Impunidade: Autuado 16 vezes, maior traficante de animais do país continua livre

2751

Valdivino Honório de Jesus, 60 anos, funcionário público da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado da Paraíba (Emepa), é um contraventor persistente. Favorecido pela impunidade, Valdivino continua na atividade de tráfico de animais depois de ter sido autuado 16 vezes pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). As multas aplicadas a ele em mais de 20 anos de infrações passam de R$ 4,5 milhões.

Considerado o maior traficante de animais silvestres Brasil, Valdivino já teve 3.775 animais apreendidos em seu poder. Se considerar os animais não apreendidos, segundo os investigadores, estima-se que o número de animais traficados por Valdivino atinja cem vezes mais.

Para o Ministério Público Federal, “mesmo milionárias, as multas administrativas não impediram Valdivino de continuar no seu lucrativo negócio ilícito”. “Mesmo a atuação da Justiça Penal parece ser desdenhada pelo agente criminoso”, diz o MPF em ação contra o infrator.

Valdivino foi flagrado pela última vez no dia 12 de setembro, em Patos, no sertão da Paraíba. Durante as buscas, a Polícia Federal encontrou jabutis e aves na casa do filho de Valdivino. Apesar do flagrante e da longa ficha de infrações, Valdivino Honório não foi preso. Ele foi conduzido coercitivamente e liberado no mesmo dia.

O Nordeste, terra natal de Valdivino, é a região do país onde concentra o maior número de traficantes de animais silvestres. Segundo Ibama, seis dos dez maiores contraventores estão nos estados nordestinos. Mas Valdivino tem atuação nacional, segundo o MPF, com registros de autuações em várias regiões. Nem mesmo o Paraná escapou da rota.

Ação no Paraná

Em 2012, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Ambiental do Paraná prenderam Valdivino Honório logo após ele ter sofrido um acidente na BR-116, em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba. O paraibano transportava cerca de 40 pássaros silvestres em um Celta com placas de Minas Gerais, que bateu em um barranco na rodovia. Gaiolas caíram no Rio Bonito e, segundo testemunhas, com medo de ser flagrado, Valdivino passou a estrangular as aves, o que ele negou.

Foto de Valdivino Honório de Jesus postada em perfil do Facebook atribuído a ele.
Foto de Valdivino Honório de Jesus postada em perfil do Facebook atribuído a ele.

A maioria dos pássaros morreu e apenas sete foram recuperados: uma ararajuba, três araras brasileiras, um corrupião, um trinca-ferro e um azulão. Eles foram levados para o Centro de Triagem de Animais Selvagens, em Tijucas do Sul, onde passaram por um período de recuperação antes de serem devolvidos à natureza. Valdivino foi internado e liberado em seguida.

Em maio do ano passado, a Polícia Rodoviária Federal da Bahia pegou Valdivino em flagrante quando este transportava mil pássaros silvestres, da espécie canário-da-terra, dentro do porta-malas de seu carro. Os pássaros estavam aglomerados em pequenas gaiolas, sendo que 15 aves foram encontradas mortas.

“Para ele o crime compensa. Além de lucrar com a atividade, quando é autuado praticando tráfico de animais ele não fica na prisão”, resume o coordenador nacional de fiscalização do Ibama, Roberto Cabral.

Quando o tráfico se restringe a aves, Valdivino perde o título de maior do Brasil. O campeão, segundo a Polícia Federal, é Márcio Rodrigues, dono de um viveiro em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba. Em junho de 2010 Rodrigues foi detido em uma operação realizada em todo o país. De acordo com a PF, a organização liderada por Rodrigues, além do tráfico, adulterava as anilhas de certificação de origem dos animais, concedida pelo Ibama. Ele negou qualquer irregularidade.

Por Célio Martins

Fonte: Gazeta do Povo


Nota do Olhar Animal: Pessoas dedicam grandes esforços para criar leis que protejam os animais e as autoridades que deveriam aplicá-las VERGONHOSAMENTE deixam de fazê-lo, criando situações da mais absoluta impunidade que, como se sabe, acaba por incentivar ainda mais a prática do crime.

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.