Insuficiência renal em cães

Por Leonardo Maciel 

A insuficiência renal, ou seja , a dificuldade dos rins em filtrar o sangue, é uma patologia complexa que acomete cães de todas as raças, principalmente os idosos.

A insuficiência renal pode começar em animais muito jovens, devido a problemas genéticos, como nas raças shih-tzu e maltês. Nestes casos o animal pode nascer sem um dos rins e com más formações como cistos no outro. Sinais como baixo peso, apetite caprichoso, vômitos esporádicos e sonolência exagerada devem ser pesquisados. Estes sintomas ocorrem como se fosse uma intoxicação crônica, porque os tóxicos (resíduos metabólicos) não são retirados do sangue pelos rins. Os tóxicos mais comumente identificados são a uréia e a creatinina.

Em animais adultos, a insuficiência renal pode acontecer após um episódio de envenenamento, picada de cobra, abelha ou outros que possuam veneno, uma infecção muito grave que tenha circulado pelo sangue, utilização de medicamentos que são tóxicos para os rins sem o devido cuidado.Em áreas endêmicas, a leishmaniose tem sido a principal causa de insuficiência renal.

Uma outra causa frequente de insuficiência renal é a hipertensão arterial, que acontece muito nos gordinhos e idosos com complicações como o diabetes. Como se percebe, o mau funcionamento dos rins pode não ser uma entidade única, e o paciente deve ser avaliado como um todo. Sem um diagnóstico completo, são poucas as chances de sobrevida.

Nos animais idosos, o problema pode ser silencioso, ou seja , o tutor não percebe os sinais ou os confunde com alterações “normais “ da idade. Um check-up para os idosos deve contemplar sempre a monitoração da função renal pelo sangue e o exame de urina. A doença pode ser  lenta, até chegar ao ponto de paralisia das funções dos rins com vômitos com sangue, diarréia escura e  desidratação grave com mau prognóstico. Um sinal facilmente percebido pelo tutor é a halitose, onde  se observa um cheiro de amônia na boca, bem característico, chamado hálito urêmico.

Muitas vezes não se descobre a causa inicial do problema, mas o tratamento básico será o mesmo. Quando descoberta na fase inicial, a insuficiência renal pede mudança na dieta. Existem rações comerciais para cães com insuficiência renal, na forma de grãos e também de patês em lata. Alguns animais podem ter um quadro agudo com muitos enjôos e podem receber alimentação caseira à base de arroz, legumes, frutas e papinhas.

 A carne é contra indicada para animais com insuficiência renal aguda, pois os rins não conseguirão filtrar o resíduo metabólico que é a uréia, que causa muito mal estar. Contudo, estes animais não podem ficar sem proteína de alta qualidade pois pelos rins lesados se perde muita proteína que sai pela urina.

Os cães com insuficiência renal têm que ser monitorados frequentemente para verificar se  estão anêmicos. Além da perda de proteína pela urina, os rins lesados deixam de produzir um hormônio (a eritropoietina) que é quem estimula a medula óssea a produzir sangue. Se os rins não estiverem produzindo este hormônio, ele pode ser aplicado através de injeções. Este hormônio é de baixo custo e fácil aplicação. A administração de suplementos à base de ferro para cães anêmicos e com insuficiência renal pode não oferecer bons resultados e  até levar à piora em alguns casos.

Existem uma série de medicamentos que podem melhorar a qualidade de vida do cão com mau funcionamento dos rins, além da dieta. Inicialmente o cão deveria ingerir uma quantidade maior de água, mas não o fará espontaneamente, assim, muitos vão às clínicas veterinárias e passam algumas horas do dia recebendo soro venoso com suplementação vitamínica. O monitoramento através de exames laboratoriais é essencial.

Como prevenção, aconselha-se uma ultrassonografia em filhotes de raças pequenas recém adotados e exames de sangue pelo menos anuais nos adultos. Um excesso de carne na dieta também não é aconselhável e a ração deve ser escolhida de acordo com a idade e as condições corporais. As frutas ácidas como a laranja, a maçã e a tangerina, se ingeridas com frequência também são de grande ajuda na acidificação e manutenção da saúde de aparelho urinário.

Se diagnosticado precocemente, e adequadamente tratado, o cão pode ter qualidade de vida por muito tempo. O tutor deve adaptar sua rotina aos medicamentos e dieta do cão sem que isto interfira na qualidade de vida de ambos. O monitoramento, mesmo quando tudo está aparentemente bem é a chave.


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