Equipe de resgate registra 36 encalhes no litoral potiguar em janeiro

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Equipe de resgate registra 36 encalhes no litoral potiguar em janeiro

Foi durante um campeonato de surf realizado na praia de Tabatinga, litoral Sul potiguar, no último dia 28, que surfistas e banhistas perceberam uma movimentação estranha na água. Um animal parecia não ter muita intimidade com o mar e estava prestes a se afogar. 
A surpresa maior foi quando perceberam que se tratava de uma tartaruga marinha, espécie acostumada a percorrer milhares de quilômetros nadando mar a dentro. Ela tinha dificuldades de subir à superfície da água para respirar e parecia ter ido ao encontro dos humanos como se pedisse socorro.

Quando a tiraram da água, logo tiveram a resposta: faltavam-lhe as duas nadadeiras dianteiras. O mais provável é que ela tenha ficado presa em uma rede de pesca que de tanto apertar e cortar sua circulação, amputou seus membros.

Mesmo sangrando (sinal de que o ferimento era recente), ela estava viva e bem ativa quando a equipe de resgate do Projeto Cetáceos da Costa Branca (PCCB-UERN), em parceria com o Laboratório de Morfofisiologia dos Vertebrados da UFRN e o Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (CEMAN), chegou ao local, o que tem sido cada vez mais raro acontecer nos encalhes atendidos no litoral potiguar.

No mesmo fim de semana desse resgate, outros sete foram registrados nas praias do Rio Grande do Norte. Todos os animais já estavam mortos: quatro tartarugas em idade reprodutiva, todas com algum sinal de rede de pesca; dois golfinhos, um deles filhote com sinais do cordão umbilical e o outro adulto, que teve os olhos arrancados por ação humana. Um fim de semana atípico – em média, são registrados entre dois e três encalhes por fim de semana no litoral-, de acordo com Simone Almeida, vice-coordenadora do PCCB-UERN.

Na mesma semana, outra tartaruga marinha foi encontrada ainda viva, mas com sinais de desnutrição. Quatro dias depois, não aguentou e morreu ainda no centro de reabilitação do projeto. Durante a necrópsia, mais de dois quilos de sacolas plásticas foram encontrados no intestino do animal.

No início de janeiro, na Praia de Camurupim, mais um chamado típico dessa temporada de desova, que começou em novembro e deve seguir até março. Uma tartaruga marinha fêmea e adulta se enroscou em uma rede de pesca e morreu afogada, enquanto se aproximava da orla para fazer seu ninho e depositar seus ovos.

Só na primeira quinzena de janeiro, foram registrados 36 encalhes, aumento de pelo menos 20% comparado à última temporada. Esse número, porém, pode ser bem maior, segundo a equipe do PCCB. Isso porque os resgates dependem do chamado de banhistas pelos telefones de atendimento (84 999061381 ou 991435522), do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Ambiental.

“São animais saudáveis que estão sendo retirados da natureza por consequência direta da ação humana”, alerta o veterinário Radan Elvis, que também participa dos resgates no litoral norte-rio-grandense.

Por Marina Cardoso

Fonte: Novo

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