O delegado Dinair da Silva acredita que a midiatização de casos extremos estimula as denúncias - Alex Mita/JC Imagens

Em 1 ano, registros de maus-tratos a animais crescem 25% em Bauru, SP

Em pleno século 21, o ser humano ainda é capaz de cometer barbáries indescritíveis contra os animais. Tanto que, em Bauru, os casos de maus-tratos tiveram um aumento de 25%. Para se ter ideia, de janeiro a novembro de 2018, a Polícia Civil do município registrou 396 ocorrências do tipo, contra 317 no mesmo período do ano anterior.

O delegado Dinair José da Silva, que é titular de Crimes Ambientais da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru, investiga casos assim há anos. Inclusive, um deles marcou a sua vida.

Uma família, que morava no Jardim Bela Vista, simplesmente abandonou um lhasa apso nas ruas, porque decidiu viajar. O animal, então, conseguiu retornar à casa. No quintal, havia um carrinho de bebê, onde ficou até morrer de fome e sede. “Quando os proprietários chegaram, ele já tinha morrido”, relata.

Infelizmente, esta ocorrência não é isolada. Conforme o JC já noticiou, um vira-latas de apenas 3 meses foi enterrado vivo no dia 26 de outubro, no Alto Paraíso, em Bauru.

O cãozinho, batizado de Tatu justamente por ter sido resgatado debaixo da terra, foi encontrado por duas crianças em um terreno baldio. O animal estava só com a cabeça para fora e chorava muito, porque a chuva caía sem piedade.

Então, um dos garotos entrou em contato com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), que, inicialmente, encarou a ligação como um trote. Em seguida, o menino chamou os pais, que ratificaram a denúncia junto ao órgão.

Imediatamente, a equipe de fiscalização de maus-tratos do CCZ, composta por dois servidores, foi até o local e desenterrou o filhote. Ao lado do cão, havia mais um animal, na mesma situação, porém, ele já estava morto quando o socorro chegou.

O Jornal da Cidade decidiu encampar campanha de adoção de Tatu, de forma a estimular, também, a posse responsável. No final do ano, o bichinho ganhou um novo lar.

MAIS DENÚNCIAS

Para o delegado, a midiatização de casos extremos de maus-tratos, como o que ocorreu com o Tatu e aquele vira-latas em uma loja do Carrefour, em Osasco, no dia 28 de novembro deste ano, leva a população a denunciar mais, o que pode explicar o aumento entre 2018 e 2017.

Em contrapartida, a punição ainda é branda, fato que provoca reincidência. “Se a pessoa voltar a praticar o crime, também não terá uma pena punitiva a ponto não cometê-lo novamente”, argumenta.

Atualmente, o crime de maus-tratos, previsto no artigo 32 da Lei n.º 9.605/98, tem pena de 3 meses a 1 ano de detenção, além de multa. Porém, o Senado Federal discute a possibilidade de tornar a legislação mais rígida neste sentido.

Por Cinthia Milanez

Fonte: JCNET

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