Divisa de PR, SP e MS é centro do tráfico de aves

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

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Anu Branco Rosi
Anu Branco Rosi

Uma porção da Bacia do Rio Paraná, que abrange a divisa entre os Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, é tido por ambientalistas como um foco de risco a aves que vêm sofrendo com o desmatamento e o tráfico de animais na região.

Um dos pássaros locais, o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), é protegido há 20 anos pela Fundação Neotrópica do Brasil, uma ONG sul-mato-grossense que mapeou os hábitos da ave e as áreas de onde ela vinha sendo mais retirada por traficantes.

A zootecnista Gláucia Seixas, criadora do “Projeto Papagaio-verdadeiro”, falou sobre o problema ontem, data em que se celebra o Dia das Aves. Gláucia lamenta a dificuldade de proteger espécies como esta.

“É um bicho com menor valor na venda, porque não é tão raro. Então os traficantes ganham na quantidade. Capturam muitos e vendem bem mais barato do que os criadouros certificados”, conta a zootecnista.

Segundo ela, o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) do governo do MS, onde ela também trabalhou, recuperou mais de 10 mil papagaios capturados desde 1988, mas não consegue estancar os crimes.

Foto: Divulgação / Moriyama Xibé Image

O Estado é um “fornecedor” clandestino de papagaios para várias outras partes do Brasil. Na tríplice divisa com PR e SP, os pássaros são alvos fáceis para os traficantes, que coletam filhotes ou até os ovos nos ninhos – os compradores preferem comprar filhotes – e deixam a região de barco, pelo Rio Paraná, geralmente em más condições, o que mata parte das aves antes da venda.

Enquanto papagaios legalizados custam até R$ 2 mil, os clandestinos são vendidos por R$ 500 ou menos.

“Essa espécie é muito apreciada porque é tida como o melhor falador entre os papagaios, o que melhor imita a voz humana”, conta a zootecnista.

Além de monitorar as populações dos papagaios, a Fundação acompanha o movimento do tráfico e faz campanhas de conscientização para que as pessoas não comprem aves clandestinas e denunciem os casos. A entidade não atua na reabilitação dos animais recuperados.

“Quando um pássaro é devolvido à natureza, a situação já não é a ideal. Eles passam meses nas mãos humanas e quase nunca voltam exatamente para o seu habitat. É um arranjo artificial”, explica Gláucia.

Recursos são escassos a não ameaçados

Além de serem mais baratos no mercado negro, os animais não ameaçados de extinção têm outra desvantagem: os recursos para proteção, já escassos, tendem a se concentrar nas espécies mais ameaçadas no país. “Os patrocinadores tendem a focar nestas espécies”, conta a zootecnista Gláucia Seixas.

O Projeto Papagaio-verdadeiro, que ela criou há 20 anos, tem apoio da Fundação Boticário, do Parque das Aves, do refúgio ecológico Caiman e da Embrapa Pantanal, além do governo do Mato Grosso do Sul.

Fonte: Paraná Portal

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