É oficial. Opção vegetariana nas escolas não é mais cara nem mais difícil

A dieta mediterrânica está bem e continua a recomendar-se, mas a partir de hoje a Direção Geral de Saúde disponibiliza um Manual de Refeições Vegetarianas para Crianças.

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Foto: DR

O desejo dos pais esbarra muitas vezes nos argumentos das autarquias, que financiam as refeições, ou nas objeções das empresas, contratadas para fornecer refeições. Havia que esclarecer de uma vez.

“Durante uma semana substituímos por legumes, a carne e o peixe usados na confecção de pratos tradicionais portugueses.Tudo o resto era igual. E fizemos contas. Não há que enganar”, explica à TSF Pedro Graça, o diretor do Plano Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, da Direção Geral de Saúde. “São tão simples umas refeições como outras, só substituímos alguns ingredientes, e em muitos casos até ficou mais barato.”

Uma preocupação foi garantir refeições equilibradas, com todos os nutrientes. Pedro Graça defende que também é simples, basta saber o valor nutricional de cada alimento. Pode ser necessário recorrer a alguns suplementos como ferro ou vitamina B12, mas em regra só quando as refeições não incluem laticínios nem ovos. “O mais importante é que haja acompanhamento de um profissional de saúde, um nutricionista”.

O Manual agora disponível no site da Direção Geral de Saúde (DGS.PT) , vai um pouco mais longe; às questões de saúde junta argumentos ambientais e económicos. Defende o uso de legumes nacionais, de preferência produzidos localmente, “é não só uma forma de criar emprego, de criar produtores locais, como representa menor impacto ambiental, por não exigir grandes viagens para transportar os alimentos”, defende Pedro Graça.

Desta forma, afirma o diretor do Plano Nacional de Promoção da Alimentação Saudável, também é mais fácil contornar alguns problemas a que os vegetarianos não escapam: produtos processados, excesso de sal ou excesso de açúcar, sal ou demasiada gordura, soja geneticamente manipulada vinda de outros continentes. “Sim, porque ser vegetariano não é necessariamente ser saudável”.

Por Dora Pires

Mantida a grafia lusitana original.


Nota do Olhar Animal: Infelizmente, neste projeto não é em todos os dias que as refeições são vegetarianas. Algumas contém ovos e laticínios, que tanto mal causam aos animais explorados, fato desconsiderado nas decisões sobre o tema. Mas, de qualquer forma, a matéria indica a quebra do mito de que a refeição vegetariana é mais cara, um dos argumentos usados contra sua implantação em escolas, tanto em Portugal como no Brasil.

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FonteTSF
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