Vacinação continua em atividade no Centro de Zoonoses, embora as castrações sejam a maior demanda (Foto: Winnetou Almeida)

Dois meses após suspensão, CCZ segue sem prazo para retomar castrações em Manaus, AM

O serviço de castração e microchipagem do Centro de Controle de Zoonoses de Manaus (CCZ) ainda não tem prazo para ser restabelecido. Desde março, quando foi descoberto o uso de remédios fora da validade em animais, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) cancelou o atendimento e criou uma comissão de sindicância para apurar os fatos, no entanto, dois meses depois, nenhuma resposta foi dada. A vereadora Joana D’Arc (PR) acredita que o abandono de animais em Manaus tenha aumentado por conta da suspensão do serviço.

O CCZ é um órgão integrante da estrutura da Semsa. Na segunda-feira (14), a prefeitura acatou a indicação do vereador Raulzinho para reforma e ampliação do CCZ. Em abril, a Semsa declarou que os serviços de castração e microchipagem seriam suspensos no local e em duas unidades móveis localizadas nas Zonas Norte e Leste. As pessoas que tinham atendimentos agendados pelo Disk-saúde tiveram suas datas remanejadas.

A reportagem esteve no local na manhã desta quinta-feira (17) e não presenciou grande fluxo de pessoas ou qualquer sinal de reforma. No local, funcionários trabalhavam apenas nos serviços de vacinação antirrábica. Em uma hora no local, a equipe constatou apenas uma pessoa buscando vacina para o cão.

Embora não houvesse pessoas procurando o atendimento, o atual diretor do CCZ, Francisco Zardo, confirmou que o serviço de castração é a maior demanda do centro. “Por mês são castrados 800 cães e gatos. Você pode pegar outras cidades do País. Acredito que nenhuma capital chega a esse número”, disse.

Questionado sobre prazos para a castração ser reativada, Zardo diz que existe uma burocracia para a aquisição dos novos medicamentos, e por isso, não é possível estabelecer um prazo. “Existe um processo específico para a Semsa. Não é a mesma coisa que pedir medicamentos para pessoas. É um processo diferente e burocrático porque esses medicamentos são para animais”, explicou.

CCZ nega ter responsabilidade

O diretor do CCZ argumentou ainda que a responsabilidade do centro de realizar o serviço de castração é uma determinação da Lei Municipal 1.590/2011, que estabelece a proibição do abandono, maus-tratos e permanência de animais soltos nas ruas. Apesar disso, Zardo declara que não há uma le federal para sustentar essa tarefa específica ao CCZ.

“É uma pressão muito grande em cima, mas não há nada que determine que a gente assuma esse tipo de demanda. O nosso papel é mais de vigilância. Atualmente não há um estudo sobre o aumento da população de animais. A gente vai fazendo conforme a demanda”, declarou Zardo.

‘Não existe desculpa’, diz vereadora

Defensora da causa animal, a vereadora Joana D’arc confrontou o diretor do CCZ sobre o papel do centro na capital. Na avaliação dela, é clara a responsabilidade do Centro de Zoonoses no controle da população animal por meio da castração. Ela cita a Lei Federal 13.426/2017, que trata sobre a política de controle de natalidade de cães, e a Lei Estadual 170/2013, dispondo a regulamentação da reprodução e eliminação da vida de cães e gatos.

A parlamentar rebateu o número apresentado pelo CCZ em relação às castrações. Segundo ela, o Centro de Zoonoses realiza, ao invés de 800, mais de 1.200 cirurgias por mês. D’arc conclui que devido à paralisação do CCZ, esses animais podem estar procriando e parte deles indo parar nas ruas. “É uma calamidade pública. Ao meu entender, se parasse o maior hospital da cidade, o Governo teria que tomar providências. Eu faço a mesma analogia com o CCZ porque isso está acontecendo”, afirmou.

A vereadora sugere ainda que sejam tomadas medidas urgentes para evitar o descontrole na população de animais. “Acredito que o caminho seria fazer uma parceria público privada com clínicas que oferecem a castração a preço popular. Seria o caso de suprir não totalmente, mas pelo menos metade dessa demanda”.

Remédios vencidos

Em março, o serviço de castração no CCZ foi suspenso após remédios vencidos terem sido encontrados no local. A denúncia partiu da vereadora Joana D’Arc, que recebeu relatos de mortes de animais depois do atendimento. A prefeitura criou uma comissão de investigação para apurar o caso. A reportagem solicitou da Semsa informações sobre quando a apuração deve ser concluída, mas não obteve resposta.

Por Oswaldo Neto

Fonte: A Crítica

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