Em 2017, ES já teve mais baleias encalhadas que se somados os casos de 2016 nos litorais capixaba e baiano

O Espírito Santo está em segundo lugar na incidência de encalhamento, em primeiro lugar está a Bahia.

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Baleia encalhada no litoral do Espírito Santo (Foto: Divulgação)
Baleia encalhada no litoral do Espírito Santo (Foto: Divulgação)

A temporada de reprodução das baleias ainda não acabou, mas já ocorreram 29 encalhes no litoral do Espírito Santo. Em 2016, este número representa total de encalhes somados do litoral capixaba e do baiano.

Ao todo, já foram 102 no Brasil, até esta quarta-feira (4), segundo o Projeto Baleia Jubarte.

O Espírito Santo está em segundo lugar em número de incidência de encalhamento. Em primeiro, vem a Bahia, com 41 baleias encalhadas.
Migração

No período de Junho a dezembro, as gigantes migram para as águas tropicais. O litoral capixaba faz parte do roteiro desses animais no tempo de acasalamento, mas infelizmente nem todos os mamíferos conseguem fechar o ciclo e voltar para os mares polares no verão.

Os meses de agosto e setembro são os que mais registram encalhes de baleias jubartes na costa capixaba.

Isso acontece porque é o período que envolve a maior quantidade de nascimento dos mamíferos.

Os filhotes são os alvos mais propensos a encalharem, devido a causas naturais, como a dependência da mãe para sustento e a imunidade baixa que dá abertura para o surgimento de doenças.

Causas

No Espírito Santo, excepcionalmente nessa temporada, a incidência maior do vento sul em comparação ao nordeste, fez com que o problema dos encalhes tivesse maior percepção por pesquisadores, por causa das carcaças de baleias encalhadas que acabavam sendo levadas com mais frequência na praia.

O médico veterinário e coordenador de pesquisa do projeto Baleia Jubarte, Milton Marcondis explica que apesar da grande quantidade de baleias encalhadas, o prejuízo à espécie é menor se comparado com o aumento no crescimento reprodutivo desses animais. Estima-se que há 20.000 baleias jubartes registradas em 2017. Em 2016, foram 17.000.

“A população de baleias vem crescendo independente dos encalhes. Em 2010, (período em que a jubarte ficou ameaçada de extinção) encalharam 96, na época o resultado era aproximadamente 1% da população. Agora com 20.000, 100 baleias encalhadas equivale somente 0,5%, ou seja, não vamos chegar nem em 1% de encalhes da população porque o pior período entre agosto e setembro já passou”, conta.

Prevenção

Para impedir o aumento de encalhes nesse período de reprodução, o projeto Amigos da Jubarte promove um trabalho de conscientização da presença dessas gigantes na Costa capixaba.

De acordo com Thiago Ferrari, coordenador e ambientalista do projeto Amigos da Jubarte, o objetivo é sensibilizar e educar a comunidade para diminuir a incidência de encalhamentos das baleias como consequência do intermédio humano.

“Atropelamento de navios e a pesca acidental, são causas de encalhamento e mortes de baleias que nos preocupam. Por isso trabalhamos com a comunidade para evitar que isso ocorra. Já trabalhamos com pescadores, para que as redes não sejam uma ameaça e também com a operação náutica para evitar que elas sejam atropeladas. Estamos observando como as fêmeas com os filhotes tem ficado entre navios através de um trabalho de monitoramento, na intenção de protegê-las de perigos,” explica.

Por Ana Nascimento

Fonte: G1

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