Mais de 200 pinguins são encontrados mortos em praia de SP: ‘Presas fáceis’ – Olhar Animal
Pinguins são encontrados mortos em Ilha Comprida, SP. (Foto: Divulgação/IPeC)

Mais de 200 pinguins são encontrados mortos em praia de SP: ‘Presas fáceis’

Animais foram encontrados em Ilha Comprida em apenas uma semana. No mesmo período do ano passado, apenas três animais foram achados, um crescimento de 6.600%.

Mais de 200 pinguins foram encontrados mortos nas praias de Ilha Comprida, Ilha do Cardoso e Iguape, no litoral de São Paulo, apenas na primeira semana de agosto. O número de animais recolhidos surpreendeu os pesquisadores do Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC). Segundo eles, a maioria dos pinguins encontrados mortos são jovens e não resistiram à viagem que começa no extremo sul da Patagônia.

Os pinguins-de-magalhães (Spheniscus magellanicus) habitam as zonas costeiras da Argentina, Chile e Ilhas Malvinas, migrando por vezes até ao Brasil, no Oceano Atlântico, ou até o Peru, no caso das populações do Oceano Pacífico. De acordo com o IPeC, a migração acontece no período mais frio, quando os animais podem encontrar na costa brasileira águas mais quentes e comida mais fácil, pois cardumes de peixes também migram por conta das baixas temperaturas.

VÍDEO: Pinguins são encontrados mortos em praia de Ilha Comprida, interior de São Paulo

No ano passado, de 1º a 9 de agosto, foram registrados apenas três pinguins encontrados na praia de Ilha Comprida. Neste ano, no mesmo período, já foram registrados 212 pinguins. Apesar do fenômeno da grande quantidade de animais mortos encontrados não ser comum, especialistas do IPeC dizem que é explicável. Para eles, isso acontece em anos de alterações nas condições climáticas, como ‘El Niño’ e ‘La Niña’, que podem aquecer ou esfriar as águas.

De acordo com a veterinária, a maioria dos animais encontrados está em uma fase juvenil, então, por ser a primeira grande viagem deles, muitas vezes os mais jovens se afastam do grupo, ficam cansados, com fome, e isso os torna mas vulneráveis, além da inexperiência. “Eles ficam mais fracos, emagrecem, e se tornam presas fáceis para as redes de pesca. Às vezes também ingerem plástico, por conta da fome”, explica a médica veterinária do IPeC, Arícia Benvenuto.

Pinguins juvenis morrem, muitas vezes, por não aguentarem a viagem da Argentina até o Brasil, durante o período de frio. (Foto: Divulgação/IPeC)
Pinguins juvenis morrem, muitas vezes, por não aguentarem a viagem da Argentina até o Brasil, durante o período de frio. (Foto: Divulgação/IPeC)

Tratamento

Quando encontrados com vida, os pinguins são tratados no Centro de Reabilitação do IPeC e, após a recuperação, é realizada a soltura de animais nas águas. “Soltamos, no mínimo, sete pinguins por vez, seguindo a orientação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Aves Silvestres. Eles não podem ser soltos sozinhos, pois andam em grupo. Se não temos sete, levamos para alguma instituição”, diz.

Quando encontrados mortos, os animais passam por necrópsia para que seja possível fazer uma análise do que está causando a morte dos pinguins na região. “Avaliamos se tem influência de impactos ambientais e tentamos descobrir se existe uma causa especifica para a morte desses animais”, finaliza a veterinária.

Pinguins-de-magalhães são comuns na América do Sul e quando encontrados debilitados nas praias são tratados pelo IPeC (Foto: Divulgação/IPeC)
Pinguins-de-magalhães são comuns na América do Sul e quando encontrados debilitados nas praias são tratados pelo IPeC (Foto: Divulgação/IPeC)

Por Andressa Barboza, G1 Santos

Fonte: G1

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