Fechado há 15 anos, Parque Zoobotânico do AP decide não receber mais animais

Unidade deve reabrir no segundo semestre de 2018, como Parque Botânico de Macapá. Instituição ainda terá animais, que foram levados para o prédio antes dele fechar para reforma.

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Onça é um dos animais que seguem vivendo no parque (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)
Onça é um dos animais que seguem vivendo no parque (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)

O atual Parque Zoobotânico de Macapá, além das mudanças físicas da reforma realizada desde 2015, também terá alteração nas atrações. A unidade vai dar destaque à botânica e não mais aos animais. Assim que for reaberto, não serão aceitos novos bichanos no parque, de acordo com a direção.

Fechado há 15 anos, as visitas deverão ser permitidas novamente no segundo semestre deste ano. O diretor Herialdo Monteiro explica que os visitantes ainda poderão conhecer os 32 animais que moram no parque, mas nenhum outro bichano será recebido.

“Não vamos mais receber animais, e os animais que já temos vamos ficar com eles até o final da vida deles. Uma série de fatores levou a isso. Os parques zoobotânicos do país inteiro estão passando por um momento difícil e de mudanças, por conta do custo para manter animal em cativeiro, e por questão ética, de expor animal silvestre”, explicou o diretor.

Parque Zoobotânico de Macapá vai passar a ter como atrativos espécies da flora e não receberá mais animais (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)
Parque Zoobotânico de Macapá vai passar a ter como atrativos espécies da flora e não receberá mais animais (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)

O parque não recebe animais desde 2004, seguindo uma recomendação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que identificou logradouros fora dos padrões para os bichanos.

De acordo com Monteiro, a mudança estava sendo discutida nos últimos anos e foi autorizada pela Prefeitura Municipal de Macapá, responsável pelo parque.

“Estamos pensando em reabrir o parque no segundo semestre. Não há previsão de ficar sem os animais ainda, porque temos animais idosos e outros que ainda têm muito tempo de vida, como uma anta que nasceu há 4 meses. Vamos dar todo o suporte necessário até o final de vida deles”, certificou o diretor.

 Atualmente o parque tem 32 animais, que continuarão por lá quando o parque reabrir (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)
Atualmente o parque tem 32 animais, que continuarão por lá quando o parque reabrir (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)

Botânica

Monteiro destaca que o parque já tem um universo grande de botânica, que pode ser visto, por exemplo, na trilha do Sacaca, cujas espécies são raras. O parque também tem um orquidário e o ecótono, área de transição entre três ecossistemas: ressaca, cerrado e a floresta amazônica.

“Vamos cuidar de transformar esses espaços botânicos em espaços de visitação. […] Isso já estava previsto no projeto da reforma. Não era dado ênfase, porque o foco era o animal. Agora vamos trabalhar a botânica como protagonista do parque”, confirmou.

Parque Zoobotânico de Macapá tem variedade de espécies florestais nos 107 hectares de área (Foto: John Pacheco/G1)
Parque Zoobotânico de Macapá tem variedade de espécies florestais nos 107 hectares de área (Foto: John Pacheco/G1)

Ainda não há um inventário das espécies presentes no Zoobotânico, que tem 107 hectares de área. Atualmente o parque tem animais como anta, arara, macacos, onças, gato-maracajá e urubu rei.

Parque e a reforma

O Parque Zoobotânico de Macapá foi fechado para visitações em 2003, por recomendação do Ibama, para que houvesse adequação à legislação ambiental. Antes de ser interditado, segundo a prefeitura, o local recebia 8 mil visitantes por mês e tinha cerca de 240 animais. A reforma foi, de fato, iniciada 12 anos depois, em 2015.

Parque Zoobotânico está fechado desde 2003, por recomendação do Ibama (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)
Parque Zoobotânico está fechado desde 2003, por recomendação do Ibama (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)

A falta de estrutura adequada nos logradouros teria afetado a saúde de duas onças que vivem no parque, por exemplo.

As mudanças necessárias no parque foram solicitadas através de uma Ação Civil Pública, e também foram estabelecidas em dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), um na esfera estadual e outro federal.

O parque recebeu ambientação dos espaços e ajuste na biosegurança, com a limpeza de trilhas. Os recursos alocados para a reforma foram de R$ 191.997,58, oriundos do Tesouro Municipal. Em 2017, foi anunciado que o parque precisaria de mais R$ 4 milhões para reabrir.

Reparos iniciaram pelos logradouros das onças em 2015 (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Reparos iniciaram pelos logradouros das onças em 2015 (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Uma das maiores dificuldades alegadas pela administração municipal ao longo do tempo foi a falta de recursos para a execução dos reparos e adequações ambientais. Em um dos orçamentos, o valor estimado necessário para a obra chegou a cerca de R$ 15 milhões.

Há a intenção de serem realizados no local estudos de plantas amazônicas, assim como torná-lo um centro de pesquisas para a biodiversidade da região.

Antas são alguns dos animais que ainda vivem no parque (Foto: Abinoan Santiago/G1)
Antas são alguns dos animais que ainda vivem no parque (Foto: Abinoan Santiago/G1)
 Araras também vivem no Parque Zoobotânico em Macapá (Foto: Jéssica Alves/G1)
Araras também vivem no Parque Zoobotânico em Macapá (Foto: Jéssica Alves/G1)

Por Fabiana Figueiredo

Fonte: G1

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