Animais foram apreendidos durante ação da FPI do São Francisco - FOTOS: JONATHAN LINS/MINISTÉRIO PÚBLICO

FPI recupera 100 animais silvestres que eram mantidos em cativeiro em Alagoas

Seguem intensos os trabalhos da Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco. Em dois dias de atividades, a força-tarefa conseguiu recuperar cerca de 100 animais silvestres que eram mantidos em cativeiros. Somente nesta terça-feira (06), foram resgatados 28 pássaros em uma única propriedade, localizada no município de Teotônio Vilela, Agreste alagoano. Entre as aves encontradas estavam dois exemplares do Sete-cores, também conhecido como pintor verdadeiro, e que está na lista vermelha de animais ameaçados de extinção no Brasil.

Nos locais que foram alvos da FPI, os fiscais do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) emitiram 18 autos de infração, com os policias do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA) lavrando 22 termos circunstanciados de ocorrência (TCO). Na ação, eles contaram com o apoio de técnicos da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco.

“A manutenção de qualquer animal silvestre em cativeiro desobedece diretamente a legislação ambiental. Temos visto cada vez menos essas espécies soltas na natureza. São animais que possuem funções importantes no nicho ecológico onde vivem e, obviamente, precisam estar soltos para cumpri-las. Além do mais, eles acabam tendo suas funções biológicas impedidas, já que não conseguem voar ou se reproduzir. É por isso que se faz urgente o resgate para que, após reabilitados, possamos soltá-los”, explicou o técnico do IMA Epitácio Correia.

Além dos dois Sete-cores, também foram encontradas espécies de Craúna, Azulão, Papa-capim, Veludo, Sabiá e Galo-de-campina.

Jabutis e Tejos

No primeiro dia de operação, foram resgatados 72 animais silvestres em residências da cidade de Penedo. Além de espécies de aves, a FPI também recuperou cinco jabutis e dois tejos. “Todos estavam em situação de maus-tratos. Os tejos foram encontrados em gaiolas pequenas, sujas e com pouca água. São animais que não se acostumam a viver dentro de grades. Eles precisam ficar soltos no meio ambiente. Presos, entram em sofrimento”, esclareceu Epitácio Correia.

Todos os animais recuperados estão sendo levados para o Centro de Triagem Animal da FPI. Lá, recebem tratamento adequado de uma equipe formada por veterinários, ornitólogos e biólogos até recuperarem as condições de reintrodução na natureza.

Entrega voluntária

A FPI também incentiva a entrega voluntária de animais silvestres. Para tal, técnicos de órgãos ambientais estão de plantão na sede do Ministério Público, em Penedo. Os cidadãos que optarem por isso ficarão isentos de qualquer penalidade.

Eficiência

Para o promotor de justiça Ramon Formiga, que tem atuação nas Promotorias de Penedo e Teotônio Vilela, a FPI do São Francisco tem contribuído para a instalação e o fortalecimento de políticas públicas ambientais nos municípios alagoanos. “Esta é a segunda FPI que acompanho, e tenho notado que a força-tarefa provoca melhorias ambientais consideráveis por onde passa. O programa incentiva gestões públicas municipais a implantarem políticas ambientais necessárias ao desenvolvimento saudável das cidades”, disse ele.

O promotor ainda citou como exemplo a interdição do lixão do município de Teotônio Vilela, ocorrido a partir de ações adotadas em etapas anteriores da FPI. “O lixão foi interditado e o Executivo passou a dar a destinação adequada aos resíduos sólidos produzidos na cidade. Hoje, o poder público já compreende o quanto é vantajoso transportar os resíduos sólidos para um local adequado, proporcionando, assim, um meio ambiente mais saudável para a sua população”, destacou.

Fonte: Gazetaweb

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