Justiça adia análise de interdição do Zoo de Brasília; parque continua aberto

Justiça do Distrito Federal adiou, nesta segunda-feira (9), a análise de um pedido de interdição do Jardim Zoológico de Brasília. O caso é avaliado pela Vara de Meio Ambiente do DF, e só deve voltar à pauta daqui a 40 dias. Até lá, o zoo segue aberto ao público.
A audiência durou quase duas horas. Ao fim, o juiz Carlos Frederico Maroja negou a interdição provisória, mas acatou o pedido de ambientalistas e demandou novas informações à direção do zoo.

“Entendo que é necessário colher maiores elementos de convicção que permitam concluir pela eventual negligência ou má gestão do zoológico sobre as mortes dos animais. Até que se tenha alguma evidência conclusiva de tais correlações, impõe-se ao Judiciário respeitar o funcionamento regular da instituição pública”, escreveu.

Juiz negou temporariamente pedido de interdição do Zoológico de Brasília. (Foto: Marcelo Cardoso/G1)

Desde janeiro,  três animais de grande porte morreram no zoológico: o elefante Babu, a girafa Yvelise e a adax Gaia. Para uma das autoras do processo, a ativista Carolina Mourão, a situação exige a interdição imediata das visitas no local.

“São três mortes que não envolvem envelhecimento. Está claro que não há segurança para os animais e, se não há para eles, também não há para as pessoas”.

Adax descansa no Zoo de Brasília, em imagem de arquivo. (Foto: Andre Borges/Agência Brasília/Divulgação)

Para o diretor-presidente do zoológico, Gerson Norberto, porém, o único óbito que ainda traz questionamento é o de Babu. Segundo ele, as outras duas mortes foram provocadas por causas naturais e poderiam ter acontecido a qualquer momento.

“Nós trabalhamos com vidas e, infelizmente, às vezes lidamos com mortes. Isso é normal do funcionamento de qualquer zoológico e hospital veterinário.”

Elefante Babu

Vídeo: mostra a chegada do elefante Babu ao Zoológico de Brasília em 1995

Vídeo mostra a chegada do elefante Babu ao Zoológico de Brasília em 1995
De acordo com o diretor do zoo, dois dos três exames feitos nas células do pâncreas de Babu afastam a  tese de envenenamento – levantada anteriormente pela própria equipe. O elefante morreu em 7 de janeiro, vítima de uma pancreatite aguda.

Segundo o zoo, as análises apontaram uma infecção microbacteriana como provável causa da doença. A conclusão definitiva, porém, só deve sair na próxima semana, quando a Universidade Estadual de São Paulo (Unesp) – encarregada de analisar as amostras – deve divulgar os resultados da última prova.

O elefante Babu no Zoológico de Brasília. (Foto: TV Globo/Reprodução)

Babu não resistiu a uma parada cardiorrespiratório e morreu na noite de 7 de janeiro. O animal chegou ao zoo da capital federal em 1995, com três anos de idade, e nunca havia ficado doente antes de morrer. Ele nasceu na África do Sul e tinha 25 anos. A expectativa de vida para um elefante é de, pelo menos, 60 anos.

Sistema de vigilância

Durante a audiência, Norberto citou um estudo feito pelo zoo em 2017 que indicava a necessidade de 160 câmeras para a devida vigilância do parque. Atualmente, apenas 10 estão em funcionamento — todas elas na entrada principal, onde fica a bilheteria.
Segundo Norberto, um processo licitatório para a aquisição dos equipamentos está em vigor desde o ano passado, mas não deve ser concluído em 2018, por causa dos trâmites burocráticos.

Girafa no Zoológico de Brasília. (Foto: Nilson Carvalho/Agência Brasília/Divulgação)

Outros 39 equipamentos foram recebidos como doações, mas não estão instalados. Das 50 empresas contactadas, apenas uma respondeu o pedido de orçamento — são necessárias no mínimo três para o processo ser considerado válido.

A informação foi revelada apenas nesta segunda, durante a audiência. Para o advogado dos ativistas pró-interdição, Júlio Leão, o fato aumenta a necessidade de fechar o espaço.

“A segurança está completamente comprometida. [A interdição] É plenamente possível.”

Ainda segundo Júlio, o fato de o juiz ter se manifestado hoje pela continuidade da operação do zoológico não é sinal de um posicionamento definitivo sobre o caso.

Fonte: G1

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