Juliana Alves/CMT

Gatos são vítimas de preconceito e violência extrema, denuncia ong de Cuiabá

17 de fevereiro é o Dia Mundial do gato. A data foi criada com o objetivo de conscientizar sobre as necessidades do animal e alertar para os casos de maus tratos. Em Cuiabá, é possível notar cada vez mais gatos abandonados, espancados e atropelados. Segundo Vanessa Pinho Silva, representante do grupo protetor dos animais CãoCuidado CãoAmor, há um grande número de cães abandonados, porém os felinos são os que mais sofrem preconceito e crueldades.

Apesar do nome “CãoCuidado CãoAmor”, a sede da ong, que existe há 22 anos, abriga cerca de 200 gatos e 53 cães. “A maioria dos animais recolhidos foram retirados das ruas. Pegamos em casos de situação de risco, quando estão machucados, atropelados, abandonados… Mas também tem gente que coloca em caixa ou saco e os abandona aqui ou nos cemitérios da Piedade e no Porto”, explicou Vanessa.

Ela explicou ao Circuito Mato Grosso que os gatos são as maiores vítimas de rituais e de pessoas que não gostam de gatos alegando que “eles não têm alma”.

No gatil é possível encontrar os gatos Mostarda, a Chinesa, a Agnes ou o Obama. Este último, por exemplo, é preto e quando estava nas ruas, pedia por comida próximo a um local que servia espetinhos, até que alguém enfiou o espeto nos olhos do bichano. Dessa forma, Obama perdeu seu olho direito e ficou com sequelas, mas adora um carinho.

Tainá Marques e um dos gatos que vivem na CãoCuidado CãoAmor
Tainá Marques e um dos gatos que vivem na CãoCuidado CãoAmor

Entre outros casos, tem um gato que foi queimado por um grupo de adolescentes, felinos que levaram um tiro na cabeça, que teve a pata arrancada, entre outros.

Segundo Vanessa, gatos com olhos extraídos, rabo queimado, molestados sexualmente, com agulhas por todo o corpo, com nomes de pessoas costurados em suas bocas, estão entre as piores formas de maus tratos.

Ela ainda contou que existem pessoas em Cuiabá, adeptas de uma determinada seita, que fazem uma incisão na pata esquerda traseira dos animais, usam uma gilete para arrancar o couro inteiro, até a ponta dos dedos. Com esse couro, eles produzem um amuleto para atrair fortuna. O gato fica abandonado, com a ferida aberta.

Os gatos tidos como perfeitos são os que mais são agredidos em rituais. “Eles tem que ser completamente de uma cor só, não podem ser castrados ou ter algum defeito físico. Ele tem que ser perfeito e é uma relação com algo que tem na Bíblia de que você oferece o que tem de melhor para a entidade”.

Vanessa ainda explica que os contos, filmes, novelas, que mistificam os gatos faz com que as pessoas realmente acreditem que eles são aquilo. “Também acreditam que o gato é independente e que sabe se virar na rua, mas ele não sabe, ele é um bebezão. Ele precisa de cuidado, de alimentação, ele tem dor de barriga, tem verme. Ele precisa de cuidados humanos para que ele tenha uma vida mais longa e saudável. Essas ideias condenam a população de gatos a morte”.

Alguns dos 200 gatos que a ong resgatou
Alguns dos 200 gatos que a ong resgatou

Tainá Marques é nutricionista e uma das fundadoras do projeto Luta e União de Amigos para Animais em Risco (Lunaar). Ela notou a diminuição de gatos dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), devido aos casos de envenenamento e espancamento que os felinos estavam sofrendo dentro da universidade, e com um grupo de amigos começou a lutar pela causa animal.

“As pessoas tem uma crença de que os gatos transmitem certas doenças, mas que na verdade eles não transmitem. A toxoplasmose, por exemplo, as pessoas acham que os gatos transmitem pelo ar, por onde ele passa perto… Mas para pegar toxoplasmose você tem que ingerir as fezes do gato e ninguém vai fazer isso. Ela é transmitida por alimentos crus e contaminados, carnes, legumes e frutas não higienizadas. Não é culpa do gato”, explicou Tainá.

Ela defende que as pessoas devem pesquisar sobre os gatos antes de criticarem. “Quando a pessoa da pelo menos uma chance, ela acaba se apaixonando. Eles são bons amigos, companheiros, amorosos, leais, não precisa de banho, nem levar para passear e são práticos de cuidar”.

O projeto Lunaar realizará no sábado (23) uma feira de adoção de gatos. Será na clinica veterinária Vivet, na Avenida Carmindo de Campos, a partir das 8h. “Vamos ter vários gatinhos para adoção. Também entregamos uma cartilha que explica algumas orientações sobre o animal, como não pode ter acesso as ruas, tem que ser vacinado, vermifugado, tem que castrar, entre outras coisas”.

Quem quiser realizar doações de rações específicas para gatos, pois eles não comem as de cachorros (são as mais doadas), os pontos fixos de coleta ficam na petshop Bendita Pata, Rua Marechal Mascarenhas de Moraes, e na Academia Inspire, na Avenida Miguel Sutil.

“Andar com um pouco de ração e dar para um animal quando o encontrar, também faz a diferença. Às vezes é o que vai fazer ele sobreviver, pois pode estar a dias sem comer e isso pode estar salvando ele. Cada um vai estar fazendo a sua parte da forma que puder”, declarou Tainá.

Além disso, as pessoas também podem doar medicação, produtos de limpeza, papelão, toalhas e vasilhas, dessa forma ajudando aos gatos e aos cachorros da CãoCuidado CãoAmor.

Nas redes sociais (Facebook e Instagram), o projeto Lunaar posta diariamente dicas, cuidados, adoções e razões para adotar um bichano.

Por Juliana Alves/CMT

Fonte: Circuito MT

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