Animais tem sobrevivido desde abril com doações da comunidade e dos próprios agentes, segundo Associação do Sistema Socioeducativo e Prisional de Juiz de Fora. Seap disse que está ciente da questão e que fornecedor não cumpriu o contrato.

Estado não envia ração para cães que ajudam na segurança de presídios da Zona da Mata há três meses

O Estado de Minas Gerais não envia ração para cães das unidades prisionais da Zona da Mata há três meses. A denúncia foi feita pela Associação do Sistema Socioeducativo e Prisional de Juiz de Fora (Asprijuf).

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap) afirmou que está ciente da questão, causada porque o fornecedor de rações não cumpriu o contrato e, por isso, está sofrendo sanções administrativas. A secretaria disse que já autorizou às unidades o procedimento de compras simplificado até que a situação seja solucionada com o fornecedor.

De acordo com o presidente da Asprijuf, Wanderson Pires, o déficit ocorre em várias unidades prisionais da 4ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp). Em alguns casos, os próprios agentes penitenciários estão comprando alimentos, vacinas e medicamentos para os animais, que fazem parte do grupamento policial.

O representante dos agentes explicou que o estado vem fracionando as remessas para as unidades há pelo menos dois anos, mas que agora o pagamento deixou de ser feito, o que agravou a situação.

“O estado tem vários contratos firmados com empresas e está deixando de cumpri-los, não está efetuando os pagamentos. Com isso, estamos com precariedade e até má qualidade nos produtos e serviços”, disse.

Cães da Seap ajudam na segurança de presídios mineiros (Foto: Asprijuf/Divulgação)
Cães da Seap ajudam na segurança de presídios mineiros (Foto: Asprijuf/Divulgação)

A Asprijuf coletou os dados através de denúncias anônimas de agentes em diversas cidades da região e, segundo Pires, o estado tem conhecimento dos casos. A associação, inclusive, já organizou campanhas de doação para que o estoque não fosse eliminado.

“Há seis meses, já tínhamos feito a campanha, porque os animais estavam há 60 dias sem ração. Agora, há uns 20 dias, repetimos e conseguimos uma boa quantidade”, afirmou.

Os animais fazem parte do Grupo de Operações com Cães (GOC) e ajudam no combate a crimes dentro dos presídios, seja na proteção ou na identificação de drogas. Cada cão precisa de 15 Kg de ração por mês para sobreviver.

“Eles são de um grupamento tático, são nossa linha de frente dentro da carceragem. O preso respeita muito mais um cão do que uma (arma) calibre 12. É o respeito do preso com o agente. Então, os cães nos dão muita proteção e a situação é alarmante”, relatou.

Pires também disse que faltam materiais de formação e adestramento e que não são oferecidos cursos e capacitações de agentes há mais de cinco anos.

“A situação do canil é muito precária. Eles não têm um lugar adequado para se alojar, para fazer treinamentos. Muitos cães são patrimônio do próprio agente, que tem que custear vacinas, remédio, ração. Então, quem trabalha lá tem que fazer mais do que gostar”, contou.

Os interessados em doar ração, remédios, vacinas e outros materiais para os cães devem entrar em contato com a Asprijuf através do telefone (32) 98838-0563.

Fonte: G1


Nota do Olhar Animal: Dois problemas nesta notícia. O mais evidente, que é a falta de alimentação para os cães (e portanto uma situação de maus-tratos) e a exploração de animais por forças de segurança pública, tema pouco debatido mesmo dentro do movimento de proteção aos animais.

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