Em 24h, 19 animais silvestres foram resgatados em área urbana do DF

Um lagarto conhecido como “cobra de duas cabeças” foi resgatado no Lago Sul. Outros resgates aconteceram em Planaltina, Asa Sul e Samambaia.

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Em 24h, 19 animais silvestres foram resgatados em área urbana do DF
Capivara foi capturada em Samambaia Norte (Foto: Polícia Militar/ Divulgação)

Nas últimas 24 horas, 19 animais silvestres foram capturados pela Polícia Militar Ambiental no Distrito Federal, nas áreas urbanas. Foram uma capivara, duas jibóias, um lagarto conhecido como “cobra de duas cabeças” , dois papagaios, um sagui – também conhecido como mico-leão ou soim. Na lista também estão um lobo-guará, oito saruês, uma coruja, uma gavião da mata e um jabuti . De acordo com a assessoria de comunicação da PM, o número foi “mais alto que o normal”.

Por volta das 12h desta terça (16), a PM capturou um lagarto conhecido como “cobra de duas cabeças” na QI 1 do Lago Sul (veja o vídeo acima). O animal não é venenoso, não oferece risco ao homem, era adulto, estava em bom estado de saúde e foi solto imediatamente na vegetação. Um pouco mais cedo, por volta das 11h20 uma jobóia foi capturada no Jardim Botânico e também foi solta em uma área de vegetação.

A jibóia é um animal não peçonhento e de acordo com o soldado Rafael Pollini, da Polícia Ambiental, é a espécie de cobra mais capturada no DF – cerca de duas por semana.

Uma capivara também foi resgatada nesta terça. Ela estava escondida atrás de um container em uma via pública de Samambaia. A PM capturou o animal, por volta das 9h50, e o encaminhou para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama.

Resgates no DF

Segundo o comandante do batalhão ambiental, Major Souza Júnior, a equipe recupera uma média de 10 animais silvestres por dia. No ano passado foram resgatados cera de 2,1 mil animais e este ano o número deve ser igual ou maior, afirma o comandante.

De janeiro a maio, 170 animais silvestres foram resgatados do comércio ilegal e de criadores que não possuem licença dos órgãos fiscalizadores. Além de 341 resgates de animais invasores de casas e áreas urbanas. De acordo com a PM, aves ocupam o primeiro lugar entre os animais resgatados, seguido dos marsupiais, como saruê, e pelas serpentes. Em 2016, foram 325 serpentes resgatadas. Neste ano, 80 já foram apreendidas.

Major Souza Júnior explicou ainda que a divulgação é importante para conscientização das pessoas.

“Para que a sociedade tenha conhecimento, possa fazer mais denúncias e chamadas de resgate e não tentem capturar os animais sozinhas.”

A bióloga e professora da Universidade Católica de Brasília, Helga Wiederhecker, conversou com o G1 e disse que na maioria das vezes “não é o animal que está invadindo as casas, mas o homem que está invadindo a casa deles”. Isso porque em Brasília com os assentamentos e condomínios irregulares tem-se criado “novas fronteiras” invadindo “áreas anteriormente preservadas com faunas já estabelecidas”.
A professora contou que com o período de seca e a ocorrência de queimadas no DF, o número de animais silvestres em área urbana tende a aumentar. Bem como em épocas mais frias, quando “espécies menos ativas procuram abrigo”.

“Animais quando aparecem perto da nossa casa normalmente estão procurando água, abrigo ou alimento. Precisamos fazer nossa parte para não criar atrativos.”

Medidas práticas que podem evitar atrair animais para as casas é manter quintais e garagens limpas e ter atenção ao descarte de resíduos. “A nossa responsabilidade não acaba quando colocamos o lixo para fora de casa, porque um cachorro pode vir e rasgar o saco, por exemplo. Da mesma forma, deixar o redor da casa limpo, sem entulhos, telhas e papelão que podem servir de abrigo para animais”, afirmou a professora.

Comércio ilegal

Boa parte dos animais capturados pelo batalhão ambiental são provenientes do tráfico. Segundo o Major Souza Júnior, neste mês de maio, a polícia fez uma apreensão em flagrante de comércio ilegal de 80 aves.

Segundo a professora Helga Wiederhecker, além da alta taxa de mortes dos animais silvestres neste comércio ilegal, um outro risco é a formação de populações exóticas e até venenosas, que podem se tornar espécies invasoras. “Pessoas por terem comprado ilegalmente ou não ter autorização, quando não querem mais o animal acabam soltando na vegetação. Existe um perigo de estabelecimento de populações inativas, incluindo espécies peçonhentas.”

“A população é super responsável por isso, porque não existe comércio ilegal sem o comprador. E o comprador é o grande fomentador desse tráfico que só perde para o tráfico de drogas e de armas.”

Outras apreensões recentes

Também na noite de segunda (15), um Lobo-Guará foi resgatado por volta das 22h em Planaltina. O animal de grande porte estava em uma chácara, em um núcleo rural, matando aves. Segundo a PM a captura foi difícil, mas o animal foi solto no cerrado, em área distante das chácaras.

Lobo-Guará foi capturado em núcleo rural de Planaltina (Foto: Polícia Militar/ Divulgação)

Lobo-Guará foi capturado em núcleo rural de Planaltina (Foto: Polícia Militar/ Divulgação)
Ainda na segunda-feira, seis saruês foram capturados na Asa Sul. A equipe que fez o resgate encontrou os animais no interior de uma caixa subterrânea de baixa tensão. Eles foram encaminhados para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) do Ibama.

Fonte: G1

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