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Fogo destrói 50 hectares de mata e expulsa animais de seu habitat em Ribeirão Preto, SP

Macacos deixaram a Mata de Santa Tereza em busca de alimentos e invadem estradas e áreas residenciais.

Por Lucas Catanho

SP ribeiraopreto 4fde58cd6159O incêndio que voltou a atingir a mata de Santa Tereza desde o início desta semana já afugenta animais que viviam na área verde. O fotógrafo Weber Sian, do A Cidade, flagrou na última quarta-feira, a migração de diversos macacos que deixaram a mata para buscar abrigo e alimentos em outros locais. Com isso, um alerta à população: o risco de se deparar com animais selvagens dentro de casa aumenta.

“A mata de Santa Tereza abriga várias espécies de aves, grande quantidade de abelhas e de insetos. Entre as espécies mamíferas, há os saguis”, enumera o ambientalista Paulo Finotti, presidente da Sociedade de Defesa Regional do Meio Ambiente.

Ele acrescenta que, por conta da destruição do local onde vivia a fauna, os animais são obrigados a migrar para terrenos vizinhos ou ir muito mais além se não encontrarem alimento.

Segundo o ambientalista, os macacos se alimentam principalmente de ovos de determinadas aves e também de aves filhotes que eles tenham condições de caçar. “Os saguis não aguentam ficar no ambiente que têm grande quantidade de fuligem, se ficarem lá podem morrer por asfixia. Por isso buscam outros locais”, explica o ambientalista.

Os macacos representam perigo para a saúde humana, pois podem ser portadores de vetores de doenças como a leptospirose e a raiva.

Em maio deste ano, o Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto levou aproximadamente três horas para capturar uma onça suçuarana na copa de uma árvore da praça Nadyr Freitas Monteiro da Silva, perto do Novo Mercado Municipal, no bairro Nova Aliança, zona sul.

Para o ambientalista Paulo Finotti, o animal pode ter fugido da Mata Santa Tereza. “O fogo faz os animais saírem do seu hábitat natural. Os insetos morrem, as colmeias são destruídas e as abelhas vêm para a cidade, por exemplo. Com isso aumenta a mortalidade de animais em estradas, já que eles fogem para outro local. Vem sendo comum encontrarmos onças suçuaranas dentro das cidades, devido ao mesmo fenômeno”, pontua.

A mata de Santa Tereza é caracterizada como uma área de transição entre Mata Atlântica (com árvores altas e vegetação fechada) e o cerrado (arbustos mais baixos) e como uma floresta composta por uma fauna plural.

O que fazer

Em caso de se deparar com um animal selvagem na zona urbana, a dica é ligar imediatamente para o Corpo de Bombeiros fazer o resgate (193). Após ser capturado, o animal será levado a alguma reserva da região.

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Controle segue por tempo indeterminado

O comandante operacional do Corpo de Bombeiros na microrregião de Ribeirão, capitão Rodrigo Quintino, disse ontem à reportagem que os trabalhos para controlar o incêndio na mata de Santa Tereza não têm data para terminar.

A reserva voltou a pegar fogo na última segunda-feira, depois que 50 hectares – tamanho equivalente a 50 campos de futebol oficiais – foram destruídos durante três dias, entre a noite de 31 de agosto e o fim da tarde de 3 de setembro. No início da semana, chamas voltaram em diversos pontos. “Em caso de incêndios de grandes proporções sobram braseiros e áreas quentes. O aumento da temperatura, a baixa umidade e os ventos podem ter ocasionado o retorno do fogo”, acredita o comandante.

No local trabalham 14 homens do Corpo de Bombeiros, com cinco viaturas. Cinco caminhões de apoio do Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto), de uma concessionária de rodovias e de usinas.

“Os trabalhos são realizados das 8h às 20h e ficamos com equipes de prontidão para preservar as áreas residenciais. Não deixamos o fogo se alastrar e estamos protegendo as nascentes da floresta”, conclui o comandante. No entorno da mata há um canteiro de obras de um condomínio e pequenas propriedades rurais, mas esses locais não foram comprometidos.

Usinas ajudam

As usinas da região de Ribeirão engrossam a força-tarefa de combate ao fogo na região. Nos últimos 30 dias, 144 focos de incêndio foram registrados em Ribeirão e em mais 17 cidades vizinhas.

Segundo a promotora do Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), Claudia Abib, uma primeira reunião foi realizada no último dia 10 entre o Ministério Público e representantes de usinas, da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), do Corpo de Bombeiros e da Polícia Ambiental.

O objetivo do encontro foi traçar um plano para contenção dos focos de incêndio na região. “Agora, no próximo dia 25, no Ministério Público, teremos um novo encontro em que será definida a operacionalização desse plano. As usinas vão dispor de equipamentos e maquinários para auxiliar no combate ao fogo na região, como já está ocorrendo na mata de Santa Tereza”, frisou a promotora.

Fonte: Jornal A Cidade

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