Mortandade quase dizimou os pombos do Bairro do Recife. (Foto: Rafael Furtado)

Levados por moléstia: pombos não foram envenenados

Não era veneno, ao contrário do que se acreditava. A estranha mudança de comportamento dos pombos no Bairro do Recife, que terminou com a morte repentina de uma quantidade expressiva de aves, teve, enfim, uma explicação: exames de histopatologia feitos por pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) revelaram que os pássaros foram infectados por um vírus. Resta saber por qual.

As análises nas carcaças apontaram inflamação nos pulmões. Em campo, os estudiosos observaram que os animais apresentavam o mesmo quadro clínico – dificuldade de voo, tremores de cabeça, falta de coordenação motora e diarreia. O alerta feito pelos estudiosos da UFRPE ocorreu após matéria publicada pela Folha de Pernambuco em janeiro passado, na qual foi relatada a mortandade em massa de pombos na área central do Recife, especialmente no Bairro do Recife e entorno.

As pesquisas são importantes para descartar riscos à saúde humana e à indústria avícola uma vez que, por voarem longas distâncias, pombos contaminados podem ser fontes de infecção para outras aves domésticas, em especial, as galinhas. “Se um pombo infectado entrar numa granja e nenhuma galinha estiver vacinada, será um sério prejuízo econômico. É por isso que não se deve dar comida a esses animais. Quanto mais alimentá-los, mais fica difícil fazer o controle populacional.

Também é importante fazer limpezas periódicas em locais propícios para ninhos, como em caixas de ar-condicionado”, diz o professor do Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal da UFRPE e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Veterinária da universidade, Fábio Mendonça. Ele levanta uma suspeita: “A hipótese mais provável é que os pássaros tenham contraído algum agente viral após contato com alguma ave migratória que tenha chegado ao Recife”. O Bairro do Recife fica em área por­tuária e recebe embarcações de várias partes do mundo.

Apesar de a Secretaria de Saúde do Recife ter afirmado que fez vistorias na região e que não encontrou carcaças de pombos, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro) foi informada pelos pesquisadores sobre o problema e entrou em contato com o Lanagro, laboratório oficial do Ministério da Agricultura, para novos testes específicos para pombos, feito por meio do PCR (Polimerase Chain Reaction), que faz a detecção molecular de DNA viral. O laudo pericial deverá sair em uma semana.

O risco de uma doença se espalhar é muito baixo, principalmente, a Newcastle, porque todas as aves alojadas no Estado já vêm vacinadas”, afirma o vice-presidente da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), Edival Veras. Dos males causados por vírus, o mais temido entre os criadores de aves é justamente a Newcastle. Ela pode se tornar ainda mais perigosa quando as aves se encontram em locais confinados, como são os pombais, pela facilidade de transmissão que o vírus encontra. Outras possibilidades são a encefalomielite aviária e a micoplasmose.

Adagro monitora pássaros

Em nota, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro) afirmou que “realiza a prevenção da influenza aviária e da doença de Newcastle. Todo ano é realizado o monitoramento dessas doenças em aves migratórias, tanto na Coroa do Avião quanto na ilha de Fernando de Noronha, e nunca foi detectada a presença do vírus nas aves monitoradas”. Embora não tenha tratamento, o controle e prevenção da doença é feito por meio da vacinação, o que, segundo a Adagro, é obrigatória e feita em dose única.

Professor da UFRPE Fábio Mendonça realizou testes nas carcaças recolhidas. (Foto: Brenda Alcântara)

Por Priscilla Costa 

Fonte: Folha PE

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