Desmantelam um estábulo com cães e aves em condições insalubres na Espanha

Desmantelam um estábulo com cães e aves em condições insalubres na Espanha

A Polícia Local de Málaga, em colaboração com a Sociedade Protetora dos Animais e Plantas, desmantelou um centro equestre que, além de cavalos, abrigava cães e aves sem permissão e em condições higiênico-sanitárias inadequadas.

Durante a inspeção, os policiais locais comprovaram que os arredores do recinto mostravam um entorno carente de higiene e segurança para a criação dos animais, onde existiam muitos resíduos, escombros, móveis antigos e vegetação rasteira, ao que se somava o fato de que o local não estava isolado do exterior de forma que permitisse um controle eficaz de entrada e saída de veículos, pessoas e animais.

Entre os resíduos, a gestão do esterco não era realizada adequadamente, o qual era depositado em dois tanques de obra situados na área de estacionamento, que aparentemente eram retiradas cada semana ou jogadas diretamente no solo, sem nenhum tipo de impermeabilização que evitasse o risco de absorção e contaminação das águas superficiais ou subterrâneas.

A investigação da Polícia Local de Málaga descobriu que o centro carecia de programa higiênico-sanitário endossado por um veterinário, já que este somente se encarregava de gerir o registro de exploração, supervisionando unicamente aqueles animais para os quais os proprietários exigiam seus serviços.

Também eram os donos que se encarregavam dos cuidados e da limpeza de seus animais, desconhecendo as medidas a serem adotadas perante eventuais enfermidades infecciosas, assim como aquelas destinadas à limpeza geral e desinfecção das instalações ou a gestão dos animais mortos.

Durante a inspeção do local, os policiais comprovaram que eles não somente tinham uma exploração equestre, mas também tinham um grande número de cães e aves sem possuir licença para tal. Como conseguiram descobrir os agentes, os proprietários pagavam 50 euros por cada cavalo alojado e 30 euros por cada cão.

Centro equestre

Os policiais locais comprovaram que não eram cumpridas as condições mínimas de ordenação zootécnica, sanitária e de bem-estar animal, e verificaram que havia cavalos que não estavam registrados no livro de animais, constando um deles como desaparecido, e não tinha nada registrado sobre animais em trânsito, aparentemente devido ao fato do computador não permitir novos registros uma vez que já tinha passado um mês desde o traslado.

Exploração avícola (galinhas e galos de briga)

Os currais foram feitos com telas de metal, chapas velhas, madeiras e outros resíduos, abrigando um total de mais de 50 aves, doze das quais eram do tipo Galo de Briga Espanhol, alojadas em jaulas individuais, o que foi informado ao Departamento Agrário da Prefeitura de Andaluzia.

O estado das aves em geral estava bom, mas não as instalações, que mostravam um aspecto de deterioração e falta de higiene, desinfecção e desinsetização, além de estarem localizadas juntos aos materiais de descarte e sucata que colocavam em risco a segurança dos animais quando saíssem de suas jaulas para recreação, já que haviam objetos perfurantes e oxidados, e materiais com arestas cortantes.

No que diz respeito à exploração avícola, o proprietário foi denunciado por não possuir código de identificação, registro e livro de controle, assim como por não manter a distância sanitária requerida normativamente a respeito da exploração equina e residência canina, havendo jaulas com galinhas junto dos canis, e as quadras sem nenhum tipo de isolamento.

O proprietário também não possuía programa higiênico-sanitário endossado por um veterinário, e carecia igualmente de descarte e gestão dos excrementos sólidos e líquidos, encontrando-se os galinheiros dispostos diretamente no solo, sem impermeabilização alguma que impedisse sua filtragem.

Residência canina

As instalações onde se encontravam os cães tampouco tinham as condições adequadas, continham sujeira no chão e paredes, tratava-se de um local fechado que carecia de ventilação e iluminação suficientes e com solo deteriorado, o que fazia com que a sujeira ficasse impregnada e provocasse um forte odor de fezes, sendo uma área apta para a propagação de pragas, pois não havia descarte nem canalização para uma adequada limpeza e evacuação dos resíduos.

Além disso, tampouco reunia as condições adequadas de segurança, encontrava-se fechado com um portão metálico e os canis fechados com correntes e cadeados, sem que nenhum responsável pelas instalações tivesse uma cópia das chaves, fazendo com que os animais se encontrassem desamparados e abandonados à própria sorte perante qualquer caso de acidente, incêndio ou outro tipo de emergência.

Tampouco havia uma área de isolamento para o caso de doença contagiosa que algum dos animais pudesse ter, nem registro nenhum de que existia supervisão veterinária das instalações, encarregando-se cada proprietário da assistência de seus cães assim como da manutenção dos canis, o que fazia com que nunca houvesse uma desinfecção adequada das instalações, nem existia um controle das condições higiênico-sanitárias, alimentação e bem-estar dos animais.

Os policiais comprovaram que um dos cães, que seria retirado pelo pessoal do Centro de Zoonoses Municipal, não apresentavam bom aspecto higiênico, possivelmente por padecer de leishmaniose, já que observaram lesões compatíveis com tal doença e magreza extrema, sem receber tratamento veterinário algum, nem algum tipo de separação ou isolamento.

Os policias também comprovaram que alguns canis estavam sem higiene alguma e cheios de excrementos, e alguns cães estavam sem água nem comida no momento.

As evidências indicavam que se tratava de um estabelecimento destinado ao aluguel de canis ou residência canina, o qual eles não tinham alvará de abertura, além de não possuir um livro de registro com dados dos proprietários e animais alojados, nem documentação dos mesmos. Durante a inspeção, 18 cães não tinham identificação, nove dos quais eram cães potencialmente perigosos, e o centro carecia de autorização municipal necessária para alojar esse tipo de cão.

Através do Registro Andaluz de Identificação Animal (RAIA), foi comprovado que alguns dos cães careciam de vacinação obrigatória e outros nem tinham registro, e mesmo assim estavam à espera da avaliação do veterinário municipal para aqueles que mostravam lesões e enfermidades aparentes e foram retirados por esses motivos.

Durante a intervenção, um dos proprietários, que tinha vários galgos alojados, foi denunciado em ata por não os ter identificado e por não ter dado vacinas obrigatórias, assim como denunciado por infrações leves de ordem municipal por manter um deles permanentemente acorrentado.

Relatório enviado para as administrações competentes

Os policiais emitiram um relatório para as administrações competentes para tomar as medidas provisórias do artigo 43 da Lei 11/2003, de 24 de novembro, de proteção aos animais, a fim de preservar a saúde e o bem-estar dos animais abrigados nas instalações do centro.

Por Jesús Sánchez Orellana / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: Ser

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