Foto: Euzivaldo Queiroz

Inpa realiza soltura de 10 peixes-bois em comunidade no baixo Purus, no Amazonas

Uma grande estrutura foi montada para levar dez peixes-bois do lago de readaptação de Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus) até a Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Piagaçu-Purus, no baixo Purus, um dos principais rios da Amazônia. Os animais serão reintroduzidos no habitat neste final de semana pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). É a maior soltura da espécie em toda área de distribuição em que ela ocorre – Brasil, Colômbia, Peru e Equador.

O biólogo Diogo Souza, responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois da Amazônia, disse que os animais serão transportados em tanques de fibra sob a proteção dos cientistas. “Do lago de readaptação eles serão levados em caminhões para o barco, onde ficarão em piscinas de fibra com água. A viagem até a RDS Piagaçu-Purus dura 18 horas. Vamos com uma equipe de 30 pessoas do projeto, entre veterinários, biólogos, tratadores, parceiros do Japão e um pesquisador do Peru”, contou.

A viagem de barco pode ser estressante, mas Souza garante que a equipe vai acompanhar o comportamento dos dez animais ao longo de todo o deslocamento, e como os peixes-bois resistem bem a transportes longos e vão estar dentro de piscinas com água, a previsão é que isso minimize o estresse deles. Além disso, o biólogo salienta que a equipe tem experiência e manejo com a espécie.

Conforme Diogo Souza, o barco deve chegar na manhã de domingo à RDS Piagaçu-Purus. Crianças e adultos da comunidade, que atua em conjunto na preservação da espécie, vão poder visitar os tanques. “Temos feito um trabalho ambiental com eles há dois anos. Isso tem sido um ponto forte do projeto. Depois da visitação vamos seguir para o lago onde os animais serão soltos. A ideia é soltar sete no domingo e os outros três na segunda-feira”, revelou.

“Estamos fechando um ciclo, que teve início com o resgate desses animais, passando pelo processo de pesquisa e readaptação. Este é o momento mais significativo, pois vemos que o trabalho está dando certo. Devolver é o mais importante para nós e o objetivo do projeto de reintrodução”, declarou Souza.

Monitorados por transmissores

Serão soltos cinco peixes-bois machos e cinco fêmeas. São eles: Aboré, Rudá, Gurupá, Manicoré e Itacoati (machos); e as fêmeas Anori, Adana, Baré, Piracauera e Naiá. Esses animais têm idade entre quatro e 15 anos, pesam em média cerca de 150 quilos e medem dois metros de comprimento.

“Os animais estão em boas condições de saúde com peso e tamanho adequados”, explica o biólogo Diogo Souza. “E, destes dez animais, cinco receberão os cintos transmissores para monitoramento pós-soltura”, destaca, acrescentando que os outros cinco serão soltos diretamente na natureza e não serão monitorados em razão do sucesso de 100% dos outros indivíduos que já foram reintroduzidos.

Na área de várzea da RDS Piagacu-Purus, onde os animais serão soltos, eles terão à disposição um “cardápio” mais rico e variado. A alimentação dos peixes-bois, que comem por dia o equivalente a cerca de 10% do seu peso, contará com uma diversidade de mais de 60 espécies de plantas aquáticas.

Por Silane Souza

Fonte: A Crítica

Os comentários abaixo não expressam a opinião do Olhar Animal e são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.