Fogos de artifício em festas de fim de ano preocupam reserva ambiental do AP

Tratadores da Revecom vão ficar em alerta. Poluição sonora já provocou transtornos para uma onça que teve que passar por cirurgia.

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Preocupação com fogos de artifícios é resultar em acidentes dos animais (Foto: Cassio Albuquerque/Arquivo G1)
Preocupação com fogos de artifícios é resultar em acidentes dos animais (Foto: Cassio Albuquerque/Arquivo G1)

A administração da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) – Revecom está trabalhando para conscientizar a população que mora próximo ao bairro Vila Amazonas, em Santana. A preocupação é com a queima de fogos de artifícios, comum nas festas de fim de ano. O barulho tem causado estresse e problemas de saúde nos animais abrigados.

De acordo com o administrador da reserva, Paulo Amorim, o barulho estrondoso causa intenso estresse aos cerca de 300 animais que vivem no local. Ele ressalta as dificuldades em manter a ordem na reserva diante da falta de recursos.

“Durante a virada de ano, eu faço patrulhamento para verificar o estado de estresse dos animais. Caso houver algum acidente, vou tentar ajudar. Por falta de recursos, estamos sem equipe e voluntários para este trabalho de controle e conscientização”, disse.

Amorim destaca o caso da onça “Miau”, de 16 anos, que teve garras de duas patas encravadas após acidente por estresse provocado pelo alto volume de som em uma festa que acontecia próxima da reserva, no dia 28 outubro. O animal passou por cirurgia.

Ainda segundo o administrador, foi a terceira vez que o felino se machucou durante momentos de estresses envolvendo barulho. Outras vezes teriam sido provocadas por fogos de artifícios em jogo de futebol e festa de réveillon.

Onça 'Miau' teve que passar por cirurgia após estresse provocado por barulho (Foto: Paulo Amorim/Arquivo Pessoal)
Onça ‘Miau’ teve que passar por cirurgia após estresse provocado por barulho (Foto: Paulo Amorim/Arquivo Pessoal)

O animal passou por cirurgia no dia 17 de novembro após apresentar dificuldades de locomoção. Foi um médico veterinário do Paraná quem conduziu o procedimento, custeado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Amapá (Fecomércio-AP).

Para evitar episódios parecidos como o da onça, Amorim pede a colaboração da população sobre os riscos que podem ser provocados pela solta de fogos e outros recursos de alta sonorização.

“Nós já fizemos muitas campanhas de conscientização, mas as pessoas gostam de fogos de artifícios e não se preocupam com os animais. Na reserva, eu fico sozinho correndo de um lado para outro, para saber se os animais estão bem em seus logradouros”, finalizou.

Por Jorge Abreu

Fonte: G1

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