Estudante de Macau que matou gatos em Taiwan processa universidade

Estudante de Macau que matou gatos em Taiwan processa universidade

Um estudante de Macau condenado por ter morto dois gatos processou a Universidade Nacional de Taiwan (NTU, na sigla inglesa) por o ter expulso, diz o Liberty Times. Segundo o jornal de língua chinesa de Taiwan, Chan Ho Yeung alegou ontem em tribunal que quando foi detido no Verão de 2016 já teria conseguido o número suficiente de créditos para terminar o curso de Engenharia Química.

O residente da RAEM, que já terá saído a prisão, não apareceu ontem no Tribunal Administrativo Superior de Taipé. Mas os advogados dele lembraram que a NTU começou por rejeitar o pedido de suspensão da matrícula apresentado por Chan, alegando que poderia comprometer provas ligadas a um crime. O homem de 25 anos foi condenado em Outubro de 2016 a 10 meses de prisão e a uma multa de 350 mil novos dólares de Taiwan (97 mil patacas) por ter morto de forma violenta dois gatos.

Ainda antes da sentença, a NTU acabou por expulsar Chan, que confessou em tribunal ambos os crimes e pediu clemência, alegando sofrer de problemas mentais. Os advogados do ex-estudante, que até então tinha um currículo imaculado, dizem que a decisão é ilegal e que a universidade cedeu à pressão da opinião pública, ignorando as suas próprias regras.

A morte do primeiro gato – conhecido como “Big Orange”, que vadiava pela Rua Wenzhou, uma zona famosa por ter cafés que acolhem animais, perto do campus da NTU – causou uma revolta generalizada, com mais de 14 mil pessoas a subscreverem uma petição a exigir que a universidade expulsasse o residente de Macau. Na altura foi punido com duas sanções graves e duas leves pela comissão disciplinar estudantil, o equivalente a liberdade condicional.

Diploma pedido

Segundo o Macau Concealers, Chan acabaria por regressar temporariamente a Macau no início de 2016, tendo sido avistado junto do Jardim Municipal da Montanha Russa, zona onde pouco depois três gatos de rua foram encontrados mortos. Não foi, no entanto, estabelecida qualquer relação com o suspeito.

Mas a situação acabaria por só piorar quando Chan confessou ter morto em Agosto de 2016 um segundo gato, Ban Ban, que pertencia ao dono de um restaurante vegetariano em Taipé. Após a primeira audiência do julgamento, poucos dias depois, dezenas de pessoas tentaram agredir o residente de Macau, causando ferimentos graves em dois agentes policiais.

A acusação acredita que Chan, aluno do quarto ano de Engenharia Química, já teria na prática concluído o curso, ao obter o número mínimo de créditos. Os advogados do então estudante finalista acrescentaram ontem em tribunal que ele já teria mesmo apresentado o pedido para obter o diploma quando a morte do primeiro gato foi descoberta. Em resposta, os defensores da Universidade sublinharam que o pedido só foi apresentado após Chan ter cometido os crimes.

Os advogados sublinharam que, segundo a lei que regula as instituições de ensino superior de Taiwan e as próprias regras internas da instituição, é a NTU que decide se as notas de um qualquer estudante são suficientes para concluir o curso. Tanto o pedido de suspensão do curso como o pedido de obtenção de um diploma são esses procedimentos como “meramente administrativos”, tanto como devolver um livro à biblioteca, defenderam os representantes da universidade. Os juízes do Tribunal Administrativo Superior de Taipé ficaram de proferir a sentença no próximo dia 29 de Março.

Por Vítor Quintã

Fonte: Ponto Final / mantida a grafia original


Nota do Olhar Animal: Curioso que tenha alegado “problemas mentais” para amenizar punições pela morte dos animais, mas se sentir apto a ter um diploma para exercer uma profissão que pode colocá-lo em uma posição em que suas ações podem por em risco os animais humanos e não humanos.

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.