Onça é um dos animais que seguem vivendo no parque (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)

Fechado há 15 anos, Parque Zoobotânico do AP decide não receber mais animais

O atual Parque Zoobotânico de Macapá, além das mudanças físicas da reforma realizada desde 2015, também terá alteração nas atrações. A unidade vai dar destaque à botânica e não mais aos animais. Assim que for reaberto, não serão aceitos novos bichanos no parque, de acordo com a direção.

Fechado há 15 anos, as visitas deverão ser permitidas novamente no segundo semestre deste ano. O diretor Herialdo Monteiro explica que os visitantes ainda poderão conhecer os 32 animais que moram no parque, mas nenhum outro bichano será recebido.

“Não vamos mais receber animais, e os animais que já temos vamos ficar com eles até o final da vida deles. Uma série de fatores levou a isso. Os parques zoobotânicos do país inteiro estão passando por um momento difícil e de mudanças, por conta do custo para manter animal em cativeiro, e por questão ética, de expor animal silvestre”, explicou o diretor.

Parque Zoobotânico de Macapá vai passar a ter como atrativos espécies da flora e não receberá mais animais (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)
Parque Zoobotânico de Macapá vai passar a ter como atrativos espécies da flora e não receberá mais animais (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)

O parque não recebe animais desde 2004, seguindo uma recomendação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que identificou logradouros fora dos padrões para os bichanos.

De acordo com Monteiro, a mudança estava sendo discutida nos últimos anos e foi autorizada pela Prefeitura Municipal de Macapá, responsável pelo parque.

“Estamos pensando em reabrir o parque no segundo semestre. Não há previsão de ficar sem os animais ainda, porque temos animais idosos e outros que ainda têm muito tempo de vida, como uma anta que nasceu há 4 meses. Vamos dar todo o suporte necessário até o final de vida deles”, certificou o diretor.

 Atualmente o parque tem 32 animais, que continuarão por lá quando o parque reabrir (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)
Atualmente o parque tem 32 animais, que continuarão por lá quando o parque reabrir (Foto: Fundação Parque Zoobotânico/Divulgação)

Botânica

Monteiro destaca que o parque já tem um universo grande de botânica, que pode ser visto, por exemplo, na trilha do Sacaca, cujas espécies são raras. O parque também tem um orquidário e o ecótono, área de transição entre três ecossistemas: ressaca, cerrado e a floresta amazônica.

“Vamos cuidar de transformar esses espaços botânicos em espaços de visitação. […] Isso já estava previsto no projeto da reforma. Não era dado ênfase, porque o foco era o animal. Agora vamos trabalhar a botânica como protagonista do parque”, confirmou.

Parque Zoobotânico de Macapá tem variedade de espécies florestais nos 107 hectares de área (Foto: John Pacheco/G1)
Parque Zoobotânico de Macapá tem variedade de espécies florestais nos 107 hectares de área (Foto: John Pacheco/G1)

Ainda não há um inventário das espécies presentes no Zoobotânico, que tem 107 hectares de área. Atualmente o parque tem animais como anta, arara, macacos, onças, gato-maracajá e urubu rei.

Parque e a reforma

O Parque Zoobotânico de Macapá foi fechado para visitações em 2003, por recomendação do Ibama, para que houvesse adequação à legislação ambiental. Antes de ser interditado, segundo a prefeitura, o local recebia 8 mil visitantes por mês e tinha cerca de 240 animais. A reforma foi, de fato, iniciada 12 anos depois, em 2015.

Parque Zoobotânico está fechado desde 2003, por recomendação do Ibama (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)
Parque Zoobotânico está fechado desde 2003, por recomendação do Ibama (Foto: Abinoan Santiago/Arquivo G1)

A falta de estrutura adequada nos logradouros teria afetado a saúde de duas onças que vivem no parque, por exemplo.

As mudanças necessárias no parque foram solicitadas através de uma Ação Civil Pública, e também foram estabelecidas em dois Termos de Ajustamento de Conduta (TACs), um na esfera estadual e outro federal.

O parque recebeu ambientação dos espaços e ajuste na biosegurança, com a limpeza de trilhas. Os recursos alocados para a reforma foram de R$ 191.997,58, oriundos do Tesouro Municipal. Em 2017, foi anunciado que o parque precisaria de mais R$ 4 milhões para reabrir.

Reparos iniciaram pelos logradouros das onças em 2015 (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)
Reparos iniciaram pelos logradouros das onças em 2015 (Foto: Reprodução/Rede Amazônica)

Uma das maiores dificuldades alegadas pela administração municipal ao longo do tempo foi a falta de recursos para a execução dos reparos e adequações ambientais. Em um dos orçamentos, o valor estimado necessário para a obra chegou a cerca de R$ 15 milhões.

Há a intenção de serem realizados no local estudos de plantas amazônicas, assim como torná-lo um centro de pesquisas para a biodiversidade da região.

Antas são alguns dos animais que ainda vivem no parque (Foto: Abinoan Santiago/G1)
Antas são alguns dos animais que ainda vivem no parque (Foto: Abinoan Santiago/G1)
 Araras também vivem no Parque Zoobotânico em Macapá (Foto: Jéssica Alves/G1)
Araras também vivem no Parque Zoobotânico em Macapá (Foto: Jéssica Alves/G1)

Por Fabiana Figueiredo

Fonte: G1

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