Codesp diz que suspenderá embarque de ‘cargas vivas’ no Porto de Santos, em SP

A informação, via ofício, foi encaminhada ao deputado federal Ricardo Izar (PP), presidente da Frente Parlamentar do Congresso Nacional em Defesa dos Animais.

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Codesp suspende embarque de cargas vivas no Porto (Foto: Reprodução/Facebook)
Codesp suspende embarque de cargas vivas no Porto (Foto: Reprodução/Facebook)

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) suspendeu ontem as operações com transporte de cargas vivas pelo Porto de Santos. A informação, via ofício, foi encaminhada ao deputado federal Ricardo Izar (PP), presidente da Frente Parlamentar do Congresso Nacional em Defesa dos Animais.

“Constitui a missão desta companhia o desenvolvimento econômico com responsabilidade socioambiental, não caracterizando sob nenhuma hipótese a nossa intenção de desrespeitar a vida animal”, explicou o diretor de Operações Logísticas da Codesp, Carlos Henrique Poço.

O embarque de bovinos estava trazendo muita insatisfação, principalmente de ativistas da preservação da vida animal, inconformados com os maus tratos durante a viagem e o embarque. Conforme publicado ontem no Diário, eles anunciaram para dia 20 uma grande manifestação no Centro de Santos, com a presença de vários grupos de defesa dos animais, cidadãos de Santos e outras cidades do Estado. Pelo menos três entidades de proteção animal iniciaram ações judiciais com o intuito de barrar embarques. Eles acreditam que há desrespeito à Constituição.

Um dos organizadores, o ativista ambiental Leandro Ferro, informava que o segundo embarque se destinava à Turquia. Ele adiantava que, no primeiro embarque, ocorrido no final do ano passado, foram flagrados animais sendo manuseados com picadas elétricas e barras pontiagudas, além de muitos estarem cobertos por fezes e aparentemente debilitados ou fraturados, situações comprovadas por vídeo feito por uma das entidades contrárias ao transporte e aos maus tratos.

Os animais – aproximadamente 20 mil – são originários de várias localidades do Brasil, transportados em caminhões por trajetos que passam de 500 quilômetros até chegarem ao navio, apelidado de “Grande Fazenda”. Após o embarque, os bovinos passam semanas em alto mar rumo ao seu destino final em condições precárias.

Por Carlos Ratton

Fonte: Diário do Litoral

ATUALIZAÇÃO: Recebemos informação da ONG VEDDAS de que o transporte dos animais vivos via Porto de Santos NÃO FOI SUSPENSO. Segundo a ONG, no ofício enviado pela Codesp esta manifestou apenas a INTENÇÃO de suspendê-lo, sem indicar data para a interrupção. O documento está sendo encarado pelos ativistas como uma tentativa de desarticular os protestos físicos e nas redes sociais, além de reduzir o ânimo das ONGs para ações judiciais. Os defensores dos animais à frente dos protestos pedem a todos que A MOBILIZAÇÃO SEJA MANTIDA.


Nota do Olhar Animal: Pelo que temos conhecimento, as primeiras ações, tanto por vias administrativas como pelas judiciais, buscando interromper o embarque de animais vivos no porto foram tomadas pela ONG Veddas, de São Paulo, não citada na matéria.

Como já destacamos em notas anteriores sobre medidas de bem-estar animal, o transporte dos animais ainda vivos é um terrível agravante no ciclo de produção de carne, já que impõe grande sofrimento aos animais. Mas a ação mais danosa é, claro, o abate em si, independentemente de como o animal foi tratado antes de ser morto. Nada é mais grave do que a violação deste direito moral fundamental dos seres sencientes.

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