Animais são mortos a tiros por caçadores, em reserva ambiental em Santana, no Amapá. (Foto: Revecom/Aqrquivo)

Em cinco meses, mais de 90 pessoas foram presas no AP por caça ilegal de animais

Mesmo dentro de uma área ambiental, animais de diversas espécies não estão protegidos contra a ação humana. Na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Revecom, localizada em Santana, a 17 quilômetros de Macapá, caçadores colocam diariamente os bichos em risco. A matança mais uma vez acende o alerta quanto a caça ilegal.

No Amapá, em 2017 foram 147 casos de caça predatória atendidos pelo Batalhão Ambiental. Já este ano, somente nos primeiros cinco meses, um total de 98 pessoas foram conduzidas à delegacia, por caça de animais silvestres. No mesmo período do ano passado, foram 36 ocorrências.

Carne de jacaré foi apreendida na carroceria de veículo, em rodovia do Amapá. (Foto: BPRE/Divulgação)

Na maioria dos casos, segundo o batalhão, os animais são encontrados mortos. Na semana passada, um homem foi preso em Santana com 50 quilos de carne de jacaré. Ele foi conduzido à delegacia, ouvido, mas foi solto em seguida. Vai responder em liberdade.
Isso acontece porque a pena para esse tipo de crime é considerada branda no Brasil. Gerente da Revecom, Paulo Amorim lembra que invadir a reserva e caçar animais é crime, e pode dar cadeia. Mas a sensação é de impunidade.

“A punição do caçador não é eficiente. A lei de crimes ambientais prevê a detenção de seis meses a um ano e multa. Porém, é normal a pessoa ter a conversão da multa em cestas básicas ou alguma pena alternativa”, lamentou. Para Amorim, o maior problema é a falta de conscientização da população.

“O Brasil precisa ser reeducado, a população precisa ser domesticada. Estamos no século 21 e a gente não percebe o brasileiro transpirar uma boa convivência com o meio ambiente”, completa.

Áreas por onde passa rio e igarapés são vulneráveis. Animais são mortos quando vão beber água. (Foto: Cassio Albuquerque/Arquivo G1)

Entre 2011 e 2014, cerca de 160 animais foram mortos na área da Revecom, que possui 17 hectares, equivalente ao tamanho de 17 campos de futebol. A beira do rio e igarapés é considerada ponto vulnerável, pois é onde os animais são mortos a tiros quando procuram água para beber ou vão se alimentar. Os que conseguem fugir acabam morrendo pelo caminho ou ficam muito feridos, a ponto de terem que ser sacrificados.

Os mais depredados pelos caçadores são macacos, pacas, cutias, porcos do mato, veado e capivara. Amorim não acredita em caça para o consumo, uma vez que essas pessoas têm acesso a mantimentos na cidade.

Revecom tem o tamanho de 17 campos de futebol e abriga cerca de 300 animais silvestres. (Foto: Reprodução internet)

Os próprios moradores, revoltados com a situação, denunciam. Segundo informações, o quilo da carne de paca ou cutia pode chegar a até R$ 100. Para monitorar a movimentação dos animais, câmeras foram instaladas em locais específicos da reserva. Mesmo assim, os caçadores não se intimidam, afirma Amorim.

Atualmente, existem pouco mais de 300 animais na reserva, entre araras, gaviões, pacas, onça e outras espécies. Ainda de acordo com o gerente, muitos caçadores que são presos e passam a responder em liberdade, são os mesmos que, tempos depois, voltam a praticar o crime, aumentando a estatística da impunidade.

Câmeras foram instaladas em locais específicos da reserva, mas elas não inibem o caçador. (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)
A reportagem contém imagens fortes a seguir. (Foto: Arte/G1)
Macaca encontrado morto dentro de reserva ambiental em Santana. (Fotos: Revecom/Arquivo)
Pássaro morreu após ser atacado em RPPN.
Tucano levou tiro de criminosos.
Em cinco meses, mais de 90 pessoas foram presas no Amapá por caça ilegal de animais.
Cutia morreu após ataque de criminosos em reserva.
Em cinco meses, mais de 90 pessoas foram presas no Amapá por caça ilegal de animais.
Em cinco meses, mais de 90 pessoas foram presas no Amapá por caça ilegal de animais.

Por Rita Torrinha

Fonte: G1

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