Morgan, a orca presa no Loro Parque está prenhe. Aqui está o motivo de esta ser uma notícia horrível

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Foto: Free Morgan Foundation/Facebook
Foto: Free Morgan Foundation/Facebook

Em junho de 2010, Morgan, uma orca fêmea foi encontrada muito magra, nadando sozinha na costa holandesa. Ela foi levada para o parque temático Dolfinarium Harderwijk, na Holanda, sob o pretexto de uma autorização de “resgate, reabilitação e liberação”. Não é de surpreender que o parque temático não tenha cumprido a promessa de reabilitar e libertar Morgan, mantendo-a em cativeiro. Infelizmente, Morgan ficou em um tanque apertado por 18 meses, onde não conseguiu exibir nenhum dos seus comportamentos naturais.

Foto: Free Morgan Foundation/Facebook

Um grupo de organizações não governamentais holandesas se uniu em 2010 para formar a Orca Coalition, esperando que Morgan voltasse para suas águas norueguesas nativas. A Orca Coalition levou o governo holandês (que originalmente emitiu a autorização) ao tribunal, mas o veredito final foi enviar Morgan para o Loro Parque, uma atração turística nas Ilhas Canárias, na costa da Espanha, onde está desde então.

O contrato original de Morgan afirma que ela deveria ser usada apenas para fins de pesquisa, mas o Loro Parque sentiu o cheiro de dinheiro, obrigando Morgan a fazer truques para turistas desinformados.

De alguma forma, a história de Morgan tornou-se ainda mais comovente…

Nascida em Cativeiro

Hoje Morgan tem cerca de onze anos, e o Loro Parque anunciou recentemente que ela está prenhe. O parque marinho afirmou que deveria ser permitida a reprodução, apesar de uma violação do contrato.

Foto: Ingrid Visser / Orca Research Trust

Especialistas em mamíferos marinhos dizem que Morgan não tem idade suficiente para se reproduzir e, por ser uma das cinco orcas emprestadas do SeaWorld EUA (e, tecnicamente, propriedade do SeaWorld USA), ela deveria estar incluída na decisão do SeaWorld de proibir a reprodução de suas orcas. Apesar de tudo isso, o Loro Parque tentou continuamente emprenhar Morgan, vendo os lucros em potencial de um filhote recém-nascido para sustentar seu parque marinho decadente. Está claro que isso não foi um acidente, pois o Loro Parque poderia ter simplesmente separado Morgan dos outros machos no parque.

“Para nós, esta notícia não é uma surpresa. O Loro Parque tem tentado por anos emprenhar Morgan”, disse o vice-presidente da Free Morgan Foundation, Hester Bartels, em um comunicado. “Eles fizeram isso apesar da proibição de reprodução e de sua idade jovem quando uma prenhez pode ser perigosa tanto para a mãe quanto para o filhote”.

O que a prenhez de Morgan significa para sua saúde

No início de 2017, Morgan foi observada batendo sua cabeça repetidas vezes contra o pequeno tanque. “Headbanging” é observado com frequência em orcas cativas, e foi identificado como um comportamento estereotipado (repetitivo anormal), nascido de frustração e estresse. O caso de Hugo, uma baleia em cativeiro no Miami Seaquarium, provou ser fatal. Quando esses comportamentos estereotipados causam danos físicos auto-infligidos, é conhecido como automutilação. Além disso, as outras orcas no Loro Parque não aceitaram Morgan em seu grupo e a atacam e mordem com regularidade, deixando-a coberta de feridas.

Foto: Free Morgan Foundation/Facebook

E sobre o bebê de Morgan… o filhote será um híbrido (seus pais são de duas subespécies de orca diferentes) e nunca terá a esperança de ser libertado na natureza. Esta nova linhagem só aumentará os lucros para o Loro Parque.

O bebê ficará com Morgan por um período de tempo, mas, infelizmente, é comum que as mães em cativeiro abandonem ou rejeitem a sua prole devido à depressão, ou ao fato de que elas nunca tiveram a chance de aprender como serem mães realmente. Este será mais do que provavelmente o caso com Morgan, considerando que seu sofrimento mental foi exibido em várias ocasiões.

Também é provável que o bebê de Morgan seja separado dela depois de um curto período de tempo. Embora o SeaWorld afirme que não separa mãe e bebês, isso foi documentado várias vezes. Isso é particularmente doloroso quando você leva em consideração a forma como as orcas são altamente sociais. Na vida selvagem, elas vivem em grupos matrilineares, geralmente compostos de avós, mães, irmãs, irmãos, tias, tios e primos. Mesmo quando atingem a maturidade sexual, orcas machos e fêmeas geralmente escolhem permanecer com seu grupo familiar inicial pelo resto de suas vidas. O bebê de Morgan será tirado de sua mãe e forçado a ficar em um tanque de concreto para o resto da sua vida sem uma socialização adequada.

Na natureza, as orcas podem viajar até 160 quilômetros em um único dia. No oceano, essas criaturas poderosas podem mergulhar até 60 metros e passar a maior parte do tempo no fundo da água. Mas o bebê de Morgan nunca poderá experimentar nadar no oceano. Na verdade, uma orca adulta teria que circundar o perímetro de seus tanques 1900 vezes por dia para nadar a mesma distância que fariam na natureza.

Quando as orcas selvagens mostraram a capacidade de formar vínculos profundos e duradouros com os membros da família, assim como nós humanos, como o Loro Parque pôde afirmar que as orcas que eles mantêm em cativeiro não são prejudicadas de forma alguma?

O que está sendo feito e como você pode ajudar

Infelizmente, Morgan passou mais de sua vida em cativeiro do que na natureza. A Free Morgan Foundation tem estado na vanguarda desde o primeiro dia, pedindo a liberdade de Morgan. Os especialistas já compararam vocalizações com um grupo de orcas na Noruega, que se acredita ser o grupo de Morgan. Mesmo que Morgan não seja aceita, ela ainda pode ser libertada com sucesso. De acordo com a Free Morgan Foundation, os grupos de orcas são conhecidos por aceitar e cuidar de orcas jovens que não são membros da família.

Para ajudar na libertação de Morgan, você pode começar escrevendo cartas para o governo holandês e doando para a causa da Free Morgan Foundation. Para mais maneiras de se envolver, clique aqui. E por favor, nunca apoie parques marinhos que mantêm animais em cativeiro e convença seus amigos e familiares a fazerem o mesmo.

Embora a história de Morgan ainda não tenha atingido um final feliz, a maré está se voltando contra o negócio da caça de orcas há algum tempo. É vital que este impulso seja mantido até que todos os tanques tenham sido esvaziados. Para saber mais sobre a verdade por trás do cativeiro de orcas, e porque você nunca deveria comprar um ingresso para um local que apresenta esses animais como forma de entretenimento, leia os artigos abaixo (em inglês).

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Por Michelle Neff  / Tradução de Ana Carolina Figueiredo 

Fonte: One Green Planet 

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