Esta empresa amiga do planeta usa água de coco para substituir o couro animal – Olhar Animal
Imagem: Susmith C. Suseelan

Esta empresa amiga do planeta usa água de coco para substituir o couro animal

Quando você vai comprar uma bolsa, um sofá ou um cinto é provável descobrir que muitas opções nas lojas feitas parcial ou totalmente de couro. Apesar dos itens em couro serem bonitos, o processo pelo qual são feitos não é nada bonito. Para criar um produto de couro, deve-se usar uma longa lista de produtos químicos que prejudicam o meio ambiente, como polímeros, tintas e resinas. E não nos esqueçamos de que, quando compra couro verdadeiro, você apoia a retirada da pele de animais inocentes em nome da moda humana.

Insatisfeito com a falta de substitutos práticos e elegantes para o couro, Susmith C. Suseelan, um designer com anos de experiência como fabricante de papel, decidiu criar o seu próprio. Suseelan explicou ao jornal Deccan Chronicle que “ninguém pensa no dano causado ao ambiente e no número de animais que são mortos no processo. Já passou da hora de introduzirmos no mercado um substituto ecológico para o couro”.

Com a ajuda de Zuzana Gombosova, uma designer eslovaca e pesquisadora de materiais, Suseelan teve sucesso em sua missão para produzir uma alternativa amiga do ambiente e dos animais ao couro. Os dois designers trabalharam juntos para desenvolver um produto chamado Malai, que é feito de celulose bacteriana e é 100% vegano. O Malai é extremamente durável, e sua textura pode ser descrita como algo entre couro e papel.

Imagem: Susmith C. Suseelan

Mas onde Suseelan e Gombosova conseguem a celulose bacteriana necessária para produzir o Malai? O interessante é que ele vem da água de coco! Unidades de processamento de cocos em Kerala, um estado no sul da Índia, descarta a água dos cocos, então Suseelan e Gombosova tiveram uma ideia para reaproveitar este subproduto usando-o para fazer celulose bacteriana, que pode então ser utilizada para criar um material parecido com couro. Mas o processo não aconteceu da noite para o dia, disse Gombosova ao Deccan Chronicle, “foi depois de termos tentado cerca de 150 formulações diferentes que por fim chegamos perto do que queríamos criar: um novo produto sustentável e ecológico que pode ser usado comercialmente”.

Após horas de trabalho duro e experimentação, Suseelan e Gombosova conseguiram tornar o processo de fazer Malai uma ciência. Suseelan deu algumas percepções sobre os métodos por trás da produção de Malai: “Quando se coleta e esteriliza a água de coco, adiciona-se a cultura bacteriana para se alimentar dessa água. O período de fermentação leva de 12 a 14 dias, após o qual pode-se coletar o Malai, que então sofre um processo de refinamento. Ele é enriquecido com fibras naturais, colas e resinas para criar um material mais durável e flexível para que se possa moldá-lo em folhas de grossuras e texturas diferentes. Pode-se acrescentar tintas naturais para dar cor. Os estágios finais incluem secar ao ar e depois suavizar com a aplicação de um tratamento delicado resistente à água, sem acrescentar nenhum revestimento plástico ou ingredientes sintéticos”.

Uau, são vários passos! Apesar de parecer ser difícil criar o Malai, disse Suseelan, “Definitivamente, não é tão difícil como matar um animal para fazer couro!”. Nós concordamos com isso em tudo!

E qual o próximo passo para o Malai? Suseelan e Gombosova trabalham continuamente para melhorar a qualidade do material para que este possa ser utilizado de forma ampla. Os parceiros designers agora experimentam a possibilidade de usar fibras naturais como hastes de banana em combinação com celulose bacteriana para melhorar o produto. Eles já conseguiram a atenção de produtores, após apresentar o Malai em várias bibliotecas de materiais. Com o pensamento adiante, os designers criativos procuram por parcerias com empresas e marcas focadas em sustentabilidade para colocar uma ampla variedade de produtos feitos com Malai no mercado.

Com certeza, estamos ansiosos para saber mais sobre esta alternativa incrível e ecológica ao couro!

Por Estelle Rayburn / Tradução de Alice Wehrle Gomide

Fonte: One Green Planet 

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