Exames anteriores em cervos do Pampas Safari mostram resultado negativo para tuberculose

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Exame datado de janeiro de 2017 mostra resultado negativo para tuberculose em cervos do Pampas Safari (Foto: Reprodução)
Exame datado de janeiro de 2017 mostra resultado negativo para tuberculose em cervos do Pampas Safari (Foto: Reprodução)

Exames realizados entre outubro de 2016 e janeiro deste ano, validados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), apontaram resultado negativo para tuberculose em cervos do parque Pampas Safari, de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Por suspeita de contaminação, 20 animais já foram abatidos, em decisão que gerou polêmica e motivou protestos.

O abate seria necessário já que a doença representaria riscos para os outros animais e também para seres humanos. No entanto, ativistas cobram a comprovação de que os cervos estavam realmente doentes.

O documento mostra que 257 animais foram examinados no período. Obtidos pela deputada Regina Becker Fortunati (REDE) e pelo diretor-presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente de Gravataí (FMMA), Jackson Müller, os laudos foram assinados pelo veterinário Estanislau da Silva, e revelam resultado negativo a partir de teste de tuberculina.

Segundo o Ibama, o parque recebeu autorização da Secretaria Estadual da Agricultura para o abate, amparado por laudos que teriam comprovado a doença.

O Ministério Público instaurou inquérito civil para apurar o caso. A promotora de Justiça Carolina Barth aguarda o resultado das amostras colhidas das carcaças, que deve ser concluído na próxima semana.

Segundo ela, porém, um veterinário, ex-funcionário do Pampas Safari, prestou depoimento e informou que os animais que foram sacrificados não tinham tuberculose.
“Ele disse que acompanhou o abate, que foi feito por outro profissional, contratado pela direção”, afirmou ao G1.

“Essa questão do abate por doença é muito questionável. Só o fato de haver essa informação, é necessário que se suspenda o abate até que sejam apurados os fatos, uma vez que o processo é irreversível”, completou.

Uma decisão judicial impede novos abates sem que haja comprovação da doença. A liminar foi concedida pelo juiz João Ricardo dos Santos Costa, da 16ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre. O magistrado também determinou que os animais contaminados sejam isolados e separados por sexo para evitar a procriação no local.

Entre os animais abatidos, estavam quatro fêmeas prenhes. “A gente quer esclarecer, saber o porquê disso. Tem uma lei federal que inclusive proíbe o sacrifício de uma fêmea prenhe”, sustentou Regina. A parlamentar é a autora da ação.

Protesto contra o abate de animais de Pampas Safari (Foto: Bernardo Bortolotto/RBS TV)
Protesto contra o abate de animais de Pampas Safari (Foto: Bernardo Bortolotto/RBS TV)

As amostras colhidas das carcaças dos animais foram encaminhadas ao Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, em Guaíba. Ao G1, o diretor Rogério Oliveira Rodrigues explicou que em um primeiro momento não foram detectadas lesões macroscópicas nos animais, mas que ainda são necessárias novas avaliações para confirmar o resultado.

“Deu negativo macroscopicamente, o que não significa dizer que não tenha bactéria. Não é um resultado definitivo, ainda está em processamento”, afirmou.

Fundado há 30 anos, o Pampas Safari fica no km 11 da RS-020, entre Gravataí e Cachoeirinha. O local possui uma área de 300 hectares, mas está fechado para visitações desde novembro do ano passado e em processo de encerramento.

Sobre a polêmica

Em abril, os donos do parque pediram autorização para abater os cervos e para que a carne dos animais que não tivessem a doença fosse vendida para consumo humano. O exame para comprovar a tuberculose só seria feito após a morte dos animais.

Na ocasião, o Ibama não autorizou, e pediu para o Safari fazer os exames com os animais vivos, para que os saudáveis fossem retirados do rebanho contaminado.
Animais do Pampas Safari são sacrificados por suspeita de contaminação por tuberculose

Os donos do parque disseram que não tinham dinheiro para fazer os exames e o tratamento dos cervos. Logo, pediram o abate emergencial de todos os animais por suspeita de tuberculose.

Essa não é a primeira vez que casos de tuberculose aparecem no parque. Em 2007, búfalos foram contaminados. Em 2013, um novo surto atingiu camelos, lhamas e cervos. O Ibama chegou a interditar o local, mas ele reabriu três meses depois.

“O parque vem desde 2012 reiteradamente descumprindo os próprios planos de controle dessa doença que eoles nos apresentam”, explicou o médico veterinário do Ibama Paulo Wagner.

Em novembro de 2016, o Pampas Safari voltou a ser fechado, desta vez porque não cumpriu as medidas impostas pelo Ibama, como fazer exames para detectar tuberculose nos animais.

O Ibama diz que os animais seriam mortos de qualquer jeito, porque a lei, no Brasil, permite o abate dessa espécie de cervo para consumo humano, da mesma forma como é feito com o gado, por exemplo. O Ibama acrescenta que o abate dos animais para consumo humano era normal enquanto o Safari estava funcionando.

O Ibama garante que a prioridade é evitar que a tuberculose se espalhe, e que depois serão apuradas as responsabilidades dos donos do parque. Eles podem responder por crime ambiental, por deixarem os animais morrerem.

“O problema é uma questão de saúde pública. Quanto mais esses animais permanecem no local, é maior o risco para outros animais, para as pessoas que estão lá dentro, e para o meio ambiente como um todo”, acrescenta o médico do Ibama.

Os proprietários informaram que estão em viagem fora do país e vão se pronunciar sobre o assunto em setembro, quando retornarem.

Fonte: G1

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