis.

A clínica foi invadida no dia 18 de janeiro por donos de animais que estavam internados, e integrantes de uma ONG. Desde a data, o local não foi reaberto. O G1 tenta contato com a defesa do veterinário Fernando Mendonça Nazaré, de 39 anos, dono do empreendimento.

De acordo com a chefe de fiscalização de serviços de saúde da Vigilância Sanitária, Débora Penha, o proprietário foi notificado e recebeu o prazo de 15 dias para recorrer da decisão e regularizar as atividades voltadas à medicina veterinária.

“De antemão, por ele não ter a licença para funcionamento, a clínica teve que ser interditada totalmente. O veterinário, que é também dono do estabelecimento, ainda não nos procurou e está dentro do prazo para a regularização, caso queira continuar com as atividades”, disse.

Além desses problemas, Débora destaca que foi apreendido um anestésico fora da validade no dia da invasão. Ela adianta que será feita uma série de fiscalizações para verificar as condições de trabalho em outras clínicas da cidade.

“O proprietário precisa retornar à clínica para fazer a retirada do material infectante. São agulhas, seringas e outras ferramentas perfurocortantes, usadas em cirurgias”, explicou a chefe de fiscalização

Materiais cirúrgicos infectantes precisam ser removidos da clínica, dia vigilância (Foto: Upac/Divulgação)

Arrombamento na clínica

Momentos de revolta marcaram a invasão feita por donos de pets e integrantes de uma ONG na clínica pertencente ao veterinário Fernando Mendonça. O profissional é alvo de denúncias de maus-tratos e é investigado pela Delegacia de Meio Ambiente (Dema).

Durante a ação, os invasores chegaram a arrombar o portão do estabelecimento e a agredir o médico, que estava em uma cirurgia. Para a defesa, o adentramento do local, sem medida judicial, se enquadra em crime, além da violência e impedimento do exercício legal da profissão.

Um dia após o episódio, o advogado Jair Carvalho disse ao G1 que o ambiente da clínica foi alterado pelos invasores para justificar as infrações feitas por eles mesmos. A defesa ressalta que o veterinário nunca recebeu nenhum tipo de acusação durante dois anos de atuação em Macapá.

Em nota, o integrante da ONG Unidade de Proteção ao Animal Costelinha (UPAC), Victor Hugo Fernandes, nega que tenha incitado qualquer tipo de manifesto agressivo. Ele relata que compareceu ao local para acompanhar os clientes da clínica, que solicitaram a presença dele.

Cachorro foi encontrado morto no quintal da clínica em Macapá (Foto: Upac/Divulgação)

Na clínica, dois cães foram encontrados mortos. Um em cima de uma maca, no setor cirúrgico, e outro no quintal. As imagens após a invasão foram veiculadas nas redes sociais e provocaram manifestação de internautas.

Segundo o advogado do veterinário, um dos cachorros mortos veio da rua, através do trabalho de uma ONG. O animal estaria bastante debilitado e continha cinomose, doença altamente contagiosa provocada por um vírus.

Devido à doença, o cachorro passou por um procedimento de eutanásia, autorizado pela ONG, e o corpo dele foi enrolado e levado para o quintal para evitar a contaminação de outros animais. O advogado diz que o cão foi mexido pelos invasores.

Já em relação ao outro cachorro, Carvalho relata que o animal tinha acabado de morrer em decorrência de gangrena, que é a morte de um tecido causado por infecção ou falta de fluxo sanguíneo. O advogado informou que o bicho chegou a ter uma das patas amputadas, com objetivo de tentar salvar a vida dele.

Por Jorge Abreu

Fonte: G1

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